Se o seu filho, repentinamente, mostrar desinteresse pela escola ou pior desempenho escolar, ansiedade, mau humor ou agressividade, esteja atento. Ele pode estar a ser vítima de bullying. Esta forma de agressão física e verbal é praticada nas escolas e pode ter graves consequências psicológicas a quem sofre. Este foi o alerta deixado pelos militares da secção Escola Segura do Destacamento Territorial de Santo Tirso, numa alção de sensibilização realizada na Loja Social, na tarde de quarta-feira.
Na iniciativa, os militares indicaram ainda como outros sintomas das vítimas de bullying “tristeza sem explicação aparente”, “dificuldades de relacionamento com os outros” e “reclamações constantes sobre a perda ou dano de objetos pessoais”.
As agressões, que podem ser físicas (empurrões, murros, carolos, espancamento ou ameaças com armas) ou verbais (insultos e acusações sistemáticas), podem levar a que a vítima opte pelo isolamento social. Inclusive, pela vulnerabilidade causada pela violência a que foi sujeito, vir a ser alvo de bullying no trabalho. “Poderão crescer sentimentos negativos, como baixa autoestimas tornando-se adultos com sérios problemas de relacionamento”, explicaram os militares.
Noutros casos, poderão mesmo “assumir um comportamento agressivo” ou, de forma extrema, “não suportar os traumas sofridos na escola”. Os militares referiram que, anualmente, “16 pessoas suicidam-se por não aguentarem os atos de violência” a que são sujeitos.
Outra forma de agressão utilizada é feita através da internet e, mais recorrentemente, das redes sociais. Os agressores criam páginas falsas da vítima e publicam fotografias.
O agressor, na maior parte das vezes, é movido pela “forte necessidade de controlar ou dominar a escola” e tem “um comportamento impulsivo”, usando a força para resolver os problemas. É, por isso, importante que os encarregados de educação também estejam atentos a estes sinais.
A conduta dos agressores pode explicar-se pelo seio familiar em que vivem, pois é habitual serem vítimas ou testemunhas de violência doméstica. Isto leva a que, socialmente, sejam “antipáticos, arrogantes e desagradáveis” e apresentem “dificuldade em interiorizar e cumprir as regras”.
No futuro, também eles podem ter consequências, como adotar um “comportamento antissocial”, “atitudes agressivas” e também praticar “violência” no seio familiar. “Estudos realizados em diversos países sinalizam a possibilidade de autores envolverem-se em atos de delinquência ou criminosos”, acrescentaram os militares.
A GNR deixou também o alerta para as testemunhas do bullying: “Nunca participem com gargalhadas aos atos de violência e não sejam indiferentes ao sofrimento. Alertem a direção da escola”.
Para quem não se quer identificar, há a opção de denunciar através do número de telefone 808 968 888, de segunda a sexta-feira, das 11 às 12.30 horas e das 18 às 20 horas.