A chuva vai tornando a circulação pela zona de campismo numa aventura digna de registo. Andar significava lama até nos pés e os automóveis que tentavam circular ficavam atolados, necessitando da ajuda dos bombeiros para sair do sítio. Por todo lado os festivaleiros vestiam-se a rigor, com capas de chuva a dominarem o colorido de Paredes de Coura.

A chuva não desanimou ninguém e os primeiros sons surgiram no palco Vodafone FM às 19 horas pela mão de Sun Araw, nome de guerra do texano Cameron Stallones, que entre os sons mais psicadélicos foi animando a malta que já assentava arraiais junto ao palco Vodafone FM. Aqui acompanhado de outro guitarrista e com uma montanha de efeitos de loop, Sun Araw deu um bom concerto e fez jus á sua já apreciável carreira de 5 álbuns.

Coube aos Japandroids continuar a festa e deram um concerto que tirou literalmente o pé do chão a multidão que se encontrava ali, trazendo com a festa um rock electrizante, misturando o punk , o garage e o noise pop em doses suficientemente equilibradas e  perfeitas.

Com a chuva não dar sinais de se ir embora, os Tune-Yards seguiram com uma força estonteante, capaz de mover ainda mais o público que não desarma, numa estreia em Portugal que fica para a história do Paredes de Coura 2012.

Continuando pela noite, Stephen Malkmus e os seus Jicks seguiram a toada de forte energia que pairou, apesar das condições climatéricas. O ex líder dos Pavement trouxe a Coura um trabalho excelente, digno da histeria deste festival, e merecia mais atenção de um público um pouco mais novo, que não acompanhou a vívida música dos anos 90.

A noite já estava longa, e depois de um vendaval que passou em Coura, apareceram os Friends, cuja vocalista entrou a matar, prometendo aos muitos festivaleiros festa e dança, e cumpriu religiosamente, desfiando as canções do seu álbum de estreia, manifest e atirando-se literalmente ao público. Boa prestação para uma banda que está ainda nos primeiros passos.

A fechar a 2ª noite de concertos no palco Vodafone FM, os Portugueses Paus deram aquilo que tinham e o que não tinham. Enérgicos como sempre, os Paus deram jogaram todas as cartas e deram asas á sua imaginação musical, fechando em beleza uma noite de chuva, mas também de festa.

Coube a Nuno Lopes a animação after-hours, um repetente que sabe para a malta a dançar e a divertir-se.

Texto: Ângelo Ferreira

Fotos: Miguel Pereira

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