Os tempos mudaram. O medo grassa. O povo encolhe-se. A miséria espalha-se. E eu… também estava receoso. Nestes tempos… encher uma avenida da liberdade, do marquês até aos restauradores, em Lisboa, não é fácil. Por isso questionei-me se era boa estratégia, questionei o PCP e a CDU sobre o êxito? Duvidei… mas, «um passo atrás são sempre dois em frente/e um povo verdadeiro não se trai/não quer gente mais gente que outra gente», e foi um sucesso. No dizer de Luís Pedro Nunes, no «eixo do mal», uma vitória por dez a zero. Na comunicação social reside o silêncio, a omissão. Uma coisa dos partidos do centrão ou da direita é repetida à exaustão. Uma manifestação da CDU com mais de 100.000 pessoas já não é notícia no dia seguinte, nem merece qualquer palavra dos comentadores. Por isso também estas palavras, para que o povo trofense saiba que aconteceu.
Lá foi o autocarro do nosso concelho com os 55 trofenses que participaram nessa maré cheia de gente «a força do povo» promovida pela CDU. As nossas palavras de ordem juntaram-se às outras, sem esquecer as nossas específicas alusões ao metro, cujo chumbo na AR dos partidos da maioria acontecera no dia anterior, mais uma vez, perante a proposta de resolução do PCP, ao roubo das freguesias e ao desbaratar do património com esta privatização descarada e maldosa da TAP.
Só quando nos aproximamos dos Restauradores nos apercebemos da grandiosidade da manifestação ao olhar para trás e constatar a avenida transbordante de ativistas e simpatizantes da CDU.
«Isto vai meus amigos isto vai» e, paulatinamente, caprichosamente, alegremente, se ia enchendo a praça, onde se concluía mais uma jornada, mais uma luta que seria o princípio da próxima pois «o que é preciso é ter sempre presente/que o presente é um tempo que se vai/e o futuro é o tempo resistente».
A coligação de direita nada tem a oferecer aos portugueses. Apenas a continuação da austeridade, o agravamento das leis do trabalho, a baixa do valor do trabalho, das pensões e das reforma, o fim do tratamento de muitos doentes por razões económicas e o desmantelamento do serviço nacional de saúde… ou seja… mais pobreza. Infelizmente o PS trilhará o mesmo caminho… com mais moderação… de forma mais contida… mas transportar-nos-á para mesma estação.
As bandeiras, as faixas e os estandartes que desciam no passado sábado a avenida da liberdade transportavam a confiança da alternativa, o vermelho da luta, o verde da esperança e o azul da harmonia e da paz. As gargantas roucas gritavam os valores conquistados em Abril que nos deram uma vida melhor e a possibilidade da luta. E os punhos levantados expressavam a mudança, o querer que «depois da tempestade há a bonança/que é verde como a cor que tem a esperança/quando a água de Abril sobre nós cai.
No regresso carregávamos a força, a coragem e a vontade de lutar, mas também a certeza de que temos um país que vale a pena e um povo que tem todas as condições para triunfar contra todas as «inevitabilidades». Ultrapassaremos as amarguras, as dificuldades com trabalho, perseverança, com justiça e uma equitativa repartição da riqueza (sem isto nada se consegue). Daremos a volta ao resultado, recuperaremos a soberania nacional e faremos um Portugal para os portugueses. «O que é preciso é termos confiança / se fizermos de maio a nossa lança /
isto vai meus amigos isto vai.»