Agostinho Caridade dizia ser João Luís Amorim, um missionário da Ordem dos Camilianos. Durante quatro anos realizou missas, batizados, casamentos e funerais, mas em 2007 foi desmascarado e agora é acusado de usurpação de funções e burla. A sua sentença será lida a 3 de outubro no Tribunal de Santo Tirso.

Nome: Agostinho Caridade, Idade: 38 anos, Profissão: Falso padre. A história começou quando em 2004 Agostinho Caridade, nome verdadeiro, se apresentou na Trofa ao padre Armindo Gomes, de Santiago de Bougado, como sendo João Luís Amorim, um missionário pertencente à Ordem dos Camilianos. Segundo o Correio da Manhã (CM) “o arguido conseguiu infiltrar-se na Igreja quando contatou o pároco de Santiago de Bougado, que se encontrava muito debilitado, e ofereceu-se para o ajudar”. Armindo Gomes espalhou a palavra de que João Luís Amorim era “bom padre” e este passou a ser chamado para “vários serviços, passando a presidir às cerimónias religiosas em várias freguesias da Trofa, Santo Tirso, Porto e até em Albufeira, no Algarve”, adiantou o CM.

Mas tudo isto foi “sol de pouca dura”. Os alvarelhenses começaram “a estranhar as conversas e as atitudes porcas” do “padre” e José Ramos, pároco da freguesia, iniciou uma investigação e apercebeu-se que tudo isto não passava de “um conto do vigário”. Em 2007, quando Agostinho Caridade se preparava para realizar mais um batizado em Areias, Santo Tirso, foi detido pela PSP (Polícia de Segurança Pública). No momento da detenção, tentou convencer os agentes de que estava a ser alvo de uma armadilha .”Fiz exorcismo e o bispo não gostou disso, agora quer vingar-se”, referindo-se ao bispo de Braga. Uma semana após ter sido detido, o burlista fugiu do País e só compareceu no Tribunal de Santo Tirso em novembro de 2008, altura em que foi constituído arguido.

Mas desengane-se quem pensa que as burlas feitas por Agostinho Caridade ficam por aqui. Depois deste caso o arguido “burlou dois idosos de Felgueiras, caso pelo qual foi julgado à revelia e condenado a uma multa”. “Em 2006 foi declarado contumaz por não comparecer a um julgamento por burla informática e crime de furto em Lisboa. Fez também uso da sua falsa condição de padre para arrecadar avultadas quantias de dinheiro e outros bens. Pediu donativos a empresas e às juntas da freguesia para a organização de festas e desviou parte dos fundos para si. O homem chegou mesmo a pedir a um restaurante dois leitões, avaliados em 200 euros. O falso padre enganou também uma mãe e dois filhos, que acabaram por entregar quatro mil euros ao burlão”.

O juiz decidiu julgar à revelia o falso padre uma vez que, “os militares da GNR não conseguiram cumprir os mandados de detenção que estavam pendentes”. O julgamento teve início no dia 22 de setembro, quinta-feira, mas o arguido não compareceu. Mas segundo José Ramos, padre de Alvarelhos, uma das testemunhas ouvidas em tribunal, o falso padre encontra-se na sua terra natal “onde anda livremente e faz sempre questão de exibir um grande molho de notas”, adiantou José Ramos ao JN.

Este arguido é acusado pelo Tribunal de Santo Tirso de usurpação de funções e burla e segundo o JN responde ainda “por ter extorquido perto de cinco mil euros a uma família de Alvarelhos, a quem recorreu dizendo que precisava daquele montante para entregar como caução no tribunal, depois de alegadamente ter atropelado mortalmente uma pessoa”.

Na sua passagem pela Trofa, “”Agostinho Caridade” ”foi também responsável pela realização do encontro ecoménico de família, no Parque Nossa Senhora das Dores, em abril de 2007.

A sua sentença será lida a 3 de outubro.

 

 

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