Alguns guidoenses estiveram numa manifestação no Porto, contra a extinção de cerca de 2400 freguesias no País, como prevê o Livro Verde da reforma administrativa.

“Fusão das Freguesias? Não, obrigado! Guidões Sempre”. Esta foi uma das muitas mensagens que puderam ser vistas na manifestação preparada pelo “Movimento Freguesias Sempre”, no domingo, na Praça D. João I, no centro da cidade do Porto.

Munidos de tarjas com letras garrafais, alguns guidoenses estiveram entre as cerca de 3 milhares de pessoas que se manifestaram contra a “fusão” das freguesias, proposta pelo Livro Verde do Governo.

“Dentro dos meios e da divulgação que foi feita e dos condicionalismos e do apoio residual que foi feito pelos órgãos institucionais, foi o possível. Alguns amigos guidoenses prepararam-se e levaram faixas e cartazes para essa manifestação, que contou com uma boa movimentação, pois estiveram presentes muitas freguesias, nomeadamente de Vila do Conde, Matosinhos e Maia. Estamos convencidos que, no fim, o povo vencerá e o Governo recuará e serão respeitadas as legítimas expectativas das populações que não aceitam a fusão”, referiu Atanagildo Lobo, um dos habitantes de Guidões, que esteve presente no Porto.

A sugestão para que a população marcasse presença na manifestação foi feita pela CDU, na sessão extraordinária da Assembleia de Freguesia de Guidões, no entanto, Atangildo Lobo considera que esta luta deve envolver todo o concelho. “Era importante que todas as freguesias se movimentassem, agregando-se a este movimento ou criando outros movimentos. Era também fundamental transpor a própria região e criar um movimento nacional, que tivesse uma enorme corrente e que fizesse com que o Governo recuasse na sua decisão”, acrescentou.

Atanagildo Lobo referiu que a possibilidade de outras freguesias do concelho da Trofa se juntarem à reivindicação “ainda não está de uma forma clara em cima da mesa”. “Há expectativas legítimas e vontades de algumas populações do nosso concelho contra a extinção e agregação, nomeadamente a população de Santiago de Bougado, que não está de acordo com a agregação e mais cedo ou mais tarde vai manifestar-se nesse sentido. Presumo que muitos murenses também não estarão de acordo, pelo que considero que as populações da Trofa vão juntar-se a esta luta”.

Como guidoense, Atanagildo Lobo marcou também presença na Assembleia Extraordinária de Alvarelhos, na passada segunda-feira, e lamentou o facto de a população dessa freguesia concordar com o proposto no Documento Verde: “Sendo assim, praticamente já se extinguiu o mapa”. “Quando partem do princípio de que Alvarelhos se mantém e que são as outras duas freguesias (Guidões e Muro) que se vão integrar a Alvarelhos, estão a partir de um princípio errado e a querer subir a um pedestal, julgando que são mais que os outros. Não é isso que está no documento Verde. Eles não têm consciência daquilo que, efetivamente, se passa. Esta atitude que estão a tomar não sei se servirá para se enganarem a eles próprios ou aos outros”, rematou.

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