Jorge Oliveira criou o Espaço t há 18 anos, mas desde 2007 tem-se deparado com vários problemas financeiros. A instituição, com filial na Trofa, pondera despedir 13 pessoas para contenção de despesas. 

Desde que Jorge Oliveira divulgou os problemas financeiros com que a associação que preside o Espaço t tem-se deparado ultimamente, a sociedade parece reconhecer o valor social deste projeto e já contribuiu com doações que reuniram cerca de 11 mil euros. Foi através de uma carta aberta que Jorge Oliveira deu a conhecer a realidade “cinzenta” que o Espaço t tem vivido e pediu “um euro” a cada um. “As pessoas têm sido extremamente generosas, tendo manifestado a sua solidariedade, quer através de mensagens de apoio quer através de donativos. Também algumas empresas nos têm abordado para nos ajudar a sair deste impasse”, sublinhou, em entrevista ao NT.

Apesar de o valor das doações ser já significativo, a verdade é que ainda é uma pequena parcela de todo o montante que a instituição tem em dívida: são 150 mil euros de débito a instituições bancárias, aos quais acrescem 50 mil euros de juros. De acordo com o presidente do Espaço t, deste valor, 70 mil referem-se “à penalização, aplicada pelo Estado, por nem todos os alunos terem acabado os cursos”. “Gastamos dinheiro com formadores e material, mas tendo em conta o perfil dos alunos dos Cursos de Educação e Formação (CEF) não conseguimos evitar que, por exemplo, que nem todos cheguem ao fim, porque trata-se de uma franja social muito problemática. Mas os que acabaram criaram um projeto de vida”, explicou. 

O restante montante da dívida, 80 mil euros, resulta “de créditos, incluindo impostos e juros, pedidos à banca para financiar obras na sede e na filial da Trofa, devido aos atrasos do Estado nos pagamentos”.

Apesar destes problemas, Jorge Oliveira garantiu que “a extinção do Espaço t é um cenário que não se coloca, já que a comunidade de inserção do Porto e da Trofa são financiadas pela Segurança Social através de uma subvenção”, explicitou. No entanto, salvaguardou, “face à conjuntura, a instituição terá de se readaptar à realidade financeira do País, redimensionando-se com necessidade ao recurso de despedimentos de 13 pessoas”.

Enquanto aguarda “desenvolvimentos de decisões importantes” por parte das “instituições públicas”, Jorge Oliveira tem encetado esforços para pedir ajuda. Para além da carta aberta, foi lançada uma petição online (http://www.peticaopublica.com/?pi=P2012N24288), com o objetivo de chegar à Assembleia da República e que, reuniu, até agora mais de mil assinaturas. Mais, os responsáveis da instituição estão “a desenvolver uma estratégia de sustentabilidade, com várias iniciativas que procuram encontrar soluções de financiamento próprio”. “Queremos demostrar que não baixaremos os braços e que não desistimos. A crise trouxe-nos ainda mais força para lutar e mostrar à sociedade que apesar de todas as contrariedades financeiras, o Espaço t vai continuar a servir todos aqueles que nos procuram e a oferecer um serviço de excelência”, frisou.

No dia 28 de maio, a instituição apresentou, no pequeno auditório do Rivoli Teatro Municipal, o 14º Corpo Evento – Ciclo de Espetáculos em Teatro e Dança, que decorre até ao dia 8 de junho. 

Problemas surgiram em 2007

Esta situação de insustentabilidade financeira agravou-se recentemente, mas o problema surgiu “em 2007”, contou Jorge Oliveira, quando o Espaço t, atualmente com 18 anos, “recebeu fundos comunitários e do Estado para construir a sede na Rua do Vilar, no Porto”. “A obra custou um milhão de euros, sendo o projeto financiado pelo Estado e pela União Europeia em 90 por cento, no entanto, nessa altura tivemos de criar uma linha de crédito para fazer face ao processo de compra e restauro do edifício, pois o financiamento público só era reembolsado após o pagamento integral do investimento. Por outro lado, pelo facto de o Espaço t não ter fins lucrativos, este investimento deixou-nos fragilizados financeiramente”, adiantou. Também os projetos desenvolvidos em parceria com o Estado “eram reembolsados após a sua conclusão”, facto que obrigou a instituição “a recorrer ao crédito para fazer face às suas necessidades de implementação”. 

Mas, “o Estado ou cortou no financiamento acordado ou em alguns casos verificaram-se atrasos na ordem dos dois anos para processar o referido pagamento”. “Ora, isto implica existência de juros e taxas bancárias”, asseverou.

Jorge Oliveira contou ainda que, na filial da Trofa, a instituição foi obrigada “por lei” a “instalar uma plataforma elevatória que custou 18 mil euros e nunca foi utilizada, porque o elevador é suficiente para transportar cadeiras de rodas”.

Filial da Trofa tem 62 utentes

É a partir de nove ateliês, teatro, informática, expressão plástica, fotografia, sensibilização para as artes, guitarra, escrita criativa, artes decorativas e competências para reinserção profissional, que a filial do Espaço t na Trofa ocupa os 62 utentes. O espaço dispõe ainda de um gabinete que disponibiliza consultas de psicologia e de apoio jurídico, abertos à comunidade. “Há poucos dias, vimos aprovado o Gabinete de Inserção Profissional, financiado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, que tem como objetivo prestar o apoio a pessoas na resolução dos seus problemas de inserção ou reinserção profissional, em cooperação com os centros de emprego”, acrescentou Jorge Oliveira. Este serviço destina-se a todos os desempregados à procura do primeiro emprego, com dificuldades de orientação profissional ou todos os que procuram formação profissional.

“Não é condição obrigatória ser utente do Espaço t, pois trata-se de um serviço público aberto a toda a população”, explicou. 

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