Concursos das raças Barrosã, Arouquesa e Minhota surpreenderam pela qualidade dos animais. Associações e criadores elogiaram a organização da Feira e dos concursos.

Há muito que as raças autóctones deixaram de servir apenas para trabalhar, produzir leite ou carne, porque agora apresentam-se cada vez mais belas nos concursos por todo o país. Na Feira Anual da Trofa 2011 não foi excepção e no sábado e domingo as raças Minhota, Arouquesa e Barrosã demonstraram o seu potencial.

Na Raça Arouquesa, os animais corpulentos surpreenderam o júri, mas também os visitantes pela sua crescente qualidade. Nélson Valente, vice-presidente da Associação dos Criadores da Raça Arouquesa, considerou que “cada vez mais” os criadores estão “a honrar a raça”.

Carlos Silva, do concelho de Castro Daire, arrecadou “cinco prémios” neste concurso. “Orgulhoso” dos seus animais, garante “fazer o melhor possível” para os preparar para estas feiras. “Dedico o dia todo a isto. Saio de manhã para lhes dar de comer, depois vou com elas para o pasto e à noite regresso, dou-lhes de comer e arrumo-as”, contou o criador “desde criança”. Há cerca de dez anos que marca presença na Feira Anual da Trofa, certame que considera estar em “evolução todos os anos”.

No sábado de manhã, na passerelle da Feira Anual da Trofa, desfilou a Raça Minhota. A ajuizar o concurso esteve Pedro Vaz, secretário-técnico da APACRA (Associação Portuguesa dos Criadores de Bovinos da Raça Minhota), que realçou “a grande qualidade dos animais presentes”. “Foi um concurso com animais muito bonitos, muito bem apresentados e é isso que nos interessa”, acrescentou, felicitando “a organização da Feira”. “Fazemos muitas Feiras e é muito difícil termos concursos com estas condições quer para o público, quer para os animais”, concluiu.

Teresa Moreira, presidente da APACRA, também realçou a qualidade dos animais no certame: “Gostei muito da organização, à semelhança dos outros anos, isto é, sempre muito bem organizado, gostei muito do número e da qualidade dos animais que vieram preparados para a exposição”.

A Raça Minhota “é meiga” garante José Pereira, criador da Lixa, que mais uma vez marcou presença no certame e levou para casa “seis prémios”. Tem a seu cargo oito animais da raça e todos os dias para além da alimentação, tem “os maiores cuidados” para que possam estar a postos para participar nestes concursos. “Precisam de muito cuidado e muita higiene”, garantiu.

Os grandes cornos da Raça Barrosã impunham respeito ao entrar na tenda para que o gado pudesse ser avaliado. Ornamentados com fitas de cores garridas, estes animais surpreenderam pelo seu grande porte. “Vi animais de grande qualidade, principalmente bois castrados, bois de trabalho, que já há muitos anos não vejo igual. Isto é sinal de que a raça está de parabéns”, frisou o presidente da Associação de Criadores de Bovinos da Raça Barrosã. Enaltecendo a “beleza” dos animais, Armando Pires não se esqueceu de elogiar a Feira Anual da Trofa: “Para mim, mas também para outros é das melhores feiras do país”.

Alcino Lopes, de Vila Nova de Famalicão, é criador da raça desde os 13 anos. “É o gado mais bonito, para trabalhar é o melhor e depois quando quisermos vender, o talhante compra de olhos fechados, porque a carne é a melhor que pode haver”, considerou.

Os elogios tecidos à organização dos concursos destas raças estendem-se também à Comissão de Agricultores. “Ficamos satisfeitos e orgulhosos por reconhecerem o nosso trabalho, tentamos sempre de ano para ano e, tanto eu como os meus colegas Ademar Areal, Serafim Sá Padrão e Agostinho Areal, damos o melhor para que as coisas corram sempre bem”, frisou António Sá Padrão.