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Edição 688

Jujigatami bovino – Crónica Verde

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Desde 2007, a Associação para a Protecção do Vale do Coronado (APVC) realizou algumas actividades em parceria com a associação portuense Campo Aberto, com vista à preservação do vale agrícola do Coronado. Recordo o activismo local e, de forma mais alargada, o IV Encontro da Plataforma Interassociativa Convergir, em 29 de Maio de 2010, no Auditório de Santiago de Bougado e, assim, por um dia, a Trofa foi a capital da ecologia em Portugal.
Desta feita, a Campo Aberto lançou-nos mais um (a)braço. José Carlos Marques e restantes bons amigos estão de regresso à Trofa, para uma visita às margens do Ave, no dia 16 de Março, às 14h15, evento em formato duplex, com caminhada e debate, para o qual a APVC convida os trofenses.
A caminhada parte do Souto de Bairros, local com assinaláveis sobreiros e plátanos; seguirá pelo Parque das Azenhas, sob percurso plano, ao longo da margem do Rio Ave. Terá a duração de cerca de hora e meia – quiçá, com lontras à espreita! Na parte final da visita, às 16h45, já no Centro de Educação Ambiental da Trofa, junto ao Aquaplace, realizar-se-á um debate sobre o património paisagístico e natural do concelho da Trofa e da Área Metropolitana do Porto. Oportunidade para conhecer o livro “Espaços Verdes e Vivos na Área Metropolitana do Porto”. A entrada livre e gratuita.
O recente primeiro de Março ficou marcado pelo arranque da 73ª Feira Anual da Trofa e, nesse âmbito, assinalou-se o “Dia dedicado às crianças do concelho da Trofa”. E, nem de propósito, no programa, uma “Monumental Garraiada”. Mais um evento marialva-rococó, pago com dinheiro público – ao mesmo tempo, na EB23 de São Romão do Coronado, não há dinheiro (público) para “consertar” a degradação de algumas salas de aula!!
A contestação à garraiada tem sido visível, desde há 2-3 anos, na comunidade trofense, mas de forma muito discreta e amorfa. Porém, há semanas, perante a anunciada realização de mais um evento, vários trofenses – sobretudo, bougadenses –, sabendo que a APVC é uma das mais inquietas associações do concelho, contactaram-nos para que, em conjunto e de forma construtiva, sensibilizassemos a entidade organizadora, a Junta de Freguesia de Bougado. Do universo local, o movimento espalhou-se para outras regiões do país, com eco nas redes sociais e até na imprensa. O autarca de Bougado é um bom presidente, é, mas poderá ser excelente; contudo, em entrevista ao Jornal de Notícias [edição 01 Março, p.23] sobre a garraiada, Luís Paulo Sousa espalhou-se, com comentários reveladores de profunda infoexclusão e de alheamento relativo ao mundo da etologia e afins.

[nota às urtigas]

Este voluntário APVC que aqui escreve queimou muitas pestanas (até ficou careca!) na Escola Superior Agrária de Coimbra e no Scottish Agricultural College de Edimburgo, mas, mais importante do que isso, é, com muito gosto, filho de agricultores e tem calos nas mãos!

O nosso concelho merece muito mais do que patéticas garraiadas, shots de leite e selfies-marialva! À organização da Feira Anual, urge dignificar o nosso amado mundo rural e, por exemplo, apontar soluções estratégicas para mitigar os graves efeitos das alterações climáticas, cada vez mais evidentes nos sectores agrícola e florestal. Um abraço, Luís Paulo.

Continuaremos a promover e a ajudar a construir um concelho mais harmonioso e sustentavelmente desenvolvido, que promova o respeito por todos os seres – humanos e não humanos – e, em geral, pela Natureza. E, registe-se: até à data, fazemo-lo sem apoios institucionais da Câmara Municipal da Trofa e da Junta de Freguesia do Coronado – olha, olha, as duas tão diferentes e, nos apoios à APVC, tão iguais!!!

Para finalizar, longe da arena, já no tatami, um jujigatami: são cada vez mais as entidades e cidadãos que solicitam a nossa parceria/colaboração – cruzes credo, por que será?!

