Mais uma vez, a feira grande da Trofa cumpre a longa tradição que já conta com 62 edições. Quando, em 1946, um conjunto de lavradores da nossa terra decidiram lançar a feira anual, provavelmente não imaginaram que estavam a fundar um dos eventos que mais prestigia actualmente o concelho da Trofa. Quero render aqui a minha homenagem a esses homens que na sua maioria já não se encontram junto de nós.

 A feira anual da Trofa é uma dos eventos agrícolas de maior dimensão e qualidade que se realiza em Portugal. É uma oportunidade única de aproximar a população daquelas que são as actividades do mundo rural. A Trofa proporciona às populações da Área Metropolitana do Porto uma oportunidade de contacto com as actividades agrícolas numa lógica pedagógica e de valorização de uma actividade estigmatizada, contribuindo para desconstruir um conjunto de ideias negativas e erróneas que as populações têm da agricultura.

A actividade agrícola é, hoje em dia, uma actividade de índole empresarial, com uma componente tecnológica muito avançada. É uma actividade que procura cada vez mais responder aos desafios que a protecção ambiental exige. É uma actividade exigente em formação e conhecimento técnico e científico e que desempenha um papel importante na vida económica do nosso concelho. Basta recordar que a Trofa está inserida na região que é responsável por mais de 50% da produção leiteira nacional. A facturação da venda de leite dos produtores do nosso concelho ultrapassa os 10 milhões de euros por ano. Se a isto adicionarmos os serviços de apoio à actividade agrícola, as maquinarias, rações, etc., compreendemos rapidamente a importância económica desta actividade para o concelho. E só estamos a falar da fileira da produção leiteira. Se a ela adicionarmos todas as restantes produções (vinícola, legumes e produtos hortícolas, …) que cá também têm importância, compreendemos a dimensão económica desta actividade neste concelho.

A manutenção e promoção da actividade agrícola enquanto actividade rentável desempenham igualmente um papel determinante na protecção dos terrenos aráveis e do património ambiental e paisagístico do concelho. Somos um concelho limítrofe da Área Metropolitana do Porto que sofre a pressão urbanística própria dos fenómenos de expansão urbana, nesta lógica de urbanismo extensivo que caracteriza as periferias desta grande área metropolitana e o Vale do Ave. Isto significa que uma parcela agrícola abandonada e não rentável corre o risco de degradação e consequente ocupação urbana.

Importa, pois, alterar as mentalidades. A actividade agrícola não pode ser encarada como uma actividade menor, desprestigiada, desqualificada e marginal. O poder político e a população em geral deve olhar para esta actividade numa lógica empresarial, de qualidade e de valorização.

Espero que esta mostra que a feira anual da Trofa proporciona dê o seu pequeno contributo para tal.

Helder Santos