A Junta de Freguesia de S. Romão do Coronado avançou com o projeto “Hortas Comunitárias”, ao ceder talhões de terra para a população de S. Romão, S. Mamede e Covelas cultivar.

 José Pereira adora agricultura e, como não tem nenhum talhão de terra em casa para se entreter, tentou a sorte na Junta de Freguesia. “Antes da Páscoa, falei com o presidente da Junta e ele aceitou”, conta ao NT, no intervalo da lavoura.

Depois de ter a luz verde da Junta, o romanense arregaçou a mangas e tratou de preparar a terra. “Encontrei uns camiões de terra que andavam por Covelas e eles vieram trazê-la para aqui. Comecei a vedar e a cultivar e, segundo o que se conta, já há mais dois candidatos para vir para cá”, relatou.

José Pereira conta que, já em França, para onde vai intercalando estadias durante o ano, tem um terreno cedido da Câmara. “Assim, há sempre possibilidade de a Junta ter este terreno cultivado”, justifica.

“Isto só faz bem à saúde, ajuda-nos a não estarmos parados”, afirma, antes de enumerar os alimentos já cultivados: “Cebolo, pepinos, pimentos, curgete, coração, batatas. Ainda vou pôr alho francês”.

A principal dificuldade no desenvolvimento “é a água”. “Há muita, mas está funda. Tenho de meter um motor ali no meio, encher os bidões e tornar a trazê-los cá para cima para regar”, explicou.

Mas esse obstáculo está prestes a ser colmatado com a ajuda de outro aspirante a agricultor, cuja arte da vida é a pichelaria, que “já se prontificou a colocar tubos e acessórios necessários”, anunciou Guilherme Ramos, presidente da Junta.

Pela enorme vontade de desenvolver a atividade, José Pereira ajudou a impulsionar o projeto ao qual a Junta de Freguesia apelidou de “Hortas Comunitárias”.

Os talhões de terra situam-se na Rua Manuel Marques da Silva, nas traseiras da Quinta de S. Romão, e só esperam por mais inscritos. O projeto está aberto a toda a população de S. Romão, mas também de S. Mamede do Coronado. “No fundo já devemos ir pensando no conjunto das duas freguesias”, alegou Guilherme Ramos.

Cada talhão tem cerca de 150 metros quadrados e, numa primeira fase, está acessível a “todas as famílias”, mas, se a procura exceder a oferta, será aplicado um regulamento que “está a ser preparado”, para “dar prioridade às pessoas com mais carências”.

“A ideia é colocar cerca de 15 lotes e, se porventura, não chegarem é uma questão de preparar o terreno ao lado ou, eventualmente, dentro da Quinta”, frisou.

Os interessados devem preencher uma pré-inscrição na Junta de Freguesia.

Guilherme Ramos referiu ainda que a ideia de desenvolver este projeto “era antiga”, mas a Junta “esperou que aparecesse o primeiro interessado e alguns meios”, porque “o que se pretende é aplicá-la quase sem custos ou com valores muito insignificantes”.

O autarca acredita que esta ideia “vai ser bem-sucedida” e “mais uma referência da área sul do concelho da Trofa”.