voluntaria-porta-sabores-1O gosto pela ajuda aos outros fez com que Celeste Silva passasse a colaborar na Porta de Sabores, onde todas as terças-feiras alimenta pessoas carenciadas. Mas a solidariedade desta mulher não se esgota aí.

Celeste Silva, mais conhecida por Celeste “Cerejo”, com 63 anos, não gosta de estar parada e isso nota-se pela velocidade a que saem as suas palavras. O espírito desenrascado faz transparecer uma pessoa multifacetada e de bem com a vida. No dia da entrevista que deu ao NT, acordou “muito cedo” para “adiantar as coisas” e conseguir estar a horas na aula de Psicologia, unidade curricular que frequenta na Universidade Sénior da Trofa. Depois, voou para a Porta de Sabores, refeitório social da Cruz Vermelha, no qual é voluntária quase desde que esta valência entrou em funcionamento. “Conheci uma pessoa na rua, que precisava de ajuda e eu tinha visto no jornal que a Porta de Sabores tinha aberto há uma semana e então trouxe-a aqui para que pudesse comer. A partir daí, achei que talvez pudesse ser útil e dirigi-me à Loja Social para dizer que gostaria de ajudar”, contou, ainda de avental colocado.

Gosta “muito” de estar na Porta de Sabores e das colegas de equipa, que asseguram as refeições todas as terças-feiras. Para esse dia, as voluntárias conseguiram arranjar apoio e angariaram “ asas de peru” para cozinhar.

Celeste sente “afeição” pelas pessoas que lá se sentam para matar a fome e sente-se feliz quando é possível “dar-lhes um miminho” como umas rabanadas que trouxe, por conta própria, para lhes adoçar o dia.

Mas a solidariedade não se esgota atrás do fogão ou de uma bancada para lavar a loiça. “A minha casa parece uma delegação da Cruz Vermelha”, afirma, utilizando a metáfora para explicar o seu empenho na ajuda ao próximo. Não está ligada a nenhuma instituição, pois prefere fazer voluntariado sozinha. “Vou a casa das pessoas para lhes ajudar”, afirmou.

O contacto com as pessoas e o chamamento para a ajuda surgiram nos tempos em que explorou uma loja no centro da cidade, quando percebeu que “havia pessoas que entravam lá, porque precisavam de sair e desabafar”. “Muitas vezes, elas diziam que queriam levar um produto, mas eu não tinha coragem de lhes levar dinheiro”, recordou.

Reúne muitos bens alimentares e vestuário mas, fora o que oferece às pessoas cujos casos conhece de perto, prefere entregar a carenciados fora do concelho. Celeste “Cerejo” considera que o trabalho de averiguação para os casos de pobreza “devia ser maior e mais rigoroso na Trofa”.

Naquele dia, a pressa que teve até chegar à Porta de Sabores voltou no fim do horário de funcionamento do refeitório. “Tenho que sair, porque tenho uns arranjos de costura para fazer”, revelou.