Os vencedores do Grande Prémio Bial nesta 12ª edição são os investigadores belgas Daniel Pipeleers, Bart Keymeulen e Zhidong Ling que apresentam um projecto de investigação inovador que poderá revolucionar o tratamento da diabetes.  

Considerada uma das principais doenças do século XXI, a diabetes tipo I é causada pela destruição maciça de células beta produtoras de insulina. Por conseguinte, todas as possibilidades de cura exigem a restauração de células beta, seja por transplantação de células doadoras ou por regeneração de células beta no pâncreas. Denominado "Tratamento da diabetes com células beta", o trabalho vencedor delineia a estratégia rumo à cura da diabetes, visando a reposição de células beta no doente diabético tipo I. 

O projecto foi desenvolvido por uma equipa multidisciplinar. Um laboratório de Biologia clínica, o Belgian Diabetes Registry e a Eurotransplant Foundation servem de centros de referência para os ensaios que estão a ser realizados. Está também em curso investigação e desenvolvimento por uma plataforma de equipas de 21 países que trabalham na programação de células para tratamento de células beta. O principal objectivo é de regenerar a produção de células de insulina em quantidades terapêuticas.  

O Prémio Bial de Medicina Clínica distinguiu um trabalho de investigação coordenado por Dr Luís Portela a discursarMaria do Céu Machado que analisa e avalia os cuidados de saúde materno-infantil prestados a imigrantes. Centrando-se nos concelhos de Amadora e Sintra (Hospital Fernando Fonseca e nove centros de saúde), o estudo visou conhecer a prevalência dos nascimentos de filhos de imigrantes nos concelhos estudados e seguir estas crianças no primeiro ano de vida; analisar as famílias quanto ao país de origem e integração; avaliar as crianças nos primeiros meses de vida quanto à morbilidade e mortalidade e a utilização dos cuidados de saúde; relacionar as características do contexto físico e social com a saúde e a doença. 

As principais conclusões deste estudo revelam que as famílias dos recém nascidos dos concelhos de Amadora e Sintra são, genericamente, mais privadas sociomaterialmente do que a população da área metropolitana de Lisboa e as dos imigrantes estão ainda em situação de maior desvantagem. A vulnerabilidade dos imigrantes revela-se nos maus resultados em saúde: maior mortalidade fetal e neonatal e mais patologia durante a gravidez, nomeadamente de doenças infecciosas. Registou-se maior mortalidade perinatal nos filhos dos imigrantes, sendo os factores de risco nos imigrantes versus portugueses: gravidez não vigiada, patologia materna e risco social.   

A edição 2004 do "Prémio Bial" distinguiu ainda quatro obras com menções honrosas, no valor de 5 mil euros cada.  
 

O júri do Prémio Bial destacou com Menção Honrosa o trabalho do norte-americano David Lyden da Universidade de Cornell, que identifica os genes envolvidos na activação, proliferação e mobilização das células germinais/progenitoras da medula óssea do adulto. Estas células são determinantes para a formação de metástases cancerígenas, principal causa de morte associada ao cancro.  

O Autismo foi outro tema premiado. De autoria das Professoras Guiomar Oliveira e Astride Vicente a obra "Autismo em Portugal – epidemiologia, investigação genética e molecular" visou conhecer a prevalência desta patologia na população portuguesa em idade escolar (Continente e Açores) e determinar a história clínica desta população. O estudo engloba também um projecto de investigação genética e molecular para identificação e caracterização de factores genéticos que medeiam a susceptibilidade para os distúrbios do espectro do autismo. 

Também distinguida com Menção Honrosa a investigação "O Doente com patologia múltipla em Medicina Geral e Familiar: comorbilidade de quatro doenças crónicas" da Professora Maria Isabel Pereira dos Santos analisou a comorbilidade (existência em simultâneo) de quatro doenças crónicas de grande prevalência na população portuguesa: a hipertensão arterial, a diabetes, a doença cardíaca isquémica e a asma. 

De Espanha chegou mais uma das investigações premiadas, sobre os benefícios da utilização do betabloqueante carvedilol em doentes internados com insuficiência cardíaca. Este trabalho é da autoria do português Manuel d'Oliveira Soares e do espanhol Tomás Datino Romaniega, ambos do Hospital Geral Universitário Gregório Marañón de Madrid. 
 

Grande Prémio Bial ascende a 150 mil euros 

O Prémio Bial compreende duas categorias: o ‘Grande Prémio Bial de Medicina', no valor de 150 mil euros, que este ano recebeu 26 candidaturas, e o ‘Prémio Bial de Medicina Clínica', no valor de 50 mil euros, que atraiu 23 candidatos. Além dos dois prémios, são entregues quatro menções honrosas no valor de 5 mil euros.  

A edição de 2006 do Prémio Bial atingiu um número recorde de candidaturas com 49 trabalhos recebidos. A Fundação Bial recebeu trabalhos de Alemanha, Bélgica, Brasil, Espanha, EUA, Holanda e Portugal. 

O júri da edição de 2006 do Prémio Bial foi presidido pelo Prof. Sobrinho Simões, Professor Catedrático de Anatomia Patológica na Faculdade de Medicina do Porto, Director do IPATIMUP e Prémio Pessoa 2002. 

Divulgado a nível internacional em diversas revistas científicas e junto de centros de investigação, universidades e embaixadas, o Prémio Bial foi instituído em 1994 pela Fundação Bial. Atribuído de dois em dois anos aos projectos que apresentem maior relevância científica na área da medicina, o Prémio Bial já atraiu 419 candidaturas, mobilizou 874 investigadores e distinguiu 173 profissionais de Saúde.  

O Prémio Bial conta com os altos patrocínios do Presidente da República, do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e da Ordem dos Médicos.