Foi para a Capelinha das Aparições em 1920, depois de passar pelas mãos de José Ferreira Thedim, e de Fátima poucas vezes saiu, a não ser para Roma, a pedido de diversos Papas, ou, em ocasiões especiais, para Lisboa.

A imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, esculpida pelo santeiro de S. Mamede do Coronado, cumpre cem anos em 2020 e a primeira iniciativa para assinalar a efeméride já decorre, com uma exposição inaugurada a 30 de novembro.

“Vestida de Branco” é o nome da mostra patente até outubro de 2020, no Convivium de Santo Agostinho, no Santuário de Fátima, que reúne mais de 150 obras de arte, objetos de culto e vários documentos, pertencentes à Coleção Estúdio Nossa Senhora de Fátima, à Coleção José Ferreira Thedim, à Câmara Municipal da Trofa e a Boaventura Pereira de Matos, mestre santeiro trofense, responsável pela última policromia da imagem.

Esta imagem foi esculpida em madeira de cedro do Brasil, pintada a óleo com folha de ouro de 22 quilates e tem pouco mais de um metro. José Ferreira Thedim recebeu um pedido de encomenda de Gilberto Fernandes dos Santos, um dos primeiros devotos de Fátima, que pagou a imagem e a levou para a Cova da Iria. O santeiro seguiu as indicações dadas através dos relatos feitos aos pastorinhos, mas, no final, a irmã Lúcia terá revelado que a mesma tinha incorreções face à imagem que tinha testemunhado em cima de uma azinheira, revelam os responsáveis pelas investigações históricas do Santuário.

Em 1947, Thedim elaborou uma segunda imagem – a Virgem Peregrina que está colocada na Basílica de Fátima – já de acordo com as indicações da irmã Lúcia, esculpindo um corpo mais esguio sob um manto mais branco. Mais tarde, a propósito de um trabalho de restauro, o santeiro acabou por introduzir as alterações sugeridas pela vidente de Fátima na imagem da Capelinha das Aparições, apagando algumas das estrelas douradas que tinha nas vestes e retirando-lhe as sandálias dos pés.

Enquanto a imagem centenária tem poucas saídas, a que se encontra na Basílica tem a função contrária, tendo já dado 15 voltas ao mundo.

Na Capelinha das Aparições, que está aberta 24 horas por dia durante todo o ano, a imagem é vigiada por 40 pessoas e ainda pode ser vista na internet, através de uma transmissão online em direto.

Câmara também vai assinalar centenário da Virgem Peregrina

Em nota informativa, a autarquia da Trofa, que esteve representada na inauguração da exposição em Fátima, anunciou que também se prepara para assinalar o centenário da Virgem Peregrina criada por José Ferreira Thedim.
Recorde-se que, para relevar a arte santeira, umbilicalmente ligada a S. Mamede do Coronado, a autarquia lançou, em 2017, o livro “A produção de Arte Sacra do Vale do Coronado”, onde se pode ler que “depois de 1920, a produção de imaginária religiosa iniciou um novo ciclo em Portugal”.