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Edição 679

Júlio Torcato quer experimentar “outros caminhos na moda”

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Criador de moda com uma carreira notável e já com 30 anos, Júlio Torcato anunciou que o seu desfile no Portugal Fashion foi o último neste formato. O designer quer seguir novos caminhos e experimentar novas formas de moda aliadas à arte. Júlio Torcato adiantou ter várias possibilidades que estão a ser estudadas.

O Notícias da Trofa: Porquê o último desfile ao fim de 30 anos?
Júlio Torcato: Porque já fiz muitos desfiles e o modelo para mim estava-se a esgotar. Este modelo convencional de desfiles estava esgotado e com uma expressão, linguagem criativa, já me dizia pouco. Era pouco estimulante este tipo de linguagem e penso que há outros caminhos que quero experimentar. Mais experimentalistas, que quero tentar.

NT: Como nasceu a ideia de fazer o desfile com estas características, com estas personalidades, algumas delas sem ligação direta à moda?
JT: Primeiro nasceu porque eu queria assinalar os 30 anos de carreira. Nessa altura ainda não tinha presente ou muito presente a ideia de tentar outro tipo de linguagens. Resolvi assinalar com pessoas que fizeram parte destes 30 anos. Posso dizer que através do Mário Matos Ribeiro, fundador da Moda Lisboa, surgiu os primeiros convites que eu tive para desfilar. Paulo Cácia fez três “Moda Lisboa” comigo em dupla. A Inês porque faz parte do processo. A Isabel Branco, pessoa mais importante na moda. Sempre acompanhou a minha carreira. Uma de praticamente todos os designers em Portugal que nós chamamos a “senhora da moda”, foi fundadora da Moda Lisboa, lançou a “ELLE” em Portugal, fez imensos catálogos, imensos desfiles comigo.Entretanto conheci uma série de gente. O “André No” da Trofa que faz as minhas musicas para o desfile, o Zé Carlos “o arquiteto”, que desenhou a minha loja e já desfilou para mim na Moda Lisboa e por aí. A Antónia Rosa maquilhadora… Eu até peco por omissão porque todos tiveram o momento. O Rúben Rua, os gémeos Guedes, variadíssimos desfiles comigo desde o início da carreira deles. Tantos…

NT: É também uma analogia de que a moda não se faz só com peças de vestuários e calçado, também se faz de pessoas? 
JT: A moda faz-se de pessoas. E aqui, a ideia importante é não tornar isto muito social. Isto são pessoas verdadeiras, são pessoas da moda mesmo. São as pessoas da parte social da moda. A Mariana por exemplo, talvez seja das pessoas mais mediáticas por causa do programa de televisão que tem, mas que sempre foi das pessoas dos bastidores da moda; quase à 20 e tal anos que ela aparece nos bastidores como colaboradora; ajudar a vestir manequins, organizar desfiles, etc…

NT: Escolheu algumas peças que já faziam parte de coleções anteriores. Que fatores pesaram na escolha dessas peças?
JT: Nós fizemos uma escolha. A ideia foi pegar num pouco dessa história, dessas que já desfilaram e fizemos uma escolha alargada para poder dar a opção a cada uma destas personalidades e escolheram se queriam um casaco, vestido, calça, camisa para transformar. O critério foi aleatório, ter uma escolha que pudesse dar opção a cada um dos convidados.

NT: Teve um sabor especial ver a sua filha a desfilar com as suas peças?
JT: Sim claro. A Inês é uma jovem designer emergente, sempre acompanhou a minha carreira. Neste momento faz parte do atelier, desenvolve a coleção dela. Ao mesmo tempo colabora na minha. Foi especial.

NT: Que momento vai guardar com mais carinho das suas participações no Portugal Fashion?
JT: Vários. Portugal Fashion, Moda Lisboa, alguns internacionais. O primeiro convite para a Moda Lisboa foi dos convites mais importantes na moda em Portugal. O convite para o Portugal Fashion na altura da top model. E este último, claro. Ficará para sempre gravado. Se tivesse que eleger um, foi este último.

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NT: Como designer e com tantos anos de experiência sentiu-se sempre valorizado na área da moda?
JT: Sim. A moda é uma área muito competitiva, complexa. Há momentos mais altos, mais baixos. Não posso dizer que me tenha sentido desvalorizado. No início, em que tudo se passa em Lisboa, nos anos 90, talvez alguns criadores do Norte, por serem menos conhecidos, fomos quase pioneiros.

NT: Como é que avalia a evolução do Portugal Fashion ao longo destes anos? O que gostaria de ver acontecer neste evento?
JT: O Portugal Fashion começou por ser um projeto que pretendia aproximar a indústrias aos historiadores, as marcas aos criadores. Acho que evoluiu bastante. Neste momento é um projeto muito consolidado, já com novos designers e uma aposta grande a nível de visibilidade e de apoios. Tornou-se um dos exemplos mais importantes da moda em Portugal. Talvez o mais importante de todos. Contribuiu tanto, não só para os designers, mas para a própria indústria, marcas, deu visibilidade, permitiu aproximar dos média, na divulgação da moda. A moda em Portugal vai fazer 30 anos. Não é tão antiga assim, comparativamente com outros países. Tenho gostado de ver os passos que estão a ser dados. Claro que todos nós gostaríamos que as coisas acontecessem mais depressa, a internacionalização do evento está a acontecer mas não depende só de nós. Somos um país pequeno e sem tradição de moda mas estamos a dar passos nesse sentido.

