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Edição 696

Imigração na Trofa com sotaque canarinho

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Todos com histórias diferentes, mas que levaram ao mesmo destino: a Trofa. Perante a crescente migração de cidadãos brasileiros para Portugal nos últimos anos, O Notícias da Trofa foi à procura de alguns que se instalaram na Trofa, em busca de uma vida melhor.

“Na favela é assim: não podemos ter olhos, ouvidos e língua. Se assim não for, podemos pagar com a nossa própria vida. Se por acaso virmos alguma coisa de muito má, como alguém matando uma pessoa, o melhor é virar a cara e fugir o mais rápido possível, porque os bandidos vêm atrás e dizem que vamos contar para a polícia e então para não correrem riscos matam-nos e à nossa família”. O retrato cru e cruel é de quem ao longo de 30 anos viveu, de perto, os perigos de viver no interior de uma favela, em plena Bahia, no Brasil.

Cristiane Jesus sentiu na pele a violência que caracteriza os bairros de lata da nação canarinha, mas que se estendem “aos bairros chiques”, como contou em entrevista ao NT.

Um dos episódios mais assustadores que esta brasileira viveu permanece marcado na memória: “Uma vez, uns bandidos pequenos, crianças de seis e sete anos, passaram a avisar que ia dar o toque de recolher à noite. Esse toque são tiros para o ar que avisam que vai haver guerra na favela, entre grupos rivais”, relembra. Como às sete da noite não houve nada, Cristiane e a mãe foram para a varanda de casa para rezar o terço, pensando que aqueles meninos queriam apenas assombrá-las.

“Só que, quando eu estava sentada de frente para a minha mãe e ela me deu um sinal para eu não olhar para trás e ficar calma. Só que eu não percebi e olhei para trás. Ali estavam uns sete bandidos, com caras de monstros, apontando as armas para nós. Nessa hora, eu deitei no chão e a minha mãe manteve-se como uma estátua, porque, caso contrário, eles poderiam achar que ela estava a esconder o que eles procuravam”.

Seguiram-se momentos de tensão. Medo. Pânico. Rajadas de tiros que duraram dez minutos. Dez minutos que pareciam uma eternidade.

Esta e outras situações de violência, aliadas à uma situação financeira frágil, que fizeram Cristiane atravessar o oceano e parar em Portugal.
Aos 34 anos, luta por uma vida melhor, para conseguir buscar duas filhas, de 11 e nove anos, – a mais nova, de sete anos, reside com o pai – e dar-lhes “paz, melhor educação e uma vida mais feliz”. “Dar-lhes a oportunidade de,por exemplo, ir ao McDonald’s, um sonho para elas”, contou.

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“Por mais que a minha família não quisesse, eu vim. Comecei a juntar dinheiro para, pelo menos, conseguir fazer uma casa fora da favela para a minha mãe e para a minha irmã”, contou.

Começou por viver no Algarve, mas acabou por assentar arraiais na Trofa, onde vive há 2 anos, dividindo casa com um belga e um brasileiro.

Deste lugar elogia “a calma”, tendo conseguido ingressar num curso de inglês e encontrado também um local de trabalho, onde se sente feliz, um salão de beleza que, quis o destino, é também poiso profissional de outro brasileiro, imigrante bem mais recente.

Vida perfeita… até à eleição de Bolsonaro

Desde outubro em Portugal, Thyago Sequeira, natural de Brasília e ex-residente do Rio de Janeiro, garante que tinha uma “vida perfeita” em terras de Vera Cruz… até à eleição de Jair Bolsonaro. “Não queria viver num país que ia sofrer com privação de direitos e outros aspetos negativos para o cidadão. Um governo de extrema direita é sempre prejudicial. Por isso, decidi sair”, contou.
Cabeleireiro há 18 anos, formado em Letras, Thyago, de 33 anos, relembra os primeiros momentos da política pré-eleitoral, quando “parecia uma piada” que Bolsonaro pudesse vencer as eleições, mas o caso tornou-se sério, quando o atual presidente chegou à segunda volta, altura em que começou “a arquitetar a minha vinda para cá”. Nessa altura, e num espaço de um mês, foi assaltado “seis vezes” e, na última, foi “espancado”.
“Só avisei a minha família três dias antes de viajar. Eu sabia que eles não me iam dar força, mas para minha surpresa, quando lhes falei, eles reagiram bem”, referiu.

