Cerca de meia centena de guidoenses participaram na manifestação contra a extinção das freguesias, que levou milhares de pessoas a Lisboa. “Relvas não, Guidões sim” foram algumas das palavras de ordem de cerca de 50 guidoenses que participaram na manifestação promovida pela ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias), no sábado, 31 de março, contra a reforma administrativa que prevê a fusão de freguesias. 

A Comissão de Luta contra a extinção da freguesia de Guidões fez “tudo o que estava ao seu alcance” para mobilizar a população, mas contra si teve o pouco tempo disponível, adiantou ao NT Atanagildo Lobo. “Foi tudo decidido em cima da hora, com uma semana de antecedência, pelo que foi complicada a mobilização. A Junta de Freguesia foi questionada sobre se iria subsidiar a viagem e só após a ANAFRE assumir esta manifestação é que o executivo entendeu colaborar, ou seja, parte da viagem foi paga pelos guidoenses participantes e a outra parte pela Junta de Freguesia”, explicou.

Não foi a mobilização que a Comissão de Luta “esperava”, mas foi a possível: “Mesmo assim foi uma prestação digna, barulhenta e entusiástica”. O autocarro com meia centena de guidoenses viajou até à capital e os manifestantes juntaram-se às cerca de 200 mil pessoas – segundo dados da ANAFRE – para defender a identidade da freguesia de Guidões.

E na caminhada, desde o Marquês de Pombal até ao Rossio, o deputado comunista Agostinho Lopes (que nasceu em Guidões), eleito pelas listas de Braga, fez questão de acompanhar o grupo trofense. Pela experiência que tem na participação de manifestações como as da CGTP, Atanagildo Lobo considerou a de sábado “muito superior ao que estava à espera” e que conseguirá “pôr o ministro Relvas a refletir”. Por isso, sublinha, “está na hora de o Governo recuar nesta matéria”, até porque “muitos dos manifestantes eram da sua cor política”. “Continuamos a acreditar que só é possível fazer a reforma administrativa com a participação dos autarcas e das populações”, frisou. 

O guidoense lamentou ainda que no grupo “não estivesse representada a Junta de Freguesia” de Guidões. “Gostaríamos, mais do que isso, que ela tivesse sido o polo aglutinador da vontades dos guidoenses. O que disse até hoje, e pelas posições que o PS tomou na Assembleia de Freguesia, é que estará do lado desta ideia, mas pensamos que os principais representantes da população deveriam ter uma participação mais ativa do que têm tido até este momento”, asseverou.

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