João Ramos, natural do concelho da Trofa e investigador no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência, venceu o Prémio REN, no valor de 25 mil euros.

É natural de Alvarelhos e, recentemente, ganhou algum protagonismo por ter vencido o Prémio REN, que distingue as melhores teses de mestrado no âmbito da energia. João Pedro Graça Ramos deu nas vistas com a investigação relacionada com “Conversão de energia de geração fotovoltaica com inércia sintética”. É assim que se chama a tese de mestrado em Engenharia Eletrotécnica, que concluiu, em 2019, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Em termos gerais, a investigação relaciona-se com a tentativa de fazer com que os sistemas fotovoltaicos sejam capazes de assegurar a estabilidade da rede que fornece a energia elétrica. “Quando há uma falha num sistema energético, um gerador de uma barragem por exemplo, todo o restante sistema tem de aguentar esse desligamento. É como se tivéssemos um carro a 120 quilómetros à hora que começa a perder a potência, mas algum gerador à parte gera potência para regressar à velocidade que estava”, explicou João Ramos, em entrevista ao NT.

Segundo investigador, um dos problemas associados aos sistemas fotovoltaicos e eólicos reside, exatamente, na incapacidade de gerar potência para retomar a “velocidade” do fornecimento de energia.

O objeto de estudo de João Ramos foi o “inversor”, mecanismo que, num sistema fotovoltaico, é responsável por “transformar a corrente direta (estrutura) em corrente alternada (rede energética)”. “A tecnologia que apliquei pressupôs a utilização da pequena quantidade de energia armazenada nos condensadores já existentes nos inversores para ajudar o sistema a retomar a velocidade”, detalhou.

Desta forma, João Ramos está a dar condições para que as energias renováveis, como os sistemas fotovoltaicos consigam ter a mesma eficiência que a energia térmica, relacionada com os combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão.

O futuro acena com as energias renováveis e esse caminho, diz o investigador, “é incontornável”, só que “é preciso ter atenção ao custo que têm para o ambiente”. “Para satisfazermos todas as necessidades com as energias renováveis, precisamos de 200 por cento da capacidade do que nós produzimos, atualmente, porque metade das estruturas não vão produzir, porque não há vento ou sol suficiente. Isso pode ter um impacto ambiental assinalável”, explicou.

A solução tem de passar por um “um bom planeamento” e recurso ao “mix energético”, conjugação das energias renováveis e térmicas, que, em Portugal, “funciona muito bem”, refere João Ramos. “
Ao vencer o prémio, ao qual participou quase por desporto, o trofense quer, além de dar visibilidade ao trabalho que tem desenvolvido, contribuir para uma maior consciencialização da população relativamente a esta temática, chamando a atenção para “esta preocupação de segurança do sistema energético”.

Atualmente a exercer funções como investigador no INESC TEC (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência), João Ramos tem em mãos um projeto que visa “garantir a estabilidade” do fornecimento de energia gerada por um parque fotovoltaico que vai ser instalado, no próximo ano, nos Açores.

Além da formação académica em Engenharia Eletrotécnica, João Ramos, com 26 anos, tem ainda o curso de aviação comercial, que concluiu, em 2016, na Nortavia, na Maia. A maior parte do ensino regular, incluindo o Ensino Secundário, foi cumprido no Colégio da Trofa. Atualmente, João Ramos reside em Matosinhos.