Em Portugal, à sorte que teve em arranjar emprego, teve em troca a dificuldade de adaptação à alimentação, que ainda permanece um obstáculo. Assim como “o valor das rendas”.

Habituado a uma área que, no Brasil, está bastante evoluída, Thyago também considera que, em Portugal, os serviços de beleza se pagam “muito barato” e que os consumidores “não são instados ao consumo”.

Em contrapartida, a hospitalidade das pessoas é uma característica que o brasileiro mais aprecia na comunidade onde agora está inserido. “A Trofa é um lugar calmo, bucólico, é bom para se viver, mas infelizmente tem poucos transportes públicos, o que dificulta as deslocações”, aponta.

A Trofa e o autocarro que demora a chegar

João Victor também chegou à Trofa há pouco tempo e não emigrou por causa de Bolsonaro, aliás é acérrimo apoiante do presidente brasileiro e conta que chegou a prestar-lhe “serviço como segurança”. Acredita que, sob a sua gestão, o país pode “melhorar” e tornar-se, de novo, apetecível para viver, mas enquanto isso não acontece, vai trilhando caminho por terras de Camões, em busca de “melhor educação, serviços de saúde e mais segurança”.

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Com 27 anos, concretizou um projeto “de anos”. Chegou a Lisboa, mas como não tinha “a documentação necessária para trabalhar”, aproveitou a “oportunidade” de arranjar uma residência na Trofa, onde ainda está a aprender a conviver com uma nova realidade.

“Eu pesquisei muito, mas acabei por me surpreender na mesma. O brasileiro já fez muita porcaria cá e, às vezes, as pessoas que querem fazer a vida de forma correta acabam pagando um preço que não é delas. Percebi que sofremos algum tipo de preconceito. Não posso dizer que me habituei, totalmente, a Portugal, mas estou na etapa final da minha legalização”, afirmou.

João Victor pretende, logo que tenha o “visto de residência”, visitar a família no Brasil e voltar para “procurar algo melhor” profissionalmente. Formado em direito no Brasil, João Victor tem trabalhado num espaço de restauração, enquanto não consegue cumprir toda a burocracia necessária para “obter a equivalência do diploma”.

Sobre a Trofa tem uma visão um pouco negativa. “Como muitos falam, a Trofa é como se fosse uma aldeia, quando comparada com outras zonas vizinhas, como a Póvoa e Vila Nova de Famalicão. Quando cheguei a essas cidades, tive uma impressão completamente diferente, talvez porque dependo de transportes. Às vezes quero viajar num comboio, mas para isso preciso de um autocarro, que demora a chegar e me deixa num ponto em que me obriga a fazer o resto do caminho a pé. Ainda não me conseguir adaptar à Trofa”, relatou

Por isto e outras coisas, João Victor equaciona mudar-se para outra cidade, onde também possa encontrar “um trabalho melhor”, que possibilite a continuação dos estudos.

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Edição 696

Banda de tributo aos Queen é cabeça de cartaz das festas da Senhora das Dores

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As majestosas festas em honra de Nossa Senhora das Dores iniciam-se a 3 de agosto e até do dia 20 do mesmo mês propõem um programa cultural diversificado, com novidades e tradição, onde se incluem procissões, espetáculos musicais, fogo de artifício e divertimentos. Nesta romaria, há gostos para todas as idades, graças ao empenho da comissão de festas que, este ano, está a cargo da aldeia da Esprela.

