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Foi com vestes a rigor, danças da época e militares do exército português que se comemorou, este fim-de-semana o Bicentenário das Invasões Francesas. Várias horas de recreação histórica de alguns dos momentos vividos e das lutas entre bougadenses e tropas francesas atraíram ao Souto de Bairros, à Barca da Trofa e Casa da Cultura centenas de trofenses.

 

Nada fazia prever que um pequeno grupo de camponeses (Companhia de Ordenanças de Santiago de Bougado) com apenas dois pequenos canhões conseguisse travar o exército mais poderoso do mundo, o Exército Francês. Mas é assim que reza a história de há 200 anos e o povo pertencia à Trofa.

Este fim-de-semana foram recriadas todas as histórias com vestes a rigor, danças da época e até o Exército Português esteve presente na Trofa para as comemorações do Bicentenário das Invasões Francesas.

A população da Barca, na Trofa combateram desde este domingo de manhã as tropas napoleónicas, lideradas pelo general Soult que tentavam fazer a travessia do rio Ave.

A batalha para o lado dos franceses não estava a correr muito bem, no entanto o general francês mantinha o seu porte altivo. “Teria de ser delicado se dissesse que a batalha esta a correr bem pois que há uns certos arruaceiros que são desta terra e que nos estão combatendo deste lado do rio, para o outro lado onde estão as tropas combateram-nos ferozmente com duas peças de artilharia e dois canhões, mas acabaram por se esgotar e já estamos do lado de cá”, afirmou o general.

Mas os soldados franceses mantiveram-se sempre alerta: “estamos com as devidas cautelas para que esses homens de Bougado não façam das suas e com certeza não seremos de maneira nenhuma perturbados na nossa tranquilidade e no nosso descanso para amanhã”.

Do outro lado da batalha, os bougandenses sentiam-se expectantes e com vontade de vencer as tropas francesas. “Nos vamos atacá-los entretanto e julgo que primeiro vamos defender e de seguida atacaremos. A batalha vai ser nossa, nós vamos ser os vencedores”, dizia Fernando Monteiro, presidente do Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado e figurante na evocação das invasões.

João Maia, capitão das milícias veio à Trofa “dar treino de armas” aos camponeses que se mostraram dispostos a vencer as tropas de Napoleão: “estes homens estão a portar-se muito bem. Estão muito aguerridos, vamos conseguir aguentar e os franceses não vão passar. É difícil mas nós vamos conseguir, tenho a certeza”.

A primeira baixa dos militares franceses foi António Barbosa atingido na perna, num braço e na cabeça: “os portugueses deram-me na perna com uma catana, estou aqui que nem posso. Acertaram-me no braço e na cabeça, ai que eu estou mal. Fui atacado ali numa casa, nos fomos lá para ver se eles tinham batatas e outras coisas porque estamos cheios de fome. Lá os camponeses voltaram-se contra nós, mas eles vão ter o que merecem, os meus irmãos vão dar-lhes um castigo”.

À cerimonia militar de homenagem aos que em 1809 perderam a vida para tentar defender a sua terra e o seu país, seguiram-se horas de recreação histórica de alguns dos momentos vividos e das lutas entre bougadenses e tropas francesas.

Já ao final da manhã e depois da marcha das tropas francesas sobre a Lagoa, a comitiva parou para assistir na casa da Cultura às explicações de como decorreram as invasões.

Daí até Bairros, à casa onde pernoitou o Duque de Dalmacia, houve ainda tempo para na Ponte da Corredoura se assistir a mais um encenação protagonizada por alunos das escolas e população em geral, de mais uma fuga dos residentes às tropas do General Soult.

Invasoes Francesas

A tarde no Souto de Bairros foi de lutas e de reviver os momentos históricos e as cerimónias evocativas do Bicentenário só terminaram com o concerto pela Banda Militar do Porto.

A contribuição das gentes da Trofa para a defesa do território nacional ocorreu em finais de Março de 1809, impedindo a progressão de uma das três colunas em que tinha sido dividido o contingente militar francês que avançava de Braga para o Porto.

A valentia da população local atrasou por algumas horas a progressão dos invasores, que, depois de conseguirem atravessar o rio numa ponte a montante, acabaram por acampar na Trofa, em Lantemil e no Souto de Bairros.

Um monumento de homenagem, erguido em 1999 pela Junta de Freguesia de Santiago de Bougado, lembra os 10 “heróicos bougadenses” que morreram nos confrontos com os franceses.

Os militares invasores chegaram à zona da Trofa a 23 de Março e, segundo as memórias do general Soult, saíram apenas quatro dias depois, existindo registos de que, a 28 de Março, estavam muito perto do Porto.

 

 

Vereador da Cultura satisfeito com adesão dos trofenses

 

“Tivemos uma adesão que foi fantástica, quer do ponto de vista das pessoas que participaram como figurantes nos diversos quadros que foram produzidos nos três locais”, afirmou António Pontes, vereador da Cultura da Câmara Municipal da Trofa, depois de um fim-de-semana de recreações históricas.

De acordo com António Pontes esta iniciativa da comemoração do Bicentenário das Invasões Francesas tinha dois objectivos: “um tinha a ver sobretudo com a parte recreativa e com a envolvência que queríamos obter por parte da população do nosso concelho e sobretudo aqui da área da cidade” e o outro “que era o objectivo cultural e na medida em que ficássemos a saber mais sobre aquilo que aconteceu aquando das invasões francesas, sobretudo a segunda invasão francesa que foi essa que passou pelas terras da Trofa”.

Os objectivos foram cumpridos e António Pontes estava satisfeito com a adesão dos trofenses às iniciativas.

“Tivemos cerca de 150 pessoas envolvidas nestas iniciativas e a trabalhar como figurantes, apoiando na logística, no fundo envolvendo-se de uma forma muito directa nesta evocação. Isto é um número que tem muito significado, porque prova que as pessoas perceberam a importância da evocação do bicentenário e portanto aderiram, numa situação que sabemos que não é fácil, porque tiveram que vestir uma determinada roupa usada há 200 anos atrás e desempenhar determinados papéis”, explicou o vereador.

António Pontes lembrou ainda a participação das associações do concelho e a participação do Exército Português. “Foram pessoas ligadas às associações do concelho, associações de pais das escolas. E queria deixar também uma palavra de agradecimento e reconhecimento ao Exército Português, porque o exército foi um esteio fundamental nesta evocação. Trouxeram prestígio à iniciativa, dignificaram esta iniciativa e no fundo em conjunto com a Câmara Municipal da Trofa fomos capazes de montar uma operação com várias áreas espaciais e que acabou por resultar muito bem”, concluiu orgulhoso com o sucesso da iniciativa.