A edição 2014 do Festival MEO Marés Vivas começou na passada 5.ª feira e regressou à Praia do Cabedelo para mais três dias recheados de muita música.

A abrir as hostilidades no Palco Santa Casa estiveram duas bandas portuguesas, os irreverentes e revivalistas The Lazy Faithful, e de seguida os Capitão Fausto, que têm andado em roda viva de concertos este Verão. Neste palco, dedicado à música portuguesa e seus representantes, a animação está sempre presente, funcionando como belíssima alternativa à desenfreada “caça ao brinde” que domina o recinto nas primeiras horas de cada noite.

Ao início da noite, a inauguração do palco principal ficou a cargo dos galeses Skindred, com o seu metal alternativo punjado de punk, reggae e rock, que vai buscar ainda inspiração ao hip hop, dubstep e até ska. A banda, já até já ganhou prémios pelas suas atuações ao vivo, não deixou os créditos que os precediam por palcos alheios e destilou força e energia, incitando o público a acompanhar. Este não se fez rogado, e em troca Benji Webbe e companhia ofereceram temas como Kill the Power, Afromerica, Nobody, Pressure, Rat Face e Doom Riff.

As terras de Sua Majestade estiveram bem representadas nesta primeira noite, e Modestep, banda formada em 2010 em Londres seguiu-se com o seu rock / dubstep. Josh Friend na frente de palco comandou uma atuação que foi debitada a um ritmo alucinante. Intensidade é uma palavra pequena para a descrever, mas a verdade é que o público que os via e ouvia, não pareceu nada intimidado, e de forma dedicada e energética respondeu aos apelos musicais de múltipla personalidade da banda (dada a quantidade de géneros que mesclam no seu reportório). FreedomShow Me a SignTo The Stars e Another Day, ouviram-se em Gaia. No sub-comando das operações estava Tony Friend, DJ de máscara, a brincar com temas como Smells Like Teen Spirit (Nirvana) e Hangover (BaBaBa) (Buraka Som Sistema).

A noite ia já embalada num ritmo alucinante e altamente britânico, quando a armada tuga representada pelos Xutos e Pontapés entrou em palco. Xutos, padrinhos desta edição do festival, são como que da família de cada um de nós. Quem ainda não os viu ao vivo? Eles fazem parte das memórias de muitas gerações que sabem de uma ponta à outra as letras de muitos dos seus temas. Mas esta não é uma banda que viva apenas de revivalismos, e a prová-lo está o álbum novo, Puro, que tem feito andar a banda em estrada. Tu TambémSalve-se Quem PuderTu & EuContentoresAi se ele Cai, Não Sou o ÚnicoCirco de FerasRemar RemarHomem do LemeDia de São ReceberChuva Dissolvente e claro, os incontornáveis, Maria e A Minha Casinha, a fechar. Uma atuação morna, que talvez se explique, pelo alinhamento das bandas neste cartaz, com os portugueses a serem quase os outsider numa noite de ritmos destilados num ritmo desenfreado. Mas Xutos são Xutos e sabe sempre bem ouvi-los.

À 1h da madrugada, o público começou a chamar por Liam Howlett, Keith Flint e Maxim, o trio que compõe os The Prodigy, banda inglesa de electrónica, que fez tanto furor nos anos 90, e que ainda consegue arrastar uma pequena multidão que não se cansará nunca de cantar e dançar os seus maiores êxitos. A atuação deles é ritmo, ritmo, ritmo, e logo a abrir esteve Breathe, a música que nos vem logo à cabeça com a simples menção do nome da banda. Loucura descarregada sem tempo para pausas e eis que Firestarter, Omen, Voodoo People, Jet Fighter, Invaders, Take me to the Hospital, Their Law, Rockweiler Awol, entre outros, vieram desaguar nas margens do Douro, numa noite que se enchia de nevoeiro. Não, os The Prodigy não vinham a preceder o D. Sebastião, nem prometiam salvação, mas as guitarras desenfreadas e as luzes psicóticas trouxeram a rendição à loucura e à dança, com os corpos a não conseguirem parar quietos.

A maior parte dos festivaleiros rumou a casa no fim da atuação dos ingleses, porque 6.ª feira era dia de trabalho para muitos. Os mais resistentes rumaram ao Moche Room para a continuação da festa em modo non stop. 

Texto: Joana Vaz Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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