vítor assunção e sá | APVC
facebook.com/valedocoronado

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Edição 688

Memórias e Histórias da Trofa: História do Clube Desportivo Trofense

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A crónica desta semana será um pouco diferente do habitual atendendo a que no próximo dia 8 de março, pelas 21 horas, no Malte Taberna, irá ser lançada a obra mais recente escrita por mim sobre a história da Trofa.
Um projeto que estava há vários anos perdido numa gaveta, após uma grande e criteriosa investigação histórica irá ver a luz do dia nas próximas horas, contribuindo para a criação de uma memória coletiva, importante marco para a história desta nossa coletividade.
O futebol na Trofa iniciou a sua prática nos primeiros anos do século XX, não somente em S. Martinho, como também em S. Mamede e S. Romão, importantes polos de desenvolvimento económico.
Impossível ignorar que o desenvolvimento da prática desportiva deu-se na mesma fase em que o setor secundário crescia de forma exponencial e a localidade entrava no caminho do progresso para nunca mais o abandonar.
A pequena burguesia, que gozava ter mais umas moedas no bolso, ia desenvolvendo a sua atividade recreativa e surgia no panorama desportivo da cidade o Sporting Clube da Trofa que mais não é a fonte de onde brotou o Clube Desportivo Trofense.
O Sporting Clube da Trofa, nos anos 20, ia dando os primeiros passos, mas claramente via a sua evolução condicionada pela falta de estatutos, instalações condignas – a sede era na casa de um dos seus elementos – e todos estes fatores impediam a sua afirmação.
Procurando “dar um ar mais sério” ao projeto desportivo, após pressões da comunicação social que percebia que aquele projeto não podia continuar e evoluir se mantivesse aquelas diretivas, o clube mudaria de nome para Clube Desportivo Trofense ainda antes de 1930.
O ano de 1930 foi apenas o último passo para a consolidação do projeto desportivo que foi a aceitação na Associação de Futebol do Porto, como se fizesse sentido considerar aquele momento como ato de fundação, quando na realidade aquele é apenas o último passo de todo aquele processo.
Instalações desportivas inauguradas em outubro do ano referido no parágrafo anterior, o Campo do Catulo era uma certeza após meses de luta contra a falta de tempo e, sobretudo, de dinheiro, um investimento desmedido que iria trazer graves problemas à sustentabilidade da coletividade a curto prazo.
Iria ser rei e senhor do campeonato concelhio de Santo Tirso entre 1930 e 1935, esteve a um passo de subir ao principal escalão, teve um treinador notável que era reconhecido pela família nacional do futebol, pagaria aos seus jogadores ordenados acima da média e sobretudo raros para aqueles tempos. Uma história rica que será possível a sua partilha na próxima sexta-feira, contando com a vossa presença para tornar ainda mais especial aquela noite.

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Isabel Calado apresentou novos trabalhos discográficos

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A trofense Isabel Calado apresentou mais dois trabalhos discográficos. “Canções Populares Portuguesas 2” e “Sonatas Prussianas de C. P. E. Bach” resultam de um trabalho realizado pela intérprete em conjunto com o tenor Márcio da Rosa.
No cravo e pianoforte, Isabel Calado levantou o véu e interpretou alguns temas que integram os CD apresentados, alguns do cancioneiro geral português muito conhecidos, numa sessão que teve lugar na Casa da Cultura da Trofa, a 23 de fevereiro.
“Sonatas Prussianas de Carl Philipp Emanuel Bach” foram compostas durante os anos 40 do século XVIII e fazem parte do espólio mais significativo de Bach, tendo sido interpretadas no cravo por Isabel Calado.
Já “Canções Populares Portuguesas II” reúne temas interpretados pelo tenor Márcio da Rosa, acompanhado em instrumento de tecla por Isabel Calado, englobando obras de Marcos Portugal extraídas do Cancioneiro de Música Popular, publicado em 1893.
As fontes musicais portuguesas são ferramentas de investigação da intérprete trofense “desde 2009”, contou em declarações ao NT.

O primeiro concerto aconteceu em 2012 e desde aí tem-se apresentado em diversos palcos, a solo ou integrada em grupos de música de câmara e em orquestras, com destaque para Orquestra do Algarve e a Orquestra do Norte, com quem trabalhou em inúmeras ocasiões. O estudo da música iniciou-se ainda no pré-escolar, mas “só se tornou num interesse sério já em adulta”, observou.
A formação na área inclui o curso do Conservatório de Música do Porto, licenciatura bietápica na Escola Superior de Música de Lisboa – Instituto Politécnico de Lisboa, mestrado em Ensino da Música na Escola das Artes da Universidade Católica e doutoramento em Ciências Musicais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Já não é a primeira vez que Isabel Calado se apresenta na terra natal, incluindo-a no mapa de concertos que tem dado um pouco por todo o mundo, em países como Espanha, França, Reino Unido, Estado Unidos da América, Singapura e Japão. O último é o próximo destino da trofense, que tem concertos agendados para 20 e 21 de abril, em Nagoya, numa ópera de Mozart com a Orquestra Barroca de Nagoya. A 26 de maio, apresenta as “Canções Populares Portuguesas” no Museu Romântico do Porto, com Márcio da Rosa.
Isabel Calado tem já previstos concertos, em parceria com a soprano Iria Perestrelo, em Portugal, Reino Unido, França e Alemanha.

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