Guilherme-Ramos

Guilherme Ramos, que foi presidente da Junta de Freguesia de S. Romão durante duas décadas, faleceu no dia 26 de julho, no Hospital de Coimbra, vítima de um duplo acidente vascular cerebral.

“Tudo o que eu posso dizer sobre o Guilherme Ramos é muito pouco”. As palavras saem, emocionadas, da boca de quem conviveu com o antigo autarca durante 12 anos, na gestão dos destinos de S. Romão do Coronado. Adriano Vasconcelos lamenta não poder dizer-lhe, pessoalmente, por “mais tempo” o quão grato está “por tudo” o que aprendeu nos anos de convivência no executivo da Junta. “Foram 12 anos que me enriqueceram como pessoa, porque aprendi muito e isso devo ao Guilherme”, afirmou, esperando que a população de S. Romão “não se esqueça” de “tudo” o que o antigo autarca fez pela freguesia. Adriano Vasconcelos descreve o “grande amigo” como “uma pessoa idónea, honesta, trabalhadora e em quem se podia confiar”. “Não tinha medo do trabalho e era o primeiro a pôr mãos à obra”, acrescentou. O “único defeito” que tinha, afirmou, era “ter o coração perto da boca”, o que “fazia com que ele fosse julgado na hora”.

Por seu lado, o cunhado, Camilo Faria, destaca “a pessoa sempre ativa” que Guilherme Ramos foi nos 57 anos de vida, estando ligado a vários movimentos, desde a igreja – “onde colaborou para a construção da Capela de S. Bartolomeu” -, passando pela política, onde “foi tesoureiro da Junta, num executivo PS” e, já no concelho da Trofa, liderou os destinos da freguesia, nas listas do PSD, “deixando várias obras, entre as quais a Casa de Ressureição e a remodelação das atuais instalações da Junta”, na Quinta de S. Romão. Também na área social teve um papel dinâmico, estando ligado à fundação da ASCOR (Associação de Solidariedade Social do Coronado).

“Era prestável, não era uma pessoa de sorrir muito, mas quando sorria, fazia-o de forma verdadeira e sincera. Nunca dizia que não e abria a porta de casa a qualquer hora, porque estava ao serviço das pessoas. Deu e deu-se a esta freguesia como poucos. Vai deixar muitas saudades”, salientou.

Guilherme Ramos faleceu no sábado, 26 de julho, vítima de um duplo acidente vascular cerebral. O primeiro aconteceu na quarta-feira, quando estava de férias em Manteigas, tendo sido transportado para o Hospital da Guarda e, de lá, transferido para o Hospital de Coimbra, onde acabou por falecer.

Guilherme Ramos contava com duas décadas de experiência autárquica, sendo que 12 anos foram consecutivos como presidente da Junta de Freguesia de S. Romão do Coronado. O último mandato terminou em setembro do ano passado, quando perdeu as eleições para a União de Freguesias do Coronado (S. Romão e S. Mamede).

Guilherme Ramos era casado com Lina Ramos, vereadora da Câmara Municipal da Trofa, com quem teve dois filhos. Esteve também envolvido em várias associações da freguesia e tinha participação ativa na Comissão Política Concelhia do Partido Social Democrata.

Na tarde de domingo, no dia do funeral, era quase missão impossível circular de automóvel nas imediações da Casa da Ressurreição, em S. Romão do Coronado, tal era a aglomeração de veículos estacionados. Várias instituições fizeram-se representar e homenagearam Guilherme Ramos, como os comandos militares, o Lions e o Rotary Clube da Trofa, a ASCOR, a Santa Casa da Misericórdia, os presidentes das juntas de freguesia do concelho, o presidente da Câmara e vereadores e os párocos da Trofa. Uma verdadeira multidão participou nas cerimónias fúnebres, num adeus emocionado ao antigo autarca. Para Adriano Vasconcelos, “S. Romão pode encontrar um presidente igual a ele, melhor nunca conseguirá, porque pessoas como ele já não existem”.

A missa de sétimo dia realiza-se esta sexta-feira, 1 de agosto, pelas 19.30 horas, na Capela de S. Bartolomeu.