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Edição 770

Folha Liberal: Salários (Parte 2)

“Existem diversas formas de medir o valor do dinheiro. O que proponho hoje é que façamos essa medida em tempo”. Crónica de Diamantino Costa.

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Existem diversas formas de medir o valor do dinheiro.
O que proponho hoje é que façamos essa medida em tempo. Quanto tempo temos que trabalhar para comprar um determinado produto ou serviço, e quanto tempo temos que trabalhar para pagar impostos.
Usemos para isso o caso do João, um jovem de 25 anos solteiro terminou o mestrado e começou a trabalhar. Tem como objetivo comprar um carro novo.
Os seus pais, como forma de ajudar nesta fase da sua vida decidiram que ele não teria que gastar dinheiro nenhum até comprar e pagar o carro. Todas as despesas seriam por conta deles
O orçamento para a viatura é de 33.409, 46€.
O João recebe os subsídios de férias e de Natal em duodécimos.
Com um salário bruto de 1.500,00€ por mês, multiplicado por 14 meses dá um valor anual de 21.000,00€. Retirado o valor do IRS (3.530,37€) e da Segurança Social (2.310,00€) fica com um salário líquido anual de 15.159,63€ o que equivale a 1.263,30€ por mês.
Se dividirmos o valor do carro (33.409,46€) pelo salário líquido mensal (1.263,30€) vemos que o João terá que trabalhar um pouco mais que 26 meses para pagar o carro.
Mas, destes 26 meses de trabalho, quantos são para pagar o carro e quantos são para pagar impostos e taxas?
Para medirmos isso, temos que acrescentar ao salário bruto do João os encargos da entidade patronal com a Segurança Social (21.000,00X23.75%) o que perfaz 4.987,50€.
O João ficaria com um salário de anual de 25.987,50€ o que dividido por 12 meses seriam 2.165,63€
Acresce que o valor do carro que o João quer comprar também tem impostos. Neste caso 8.598,08€ (2.347.58€ de ISV, 3,20€ de EVP e 6.247,30€ de IVA). O valor do carro (sem impostos) passa então a ser 24.811,38€.
Se dividirmos o valor do veículo sem impostos (24.811,38€) pelo valor que o João receberia mensalmente sem impostos (2.165.63€) vemos que o João pagaria o carro em cerca de 11 meses e meio.
Resumindo, para pagar o carro, o João tem que trabalhar cerca de 11 meses e meio. Para pagar o carro e os impostos, tem que trabalhar mais de 26 meses.
Afinal são os salários que são baixos ou são os impostos e taxas que são, insanamente, altos?
Este é apenas mais um exemplo que retrata bem o peso dos impostos na economia, na vida das pessoas e nos orçamentos das famílias.
Se, pelo menos, tivéssemos uma contrapartida decente…

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Edição 770

Escrita com Norte – Ida à praia

Como não havia mais ninguém na praia para impressionar, em vez de entrar na água de mergulho directo, molho os pés, as pernas, os braços e depois sim, deixo-me “desmaiar” para dentro do mar.

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Ajusto novamente o despertador para as sete horas. Como sempre, a ideia é acordar cedo para aproveitar a melhor parte da praia, a manhã.
Mal pouso o despertador na mesinha de cabeceira, ouço um respirar arrastado e profundo. Ao pensamento de que a Cristina já estaria a dormir, precisava de confirmação.

– Morzinho? …Morzinho?…Estás a dormir? – pergunto, quase em segredo.

– Humnhhmmnhhhrrrrrrhh. – responde a Cristina a uma pergunta que não ouviu e não sabe que respondeu.
Este som/resposta, que se assemelha a um grunhido, é a certeza de que se a casa vier a baixo, ela não acorda.
Levanto-me e num instante saio de casa. Aproveito o abrigo natural da noite e em todas as ruas da Trofa com lojas de decoração, lojas de sapatos e hortos, coloco uma placa a dizer, “Rua em obras, trânsito proibido. Volte daqui a três meses”.
No final, regresso a casa e já na cama, pergunto:

– Morzinho? …Morzinho?…A casa está a arder!

