Centro de Saúde de S. Romão do Coronado abriu o Gabinete de Apoio ao Cuidador Informal, um projeto pioneiro no País.

 Cuidar de quem cuida. Esta é a essência do Gabinete de Apoio ao Cuidador Informal, um projeto pioneiro em Portugal que a Universidade de Aveiro (UA) implementou no Centro de Saúde de S. Romão do Coronado através do trabalho de doutoramento de duas enfermeiras, que foi apresentado oficialmente no dia 7 de fevereiro.

A Unidade de Saúde Familiar “Ao Encontro da Saúde” – epíteto do Centro de Saúde romanense – abriu as portas aos investigadores que quiseram verificar a hipótese já confirmada internacionalmente sobre “o agravamento dos problemas que os cuidadores informais”, aqueles que cuidam de idosos dependentes, “vivenciam nessa experiência”.

Dayse Souza, coordenadora do projeto da UA, lançou “o repto” às enfermeiras, e doutorandas, do centro de saúde.

 A investigação feita no terreno por Susana Freitas e Sílvia Torres foi ao encontro dos estudos académicos que apontam para a necessidade de apoiar aqueles que tratam dos seniores. Dos 88 cuidadores questionados, 41,5 por cento afirmaram que muitas vezes a tarefa de prestação de cuidados tem um efeito negativo no seu bem-estar emocional. A percentagem eleva-se para 47,5 quando se questiona efeitos negativos na saúde física do cuidador. “Estes cuidadores referiram sentir diversas necessidades, como o apoio ao nível da formação, que desenvolvemos durante um ano, na qual abordamos vários temas. Aí, pediram-nos apoio acerca da alimentação, higiene e posicionamentos. Também fizemos técnicas de relaxamento, devido às diferentes emoções que eles sentiam. Muitos deles sentiam-se stressados e não conseguiam resolver alguns conflitos, tanto como cuidador como pessoa”, explicou Sílvia Torres, que está a desenvolver uma tese de doutoramento que se baseia nas emoções do cuidador. A de Susana Freitas está focada nas necessidades do cuidador informal.

Antes de ser apresentado oficialmente, o projeto passou por várias etapas, desde a investigação, passando pela formação e intervenção no terreno, a última através da visitação domiciliária, agendada com o cuidador ou feita de surpresa.

O projeto foi financiado pela Fundação de Ciência e Tecnologia, mas para prosseguir necessita das entidades locais, como “a Câmara Municipal, a Santa Casa da Misericórdia e as juntas de freguesia”. Segundo Sílvia Torres, já houve feedback positivo de “algumas” que “revelaram que vão apoiar e articular com a equipa a resposta às necessidades do cuidador informal em tempo útil”.

S. Romão do Coronado foi o ponto de partida para o desenvolvimento deste projeto único no País. A UA quer alargá-lo a mais unidades de saúde familiar e já mantém contactos com “a Universidade dos Açores” que “está interessada em desenvolver estudos de investigação nalguns centros de saúde”, principalmente na ilha de S. Miguel.

Para já, o gabinete só funciona no Centro de Saúde de S. Romão, que atua junto dessa comunidade e da das freguesias de S. Mamede, de Covelas e de Folgosa da Maia.

Sílvia Torres fez ainda um apelo aos cuidadores informais que tenham idosos inscritos naquele centro de saúde: “Podem dirigir-se à Unidade de Saúde Familiar e solicitar a nossa ajuda. É muito importante até para identificar esse idoso, pois há muitos que ainda não estão sinalizados”.

As responsáveis pelo Gabinete estão a preparar um site onde os cuidadores informais podem encontrar informação útil e partilhar experiências. Em setembro, a Universidade de Aveiro vai promover o primeiro congresso ibero-americano sobre o tema do projeto.