Honra e verdade serviu de mote a uma iniciativa organizada por um grupo de cidadãos da Trofa que quis apoiar o presidente da Câmara Municipal, outros autarcas e empresários do concelho. Na origem desta iniciativa esteve um panfleto anónimo alegadamente distribuído pelo concelho da Trofa contendo acusações de “enriquecimento ilícito”, “favorecimento de empreiteiros”, entre outras.

 

A iniciativa teve lugar num pavilhão empresarial em Lantemil, Freguesia de Santiago de Bougado, na passada sexta-feira e teve como objectivo apoiar todos os que foram alvo do panfleto anónimo que há algumas semanas começou a ser difundido a algumas pessoas mas ao qual poucas pessoas tiveram acesso.

Segundo Amândio Couto, um dos organizadores do jantar, marcaram presença nesta iniciativa cerca de 2940 pessoas. “Este jantar não tem fins políticos e contou com a colaboração de quase todas as associações do concelho. Começámos com esta iniciativa há três semanas e nem pela ideia nos passava chegar a este ponto. O nosso objectivo era de atingir entre 1500 a 2000 pessoas e trabalhamos para que esse objectivo fosse conseguido”, adiantou.

“Numa primeira fase pretendíamos envolver a sociedade anónima, as associações e tivemos a colaboração da AEBA e da sua directora-geral, a Drª Mafalda que esteve connosco desde o início”, frisou.

Perante uma plateia de cerca de 2940 pessoas, o edil, num discurso emotivo, reconheceu que teve algumas dúvidas em “partilhar este momento com a população, mas agora estou muito satisfeito porque partilhei com aqueles que também foram agredidos essa solidariedade” demonstrada no jantar.

Quanto às acusações de que é alvo, o presidente afirmou: “são acusações de enriquecimento ilícito, ter uma farmácia ilicitamente, ter um carro dado por um empreiteiro qualquer, os meus filhos também envolvidos em negócios. As pessoas esquecem-se que tenho uma vida atrás de mim de 20 e tal anos como médico, uma profissão em que juntei o meu pecúlio. Actualmente a minha mulher tem a propriedade de uma farmácia e também tem o seu pecúlio. Aquilo que tenho é visível, as pessoas podem consultar os meus rendimentos”. Bernardino Vasconcelos foi mais longe e diz-se “profundamente chocado”. “Senti que a minha família ficou chocada. Isto é indecente, embora tenha a solidariedade da família, estamos todos juntos e somos uma família unida mas não tinham o direito de nos fazer passar por isto”, acrescentou.

Quanto aos autores do panfleto e à sua coincidência com a proximidade com as eleições o autarca limitou-se a dizer que nos sítios próprios, face já a alguns elementos que possuímos irão responder”.

Quanto à atribuição da elaboração do panfleto tenha tido como autores membros de um partido politico, Vasconcelos adiantou: Não vou colocar isso dessa forma, de um partido político. Hoje tivemos aqui pessoas de vários partidos políticos, gente boa, gente da Trofa com quem converso, alguns depoimentos de alguns membros de partidos que não o meu. Eu não conoto isto com um partido, o partido é uma coisa, é uma instituição, qualquer partido é uma instituição democrática com valor acima das pessoas e não devemos questionar isso dessa forma. Não queria entrar no diz que disse, no comentar por comentar, no fundo alimentar o boato”.

Apesar dos “momentos difíceis” por que está a passar, Bernardino Vasconcelos confirmou que pretende “ser candidato nas próximas eleições autárquicas”, tentando renovar o mandato numa “luta” que quer que seja “o mais ética possível”. “Uma luta política, pelos projectos, não pelo boato, não pelo panfleto anónimo, mas sim pelas ideias e projectos. O povo há-de escolher, é soberano nisso, temos que respeitar o voto popular”. A efectivar-se a sua candidatura à autarquia por parte do PSD Vasconcelos garante que “irá ser uma campanha simples, o tempo não está para gastos. Não podemos fazer a afronta do espavento em gastos, vamos tentar limitá-la às coisas essenciais, aos debates, de uma forma ética, na divergência de opinião e isso é aceitável e o povo há-de escolher”.

 

Autarcas e empresários negam acusações “caluniosas” do panfleto

 

António Pontes, vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa e presidente do Conselho de Administração da empresa municipal Trofáguas , Manuel Pontes, presidente da Direcção da AEBA, Joaquim Oliveira, presidente da Junta de Freguesia de Alvarelhos, José Maria, ex-presidente da direcção do Vigorosa, foram apenas algumas das pessoas visadas no panfleto.

Em declarações exclusivas à TrofaTV/NT António Pontes garante que as acusações a ele e à sua família são “caluniosas, são inventadas, não têm ponta de verdade e acho que aquilo que se passou aqui hoje(jantar) é uma resposta que as pessoas da Trofa quiseram dar a esse tipo de postura de meia dúzia”. Este jantar “honra e verdade é uma resposta a essa agente que não sabe estar na vida e é uma pena que assim seja, mas como disse são meia dúzia e não mexem com mais nada, não beliscam seja o que for, são insignificantes para conseguir atingir o que quer que seja”.

Quanto aos autores do panfleto o vice-presidente da Câmara diz “não saber quem são” e escusa-se a apontar desconfianças limitando-se a dizer que “está a equacionar a possibilidade de apresentar queixa” contra os autores do panfleto.

Já Manuel Pontes, presidente da Direcção da AEBA diz estar ” tranquilíssimo, não há dúvida nenhuma de que quando se referiram a mim vi logo que isto trazia por trás outras intenções. Toda a gente me conhece e sabe que tudo o que faço e tenho feito muito pela Trofa, sempre sem nenhum interesse material, às vezes pelo contrário, até tenho tido prejuízo. Quando vi aquele panfleto a minha primeira reacção foi de não ligar absolutamente nada. Entendia que não merecia que déssemos qualquer validade de tal maneira a atingir baixo, se é que aquilo é política, é política baixa. Hoje reconheço que foi bom(este jantar), que a iniciativa foi boa, há que pôr as coisas no seu lugar, há que sobretudo defender as pessoas da sua honradez”.

Reconhecendo que não nasceu “para ser político”, pois assume-se “demasiado sincero e objectivo”, Manuel Pontes lança criticas ao seu partido quando questionado sobre se a origem do panfleto estaria dentro do próprio PSD. “Se olhar para a história e para os factos do PSD dos últimos dez anos só digo que é um partido que se auto-flagela constantemente. Se é ou não (alguém do PSD ser responsável pelo panfleto) as probabilidades são capazes de ser muito grandes”.

Por seu lado José Maria, outro dos visados no panfleto considerou o panfleto ridículo e acredita que não tenha sido feito por ” partidos da posição, mas o interesse é de grupos a tentar melindrar quanto mais não seja a tentar favorecer directamente a oposição, é para prejudicar quem está no poder”. José Maria foi mais longe e lembrou “acusam-me de lavar dinheiro numa associação onde já não estou há 4 anos, ofendeu-me mais até falar nessa associação que eu respeito muito e que estão a fazer um grande trabalho. Eu aguento bem as acusações não queria era que pegassem com a minha família, com associações que são credíveis e onde já não estou há muito tempo, mas continuo a apoiá-los e têm toda a minha confiança porque são gente de trabalho. Isto não são maneiras de fazer políticas, se me querem insultar que me insultem e se têm documentos que os apresentem e que condenem as pessoas”.