Diz o provérbio que se em terra entra a gaivota é porque o mar a enxota. Neste caso, o destino quis que entrasse nesta família, que, agora, já não sabe o que é viver sem ela.

Depois de ver que o animal tinha sido atropelado por um camião, junto ao campo de futebol de Nogueira da Maia, a filha de Maria Lúcia Silva não conseguiu seguir o seu caminho indiferente, por isso, resgatou-o e levou-o para casa, em S. Mamede do Coronado.

Com a família, cuidou do bicho, que hoje, passados seis anos e apesar das limitações físicas, é a figura mais notada na casa desta família, não fosse o, agora, animal de estimação uma gaivota.

A matriarca Maria Lúcia Silva é quem mais lida com a gaivota, que a acompanha para todo o lado, em casa. Em entrevista ao NT e à TrofaTv, contou o dia em que o animal foi trazido para casa, “todo ensanguentado” e com “uma asa presa por uma pena”.

Depois do período de convalescença, a família ficou com dúvidas sobre que futuro dar àquela gaivota: “Tentamos levá-la ao mar, mas como ela não voa, tivemos medo que algum cão pudesse atacá-la. E como os jardins zoológicos, dificilmente, a aceitariam, ela acabou por ficar por aqui”, contou.

A gaivota, que não tem nome porque a família nunca esperou que “durasse tanto tempo”, anda à solta pela casa e “come de tudo”, desde os “cereais do cão” aos “restos de comida”. Convive com os cães e, às vezes, até partilha as funções de vigilante e as emoções ao ver chegar a matriarca regressar a casa, depois do dia de trabalho.

“Quando eu estou a chegar faz-me muita festa, começa a fazer barulho”, conta Maria Lúcia, que explica o espírito fraterno com os seres irracionais com as raízes moçambicanas. “Fui criada no meio dos animais, por isso tenho paciência e gosto de cuidar deles”, revelou, enquanto acaricia um pequeno pássaro que ajudou, quando este apareceu no chão de casa sem conseguir voar nem mexer as patas.