Um símbolo musical dos anos 80 dá “corpo e alma” ao cabeça do cartaz deste ano das festas Nossa Senhora das Dores. Os Remember Queen Tour, grupo musical de tributo à banda inglesa tem na voz o italiano Piero Venery, duplo de Freddy Mercury acreditado pela banda original. O espetáculo, que promete fazer soar pelo recinto das festas hits como “Love Of My Life”, “Will Rock You” ou “Bohemian Rhapsody”, acontece a 16 de agosto, a partir das 22 horas.

Mas a animação começa muito antes. A 12 de agosto, os visitantes poderão assistir ao concerto da banda 4 Mens, a partir das 22 horas. No dia seguinte, à mesma hora, atua a Orquestra Sinfónica do Ave. Daniel Pereira Cristo é o terceiro animador das Festas de Nossa Senhora das Dores, com espetáculo marcado para o dia 14 de agosto, às 22 horas.

Outra grande aposta é o fogo de artifício dos dias 17 e 18 de agosto, às 22 horas, que pode ser visto na Alameda da Estação.

Como todos os anos, o percurso da procissão em honra de Nossa Senhora das Dores vai ser igual, com saída da Igreja Matriz, passando pelas ruas Conde S. Bento e D. Pedro V, entrando no Parque junto às Alminhas, dando a volta à Capela e retomando à Igreja Matriz. Este que é um dos momentos mais simbólicos das festas está marcado para as 17 horas de 18 de agosto.

Sábado, dia 3 de agosto, a noite será dedicada ao folclore, com o FolcTrofa, da chancela do Rancho Folclórico da Trofa. O espetáculo tem início pelas 21.30 horas e conta com o grupos de Vila Franca, Guarda, Leiria e Águeda. Também no dia 11, a tarde será dedicada ao Festival Folclórico, com destaque para a participação de um grupo oriundo da Hungria.

No dia 10, pelas 21.45 horas, a procissão de velas em honra de Nossa Senhora das Dores caminha da Igreja Matriz para a Capela de Nossa Senhora das Dores.

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O Setenário em honra de Nossa Senhora das Dores acontece de 11 a 17 de agosto, às 19 horas, à exceção do primeiro dia, marcado para as 15 horas, e do dia 15, ainda sem hora definida, e do dia 17, agendado para as 8.30 horas.

A Banda de Música da Trofa atua em três dias, primeiramente na noite de 14 de agosto e depois a 17 de agosto, às 14.30 horas, acompanhada pela Banda de Música de Tarouquela, no dia 18, às 9.30 horas, juntamente com a Banda de Música de Pejão, e no dia 19, às 9.30 horas, com a companhia da Banda de Música de Lousada.

A tradicional Feira das Sementes acontece pela manhã de 19 de agosto, altura em que será celebrada a eucaristia pelos benfeitores das festas de Nossa Senhora das Dores.

O dia 20 marca o encerramento das festas com a eucaristia, às 8 horas, e os habituais cortejos, a partir das 15.30 horas.

Bar da Capela aberto todos os dias
O Bar da Capela está aberto todos os dias, no edifício da Alameda da Estação. De segunda a quinta-feira funciona das 20 às 23 horas, à sexta-feira, das 20 às 24 horas, ao sábado, das 14 às 24 horas, e ao domingo, das 9 às 23 horas.

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Festival Lavradeiras foi tiro de partida da festa da Sra das Dores

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Integrado no cartaz cultural das festas em honra de Nossa Senhora das Dores, o Festival de Foclore Lavradeiras 2019 animou a noite de 22 de junho, na concha acústica do Parque Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro.

O espetáculo organizado pelo Rancho das Lavradeiras da Trofa contou com recriações históricas, protagonizadas pelo anfitrião, que deram um colorido especial ao evento, também animado pelo Rancho Regional e Folclórico da Candosa (Tábua), Rancho Folclórico de Alcanhões (Santarém), Ronda Típica da Meadela (Viana do Castelo) e Grupo Regional de Danças e Cantares do Mondego (Coimbra).

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