Trinta anos após a morte de uma das figuras cimeiras do concelho de Vila Nova de Famalicão, Padre Benjamim Salgado, a Câmara Municipal presta-lhe homenagem, reeditando a sua obra “A Igreja do Divino Salvador de Joane – Apontamentos para a sua história”. O livro que foi publicado quatro dias após a destruição da igreja, ganhando uma enorme projecção histórica e revestindo-se de um simbolismo muito especial, será apresentado amanhã, sexta-feira, pelas 15h30, na Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, na freguesia de Joane.
Para o presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Armindo Costa, que assina o prefácio desta segunda edição, “o ano de 1978 ficou marcado por dois acontecimentos negativos: a destruição da velha Igreja do Divino Salvador e a morte do padre Benjamim Salgado”. “Na madrugada de 11 de Março, quando as máquinas avançaram sobre as paredes da igreja paroquial, reduzindo-a a um amontoado de destroços e pó, já o conceituado intelectual e sacerdote joanense tinha desaparecido do reino dos vivos”, refere o autarca, lembrando que, na altura, “um coro de protestos e de vozes indignadas ecoou por todo o País”. “Ninguém compreendia, e muito menos aceitava, que fosse possível destruir uma igreja românica, cuja antiguidade ultrapassava a da própria nacionalidade portuguesa, e que um fresco, classificado como imóvel de interesse público, fosse deitado ao caixote do lixo!”, recorda Armindo Costa.
Quatro dias após a destruição da igreja, era lançado então o livro do Padre Benjamim Salgado. “Enquanto uns conspiravam e teimavam deitar abaixo a igreja paroquial e outros silenciavam o seu protesto, acomodando-se, Benjamim Salgado estudava e preparava-se para o combate”, realça o edil famalicense no seu texto.
No prólogo do seu livro, Benjamim Salgado, esclarecia que “todos temos obrigações para com o passado, para com as gerações que nos precederam, para com a História.” E concluía: “Há uma solidariedade entre gerações, que deve ser respeitada e a igreja paroquial é certamente o mais respeitável símbolo dessa solidariedade.”
Para Armindo Costa “Benjamim Salgado tinha plena consciência da divisão e da disputa instaladas na população da freguesia de Joane, acreditava no ensinamento da História e na força persuasiva do conhecimento, mas não foi a tempo de evitar o que temia”.
Assim, com a reedição do livro, a autarquia está a cumprir o “dever de colocar à disposição de todos este trabalho de Benjamim Salgado contribuindo, designadamente, para divulgar entre as gerações actuais a relevância histórica deste valioso património então destruído”, assinala ainda o autarca.
Refira-se que a reedição do livro foi melhorada, sendo acrescentadas algumas fotografias, que ilustram a própria Igreja Velha, os seus interiores, o fresco, além de outras que mostram a implantação da nova igreja e os despojos desta batalha.
Este é o primeiro livro de uma colecção “Cadernos de Património”, centrada no património histórico-cultural de Vila Nova de Famalicão, com o qual se pretende divulgar estudos já concluídos sobre esta área, e incentivar o aparecimento de outros.