Festival para Gente Sentada celebrou a sua décima primeira edição adotando um formato inovador com muitas e variadas propostas. Ocorrendo nos dias 18 e 19 de Setembro, o Festival mudou-se para Braga, com os 16 concertos do cartaz distribuídos por vários espaços como o Theatro Circo e o GNRation e ainda ruas do centro da cidade.

Os concertos inaugurais ocorreram precisamente no exterior ainda durante a tarde de 6.ª feira, dia 18, com Box to Box, numa fusão de influências eruditas e jazzísticas, Benjamim, com um concerto muito intimista, e Serushio.

Na primeira noite do Festival para Gente Sentada, os concertos na lindíssima sala do Theatro Circo inauguram-se com a atuação subtil e repleta de criatividade do compositor e multi-instrumentista Bruno Pernadas. Acompanhado de muitos músicos em palco, que se espalhavam por entre percussão, sopros, guitarras e teclados, Pernadas dedicou-se à apresentação do álbum How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge. Em palco, os artistas experimentaram alguns prolongamentos dos temas apresentados o que fez com que o reclamado encore se tenha tornado impossível dado o avançar da hora.

Seguiu-se uma atuação repleta de sensualidade da libanesa Yasmine Hamdan, nesta ocasião acompanhada de guitarrista, baterista e teclista. Vestida de negro e apresentando-se descalça, Yasmine foi muito comunicativa com o público, contando as histórias das músicas – ao falar em inglês com o público, encurtou de certa forma alguma distâncias que os seus temas cantados em árabe possam eventualmente fazer sentir. Houve tempo para danças sensuais e melodias intimistas. A voz quente da libanesa, o árabe das canções e o forte contraste com os instrumentos resultaram num concerto agradável, intimista e muito apreciado.

Seguiram-se os americanos Giant Sand, banda a celebrar trinta anos de carreira. Os americanos dedicaram-se a uma atuação muito criativa, passando ora alternando descargas de energia rock’n’roll com canções mais intimistas, e com Howe Gelb a trocar a guitarra pelas teclas nas ditas passagens.

Depois do último concerto no Theatro Circo, o festival continuou com sons mais eletrónicos nas instalações do GNRation, onde se escutaram os riffs do maliano Mdou Moctar e os sons dançáveis de Electric Shoes.

O segundo dia da edição 2015 do Festival para Gente Sentada começou com uma tarde solarenga e repleta de calor, o que trouxe para as ruas do centro da cidade de Braga muita gente, espetadores mais ou menos intencionais dos concertos de Time for TSun Blossoms e Peixe, que se desdobraram pela Rua do Castelo, pelo Largo São João Souto e pelo Rossio

No Theatro Circo, palco das atuações dos nomes maiores deste festival, a segunda noite abriu com o sempre surpreende-te B Fachada. As suas letras são de uma criatividade irresistível e o músico de postura desajeitada criou uma vez mais uma natural empatia com o público, que uma naturalmente dele se despediu com sinceros aplausos.

Lydia Ainsworth tomou conta do palco a seguir ao português e ofereceu a todos os presentes no Theatro Circo uma viagem pelo seu imaginário cinematográfico.

A fechar a noite na sala nobre de Braga, assistiu-se ao experimentalismo avant-pop de Mercury Rev, banda norte americana formada no final da década de 80. Um concerto onde foi destilada energia e que arrancou muitos sorrisos, fez abanar muitos pezinhos dos espetadores sentados do festival e que no final resultou numa ovação ruidosa. Talvez o melhor concerto do Festival, e um que ficará na memória de quem esteve em Braga na noite de dia 19.

No GNRation, palco uma vez mais de atuações mais experimentais, ocorreu o fecho do Festival com o cruzamento dos universos de Filho da Mãe & Ricardo Martins, numa viagem sonora única, e a atuação frenética dos sets de Dj Coco.

Texto: Joana Vaz Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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