NT: Há muito mais além destes desfiles?
JT: Ao anunciar que neste formato convencional é o último desfile tenho outros projetos porque para mim moda também é arte, tenho de propor novos caminhos, com a realização de algo mais interventivo, impactante do que só desfile. Neste momento há várias ideias em cima da mesa, há vários caminhos possíveis e vamos agora escolher qual vamos seguir.

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José Malhoa e Adelaide Ferreira nas festas de S. Romão

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As festas em honra de S. Romão realizam-se a 17 e 18 de novembro e levam ao Largo do Seixinho nomes sonantes da música popular portuguesa.

José Malhoa, Adelaide Ferreira, Tozé, Nelo Silva, Paulo Ribeiro e Zé Cabra cabem todos no cartaz das festas em honra de S. Romão.

Leia a notícia completa na edição 679 do NT, nas bancas.

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Concelho da Trofa: Valeu a pena!

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A memória é uma história que se escreve com as palavras arrojadas, que o presente nos sugere. A história é uma viagem através do tempo; é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestre da vida, anunciadora dos tempos antigos. A história é a ciência dos homens no tempo.

Na história da Trofa, o período que antecedeu a criação do Concelho foi um tempo de luta por uma emancipação mais que justa. Talvez tenha sido o período mais profícuo da história da Trofa, mas também foi o período em que o «trofismo» esteve mais arreigado nas nobres gentes, do mais novel Concelho do país, o Concelho da Trofa!

A luta muito antiga, com mais de 150 anos, pela criação do Concelho da Trofa, nunca obedeceu a interesses menores, nem a critérios financeiros ou à falta “disto e daquilo”, muito menos a questões de “quintal ou vizinhança”. A criação do Concelho da Trofa foi a reconquista de uma realidade homogénea, em termos geográficos, sociológicos, históricos e culturais.

O sonho dos trofenses, pela criação do seu concelho, o Concelho da Trofa, durou mais de século e meio, passou de geração em geração, nunca morreu, nunca chegou a “enferrujar” e raramente esmoreceu. Demorou muitos anos, mas a “carta de alforria” foi conseguida, eram 17h 55m, do famoso dia 19 de novembro de 1998, para gáudio da grande maioria dos trofenses.
Nós, os membros da Comissão Promotora do Concelho da Trofa, sempre acreditamos, sempre lutamos com um vigoroso empenhamento, pela materialização dessa esperança, por isso concretizamos aquilo para que tínhamos sido mandatados pelo povo trofense: a criação do Concelho da Trofa. Conseguimos. O sonho realizou-se!

Os elementos da Comissão Promotora do Concelho da Trofa não foram os “Defensores da Barca”, nem os “Bravos do Mindelo”, muito menos os “Capitães de Abril”, mas foram os “verdadeiros” pais do Concelho da Trofa. Foi com os nossos lábios denodados que ousamos primeiro entoar o doce nome LIBERDADE, com o grito que se ouviu bem longe: VIVA O CONCELHO DA TROFA.

É verdade que nestes 20 anos de autonomia, muito há ainda por fazer e muito mal nos fizeram, pois surripiaram, a uma parte significativa dos trofenses, o comboio da via estreita, com a promessa do metro de superfície e até à data nem comboio nem metro. Mas também foi anunciada, pelo poder central, a obra da variante à EN14, tão necessária ao desenvolvimento do concelho, só que nunca foi iniciada a sua construção. Até parece termos voltado ao tempo, em que existia uma máxima: “para a Trofa, quanto pior, melhor!”,

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Só que agora são os trofenses a gerir o seu próprio destino. Também por isso, a sociedade civil mobilizou-se e fortaleceu o associativismo, principalmente na área social, com a criação da Misericórdia, Lares e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), que trabalham afincadamente de modo abnegado a favor dos mais carenciados, a favor dos mais frágeis da sociedade, mostrando ao mundo de que têmpera são feitos os trofenses. Por isso é que não baixaram os braços e continuam a lutar para que a Trofa se transforme no melhor Concelho do país. Os trofenses merecem!

Por tudo isto, mesmo parecendo pouco, digo sem qualquer tipo de hesitação, que a criação do Concelho da Trofa VALEU A PENA! O nosso sonho realizou-se, mas outros sonhos nasceram! Que nunca nos falte um sonho para lutar pela sua concretização. Vale a pena nunca desistir dos nossos sonhos, para que a Trofa possa caminhar na direção da pujança económica e social, que teve num passado bem recente.
moreira.da.silva@sapo.pt
www.moreiradasilva.pt

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