Este ano letivo, a FAPTROFA é responsável pela gestão das refeições nas escolas básicas do concelho. O projeto foi bem recebido pela autarquia, agrupamentos e encarregados de educação.

Até agora, a maior parte das cantinas das escolas básicas do concelho da Trofa eram geridas por uma empresa de catering. Mas este ano letivo arrancou com um novo projeto sob a tutela da Federação de Associações de Pais da Trofa (FAPTROFA): o “Gestão Positiva” foi o nome escolhido para esta medida que parece ter sido bem recebida pelos pais dos alunos e pelos agrupamentos de escolas.

Com este projeto, a FAPTROFA responsabiliza-se pela gestão das refeições que as escolas servem aos alunos durante a semana. Todos os estabelecimentos estão sob a alçada da federação que colocou sete cozinhas a confecionar duas mil refeições por dia, garantindo o seu transporte para os restantes refeitórios das escolas do concelho.

Esta medida visa reduzir despesas e garantir qualidade nas refeições disponibilizadas aos alunos. Segundo José Maria Oliveira, presidente da FAPTROFA, “com o aumento do IVA, o serviço de catering começava a ser incomportável”, pelo que, desta maneira, este imposto intermédio “não afeta diretamente”. “O preço da refeição não aumenta na mesma proporcionalidade, porque não a adquirimos já confecionada”, explicou.

A isto José Maria Oliveira chama de “gestão equilibrada”, que também é sustentada pela manutenção de postos de trabalho dos colaboradores da empresa de catering, que até agora prestou serviço às escolas. “Tivemos o cuidado que as pessoas ficassem todas a trabalhar neste projeto, mesmo tendo racionalizado algumas cozinhas, como no caso do Agrupamento de Escolas do Castro. Como tinha um número de refeições muito reduzido tivemos que passá-lo a refeitório e passamos as pessoas para outras cozinhas e não ficamos com ninguém no desemprego”, referiu.

O “Gestão Positiva” tem outro ponto forte, a dinamização do comércio local, já que, segundo o presidente da federação, na lista de fornecedores foi dada “prioridade” aos que são do concelho. Mas a escolha foi feita de acordo com “as recomendações da nutricionista” da Câmara Municipal da Trofa, que tem a responsabilidade de supervisionar a qualidade das refeições.

A FAPTROFA assegura o transporte das refeições para o Agrupamento Vertical de Escolas do Castro e do Coronado e Covelas. Já a autarquia garante transporte das refeições que vão para os estabelecimentos do Agrupamento da Trofa, à exceção da EB1 de Finzes, que faz o transporte individualmente.

“O modelo já existia com a gestão própria de cada associação, pelo que não achamos que era o modelo correto, porque todos juntos somos mais fortes do que uns para cada lado”, postulou.

Não há reclamações”

O projeto foi bem recebido por agrupamentos de escolas e encarregados de educação. Sofia Loureiro tem um filho a estudar e já notou uma “alteração, para melhor, nas ementas”. “Tem mais legumes e saladas mais diversificadas. Acho que apostaram em grande na qualidade, escolhendo o comércio local. Estou satisfeita, porque sei que o meu filho tem uma alimentação saudável não só em casa como na escola”, frisou.

Já Rosa Rego, sub-diretora do Agrupamento de Escolas do Castro, garante que “ainda não houve qualquer reclamação por parte dos pais”. A docente garante que “há boas referências” do serviço, pois “as refeições são servidas com qualidade e em quantidade suficiente”.

Para José Maria Oliveira o apoio dos agrupamentos tem sido imprescindível para o bom funcionamento do projeto. “Têm sido muito sensíveis a esta situação, pelo que nos cedem pessoas que não estão propriamente ao serviço das refeições para ajudar a servi-las”.

Rosa Rego confirmou a preocupação do Agrupamento em “fazer os horários dos colaboradores de maneira a que na hora de almoço esteja o maior número de pessoas para ajudar”.

Para a docente, é importante “o apoio da nutricionista” na “elaboração das ementas” e na “supervisão das cantinas”. “É premente que as refeições sejam diversificadas, que os alunos aprendam a ter no prato não aquilo que eles gostam, mas o que é saudável”.

A Câmara Municipal também viu com bons olhos este projeto. Teresa Fernandes, vereadora da Educação, salientou o objetivo de “aumentar a qualidade do serviço e diminuir os custos”, acrescentando que estas “são as ideias-base que garantem mais versatilidade na oferta das refeições”.

O “Gestão Positiva” também vai ajudar a detetar os alunos oriundos de famílias carenciadas que, por vezes, não conseguem ter refeições.

Com as dificuldades que surgiram com a crise financeira, Rosa Rego assegurou que o Agrupamento está “atento” e vai “tomar medidas” nos casos em que houver crianças com problemas. “Este trabalho passa também pelas associações de pais, que estão mais próximos dos encarregados de educação. Mesmo assim, temos o feedback por parte dos professores e coordenadores de turma, que também nos alertam e, caso seja necessário, recorreremos à FAPTROFA”, frisou.

Teresa Fernandes garantiu que houve um “acréscimo de alunos que têm refeições nas escolas”, pelo que está em equação disponibilizar o jantar nas cantinas. E se for necessário, a autarquia também está disponível a aumentar o valor do subsídio à FAPTROFA, que este ano letivo “não sofreu alteração”.

O presidente da federação assegurou que não foi necessário o aumento do subsídio, já que o importante é “saber gerir” os recursos. Mesmo assim, a FAPTROFA custeou os livros escolares que foram oferecidos a todas as crianças das escolas básicas.

Para a vereadora da Educação, este é o “sinal do bom trabalho e de uma boa parceria” entre a autarquia e federação. “Estamos dispostos a ajudar em tudo o que for preciso, porque através deles ajudamos as associações e, por conseguinte, os alunos e os pais e a FAP sabem que têm na Câmara Municipal um parceiro importante”, sublinhou.

Também fruto das “boas relações”, a autarquia cedeu mais um espaço à federação, que será utilizado para “guardar equipamentos suplentes”.

Difícil é mesmo encontrar pessoas que estejam em condições de colaborar com a FAPTROFA através de contrato emprego-inserção “São cada vez menos, porque umas não estão em situação de fundo de desemprego, outras porque preferem ter formação profissional e outras até que preferem não fazer nada e receber só o subsídio de desemprego”, concluiu José Maria Oliveira.

 

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