Chegamos ao recinto de Coura para ver os Dawes tocarem no palco secundário e assim abrirem as hostilidades do terceiro dia de concertos. A banda da California dos irmãos Taylor e Griffin Goldsmith, e de Wylie Gelber e Tay Strathairn não tinha muito público a escutá-los. A hora não convidava ainda para abandonar as margens do Taboão e a banda norte-americana não é propriamente conhecida do público português.

Pouco depois as atenções desviaram-se para o palco principal onde os “putos” Killimanjaro prometeram dar um concerto memorável. Este trio de Barcelos, com pouco mais de três anos de existência, produz rock competente e energético, que entusiasmou os que cedo chegaram ao recinto. Uma banda que apesar de tenra idade, promete voar alto.

De regresso ao palco secundário fomos ver os Buke and Gase, duo de Brooklyn conhecido pelo uso de instrumentos caseiros feitos à mão. Com recuros a guitarras, pandeireta e bombo, Arone Dyer e Aron Sanchez atuaram o tempo todo sentados e conseguiram sem grandes aparatos ou cenários conquistar o público que os viu e ouviu, provando que a música pode agradar sem ser pelo seu lado de puro espetáculo visual.

O anfiteatro de Coura estava nessa altura de final da tarde meio letárgico, como que à espera para ver o que ia acontecer. E os senhores que se seguiam, os Portugueses Linda Martini, estavam à espera de maior entrega por parte do público. Ao fim fas primeiras músicas, o baterista Hélio Morais não conteve mais a honestidade e disse: “estávamos com as expectativas em alta”, acrescentando: “vocês estão bué parados”. Hélio, com uma t-shirt que diz “I love Vayorken” (referência a Capicua) afirma que já viu o público de Coura reagir bem melhor e incita a uma maior agitação. A provocação surtiu efeito e o que fica para a história é um crescendo de crowdsurfing e entusiasmo entre o público, enquanto os Portugueses tocaram temas como Belarmino, Pirâmica, Panteão, e Ratos. No final, uma invasão de palco com o tema que fechou o concerto, 100 Metros Sereia.

O concerto de Linda Martini acabou e no secundário começavam a tocar os londrinos Yuck que mudaram de vocalista na passagem para o segundo álbum. Com uma legião de fãs fiéis, os ingleses continuam a tentar encontrar a sua harmonia, mas mesmo assim não desiludiram o público nortenho nesta passagem por Coura para mostrar o seu indie rock.

Conor Oberst, o song writer americano mais conhecido pelo seu trabalho nos Bright Eyes, estreou-se ontem à noite em Portugal. Perante um público muito pouco conhecedor das suas músicas, Conor muito simpático e conversador, tentou estimular o público. “Não sei como, já toquei 50 vezes em todos os países da Europa e nunca cá tinha vindo” contou Conor, que mais tarde afirmaria ter vontade de voltar. Acompanhado de Dawes (o quarteto que tocara horas antes no palco secundário) Conor tocou e cantou temas como Zigzagging Towards The Light, Enola Gay, Hundreds of Days, The Calendar Hung Itself, There’s Nothing That The Road Cannot Heal e Lover I Don’t Have To Love. Momento curioso do concerto aconteceu quando Conor dedicou uma música a duas amigas portuguesas donas de um bar em Manhattan, Old Soul Song (For the New World Order).

Enquanto o ambiente musical se mantinha morno no palco principal de Coura, no secundário, Perfect Pussy, provocavam tempestades, chegando a assustar muitos com o seu punk, noise e hardcore e a postura brutalmente honesta de Meredith Graves, a vocalista. Adolfo Luxuria Caníbal na primeira fila foi um dos valentes que se manteve a assistir ao concerto, mais uma vez marcado pela imensa atividade de crowdsurfing.

Seguiram-se no palco principal os norte-americanos Black Lips, com guitarras, baixo, bateria e saxofone (pontual) para destilar garage rock com mescla de punk. Ouviram-se Dirty Hands, O Katrina!, Hippie, Hippie, Hoorah (Jacques Dutronc) e Bad Kids (a fechar). Bastante competentes e com enorme entrega em palco, a banda apresenta-se descontraída e com um ar de “I don’t care” que lhes assenta bem. O crowdsurfing e a gitação das primeiras filas não pararam, não dando uma vez mais descanso aos seguranças. No entanto, a maior parte do público nunca saiu do estado morno nas reações.

O fecho das hostilidades no palco principal coube aos Cut Copy de Dan Whitford. Os australianos, que variam entre o pop rock e o eletrónico, ganharam no recurso às guitarras para aguentar o púbico que àquela hora enchia o recinto. Entre músicas com forte recurso às guitarras e temas de pista de dança, ouviram-se em Coura temas como We Are Explorers , Take Me Over, Take Me Higher, Hearts on Fire, Saturdays, Need You Now, Meet Me In a House of Love, Lights and Music, Free Your Mind, Where I’m Going, So Haunted, Feel the Love, Out There on the Ice, Let Me Show You Love.

Os mais resistentes continuaram a festa no palco Vodafone FM com Cheatahs e o DJ Set de Fort Romeau.

O Festival Vodafone Paredes de Coura edição 2014 encerrra hoje à noite.

Texto: Joana Vaz Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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