A grande amizade e cumplicidade que o historiador Alberto Sampaio mantinha com Antero de Quental, a relação de cordialidade com Camilo Castelo Branco, as descobertas na arqueologia partilhadas com Martins Sarmento e os debates de história e política com Oliveira Martins estão agora expressos em livro, no primeiro volume de “Cartas a Alberto Sampaio”, que reúne a correspondência dirigida ao historiador no período entre 1864 e a data da sua morte em 1908. A obra que será apresentada no próximo dia 14 de Novembro, pelas 17h30, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, inclui, ao todo, 216 cartas. A apresentar a obra estará o presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme d’Oliveira Martins.


Cobrindo praticamente toda a vivência adulta de Alberto Sampaio, a obra dá a conhecer as relações de trabalho e amizade mantidas com diversas figuras da cultura portuguesa, desde os seus 22 anos, à época em que concluiu os estudos em Coimbra, à fugaz passagem por Lisboa, e até ao regresso ao Minho, mais precisamente à sua Quinta de Boamense, em Vila Nova de Famalicão, onde morreu aos 67 anos de idade.
O universo das pessoas com quem se relacionou e que assinam estas cartas é a todos os títulos notável, desde simples amigos dos tempos de Coimbra como José Falcão, irmãos Faria e Maia, António de Azevedo Castelo Branco, Alberto Teles, Pinto Osório e Inácio de Vasconcelos, passando pelos que pontificaram no círculo de Guimarães como Francisco Agra, Joaquim José de Meira até aos que na época e nos mais diversos domínios, marcaram a “intelligentsia” nacional, filósofos, poetas e escritores (Antero de Quental, Camilo Castelo Branco, Luís de Magalhães, Jaime de Magalhães Lima), historiadores (Oliveira Martins, Gama Barros, Abade de Tagilde, João Gomes de Abreu de Lima), arqueólogos e etnólogos (Martins Sarmento, José Leite de Vasconcelos, Rocha Peixoto, José Fortes, Ricardo Severo), enologistas (Abílio da Costa Torres e José Macedo Souto Maior), jornalistas (Bento Carqueja), filólogos e orientalistas (Guilherme de Vasconcelos Abreu e Aniceto dos Reis Gonçalves Viana).
Com toda esta plêiade de figuras suas contemporâneas, Alberto Sampaio estabeleceu uma correspondência, em cuja riqueza de conteúdo se espelha a plenitude intelectual de uma geração. Com 420 páginas, o livro “Cartas a Alberto Sampaio”, conta com organização, introdução e notas de Emília Nóvoa Faria e António Martins, e tem a chancela da Campo das Letras. O lançamento da obra insere-se nas comemorações do centenário da morte de Alberto Sampaio, que envolve os municípios de Famalicão e Guimarães, a Sociedade Martins Sarmento e o Museu Alberto Sampaio, e decorrem até ao final do ano de 2008.
Organizada em dois volumes, “Cartas a Alberto Sampaio” e “Cartas de Alberto Sampaio”, esta edição inclui um importante acervo documental de correspondência inédita proveniente do Arquivo Municipal de Alberto Sampaio e do Fundo Documental da Casa de Boamense, em Vila Nova de Famalicão, para além de cartas depositadas na Biblioteca Nacional, no Museu Nacional de Arqueologia, na Biblioteca Marciana de Veneza e outras que foram facultadas pelas famílias de João Gomes de Abreu Lima e de Jaime de Magalhães Lima