Se as paredes têm ouvidos, muitas histórias contam as do fontanário das Aldeias do Nascente, em Alvarelhos. Antigamente ponto de encontro obrigatório das mulheres que lavavam a roupa e de homens que enchiam os cântaros, aquele local é um verdadeiro baú de recordações. Delfim Maia lembra as vezes em que as mulheres, dispostas sobre o tanque mesmo face à estrada, involuntariamente provocavam acidentes por merecer a atenção redobrada dos homens que se distraiam na condução para lhes apreciar as pernas.
Maria Rosa Oliveira, uma das antigas utilizadoras, lembra-se da altura em que o marido a trazia “num carroço em madeira” e aguardava “à sombra” enquanto a roupa era lavada. Era naquele local que Maria aproveitava para meter a conversa em dia com as vizinhas.
Já Fernanda Nogueira ainda hoje utiliza o lavadouro, principalmente para “lavar tapetes grossos e carpetes”.
Dado o simbolismo presente naquela estrutura e pela utilidade que ainda tem, a Junta de Freguesia decidiu restaurar o fontanário e reconstruir o tanque. A obra custou “dez mil euros”, afirmou Adelino Maia, presidente da Junta de Freguesia de Alvarelhos e Guidões, durante a inauguração, na tarde de sábado, 9 de maio.
“Já há 12 anos que tinha este cenário na cabeça. Não foi das primeiras coisas que fiz no mandato, mas quando chegou a altura de poder fazer a obra iniciou-se”, adiantou.
O autarca explicou que a Junta de Freguesia só conseguiu “aproveitar a bica de água”, tendo de reconstruir o tanque. Por isso, aproveitou e recuou a estrutura “um metro”, graças à doação de terreno de um morador, Delfim Maia. Este explicou ao NT a razão da dádiva: “Não é por um metro que vou ficar mais rico ou mais pobre. Cedi terreno porque achei que o devia”, explicou ao NT.
Adelino Maia não deixou de agradecer “ao povo das Aldeias do Nascente, que abrilhantou a inauguração”, ao vestir-se a rigor e retratando tempos antigos.