– Humnhhmmnhhhrrrrrrhh. – responde.
Suspiro de alívio e deixo-me adormecer!

Uns raios de luz a entrarem pela janela entreaberta, abrem-me as pálpebras – “Já é dia!” – pensei. Olho com mais atenção e vejo a Cristina.

– Olá, bom dia! Hoje vamos cedinho para a praia. – diz-me ela.

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– Boa… – e sem me deixar acabar de falar, continua:

– Só tenho uma listinha pequeninha de alguns sítios para irmos antes…fica tudo a caminho.
Depois de arranjados e o pequeno-almoço tomado, ao irmos para o carro, a Cristina comunica-me os “antros de vício” onde quer ir antes de irmos para a praia.
Em todas as direcções que tomámos, à entrada de cada rua havia uma PLACA a indicar “Rua em obras, trânsito proibido. Volte daqui a três meses.”.

– É impressionante, nunca fazem nada, chega o Verão e é obras por todos os lados! – exclama a Cristina.

– É, é! Tens toda a razão! Logo hoje que eu queria ver uns lírios no horto! – respondo.
Sem alternativas, devido às “obras” na minha terra, seguimos para a praia.

Às nove horas e trinta minutos, já temos os pés na areia e eu pronto para instalar o pára-vento. Espeto o primeiro pau, depois o segundo, tendo em conta a direcção e velocidade do vento e depois…e depois sou interrompido!

– Esse pau…não é melhor ficar colocado um bocadinho mais abaixo? – pergunta a minha senhora.

– Não!

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– É, é.
Desenterro o segundo pau e coloco-o um pouco mais abaixo, segundo indicações da Cristina.

– Aqui? – pergunto.

– Não sei! Põe onde quiseres!
Estava com vontade era de ir à água. Mal espeto o último pau do pára-vento, tiro a t-shirt e desato a correr para a água. Como não havia mais ninguém na praia para impressionar, em vez de entrar na água de mergulho directo, molho os pés, as pernas, os braços e depois sim, deixo-me “desmaiar” para dentro do mar.
Quando regresso ao areal, a Cristina ainda está vestida e de pé!

– Esqueceste-te de colocar o guarda-sol! – diz-me.
Entretanto tinha chegado um casal novo, que se estava a instalar um pouco mais acima, ele a montar uma tenda e ela sentada…e caladinha!

– Está bem, assim? – pergunto, relativamente à colocação do guarda-sol.

– Humnhhmmnhhhrrrrrrhh.
Deitei-me na toalha a apreciar o jovem casal. A tenda que ele estava a montar parecia uma vivenda e ela, sentada e sossegadinha, mantinha-se calada, certamente orgulhosa do namorado, que monta tendas complexas!
Estava eu embevecido com aquela imagem romântica, quando o rapaz anuncia:

– Minha querida, a tenda está pronta!
A rapariga, de aspecto doce, levanta-se e:

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– Achas que tem algum jeito? Para fazeres isso tinha montado eu!
Passaram o resto da manhã à volta da tenda!!!
Quando olho para a esquerda está a chegar um senhor, com a sua esposa e filha. Pousam as tralhas e, enquanto o senhor instala dois pára-ventos e dois guarda-sóis, as mulheres vão molhar os pés e quando chegam, repara a esposa:

– Oh, Carlos! Achas que isto está bem? Muda esse guarda-sol para aquele lado!

– Está bem! – responde o chefe de família, resignado e adaptado à realidade.

Na minha toalha, com um sorriso, sento-me virado para o mar.

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Edição 770

São Pantaleão, padroeiro do Porto durante cinco séculos

Existe, na freguesia do Muro, uma capela dedicada ao mártir S. Pantaleão.

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Tendo estudado Medicina, Pantaleão tornou-se médico pessoal de César Galério. Converteu-se ao Cristianismo,vindo a ser acusado pelo imperador por ter recebido o baptismo. Preso e torturado, foi martirizado por decapitação, por se recusar a abjurar de sua fé em Nicomédia, na Ásia Menor, no ano de 303. Tinha então menos…

 

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