Girassóis com mais de três metros de altura e dezenas de flores são o orgulho de Laurinda Coutinho. Plantas fazem parte do seu jardim e a mulher nem sabe o que fazer a tantas flores.

“Quer tomar um cafézinho?”, perguntou-me a menina do outro lado do balcão da Residencial Coutinho. “Não, obrigado, não bebo café”, respondi. “Um suminho, uma água?”, insiste, amável. Mas o que eu queria mesmo era descobrir o tesouro dourado que se escondia nas traseiras do edifício. Quer dizer, “esconder” não será o verbo mais correto…

No terreno tapado pelo edifício, existe um espaço ocupado com girassóis. “Devem ser uns 20 pés”, explica Laurinda Coutinho, proprietária do espaço. Com ou sem exagero, a simpática senhora fala num total de “mil flores”.

Entre estes pés de girassóis está o motivo da minha visita. Uma destas plantas ronda os “três metros e meio de altura” e deu, nada mais nada menos, do que “48 flores”, que neste momento já começam a murchar. Um outro pé, sensivelmente com a mesma altura, “tem umas 50 flores”.

Mas, o que é que faz com tantas flores? “Faço alguns arranjos para colocar nas minhas jarras e ofereço às vizinhas. Quando me pedem uma flor, eu dou logo aos ramos”. O que sobrar “é para os pássaros comerem”. “Podia fazer óleo de girassol, mas não tenho tempo”, acrescentou.

Esta não é a primeira vez que a mãe Natureza é generosa com os girassóis de Laurinda Coutinho: “É a terceira vez que nascem com esta altura”. O segredo “é água e adubo”.

Laurinda Coutinho começou a trabalhar aos dez anos na residencial que agora é sua. Com 67 anos, não esconde que o que mais adora “são flores”, incapaz de identificar as preferidas. Este ano teve sorte com os girassóis, mas azar com as “alegrias” (pequenas flores que existem em várias cores e comuns nos jardins da região). “Houve um dia que estava muito calor e eu esqueci-me de regar os vasos, à noite. Na manhã seguinte, estavam todas ‘comidas’ pelo sol”, lamentou, para logo acrescentar “ainda vai chegar a altura das alegrias de inverno”.

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