A nossa vida é pautada por decisões e ações que adotamos, baseadas num padrão, num conjunto de valores, em princípios fundamentais de conceitos básicos daquilo que é considerado moralmente certo ou errado. É isso, a Ética; ciência descritiva, ciência normativa, que procura determinar a finalidade da vida humana, preconizando juízos de valor que permitem distinguir entre o bem e o mal. A crise política atual, sem fim à vista e sem precedentes, exige algumas reflexões sobre a problemática da Ética na Política.

A mais nobre das dimensões da Política é o serviço, é a missão, que deve nortear todos aqueles que têm nas suas mãos a governação dos homens e a administração dos bens públicos. O termo Ética, mais erudito que moral, é tantas vezes empregue com imprecisão, principalmente quando se generaliza apelidando os políticos de pessoas sem ética. Alguns? Muitos? Não todos.

A Ética na Política não pode deferir da Ética nas outras atividades; não pode ser diferente da Ética na vida pessoal. Quem exerce um cargo político, deve ter sempre em mente os princípios gerais da honestidade, mas também tem de colocar em prática todo o seu saber e capacidade em defender o bem público e o bem-estar das pessoas. Poderá em muitas ocasiões ser colocado em frente a dilemas morais para tomar decisões, mas o político nunca deverá subverter os seus valores e, muito menos, aqueles com que se apresentou nas eleições. Isso é: não ter Ética.

A Política, como forma de atividade ou de praxis humana, está estreitamente ligada ao poder, e quando bem exercida, constitui um dos principais instrumentos para o progresso económico e social. Que bom seria, que a atividade política fosse só desenvolvida por quem tem espírito de serviço direcionado para o bem público. É verdade que o bem público varia em função da ideologia ou dos valores de cada político, mas o que se espera dele é: honestidade, prudência, inteligência, dedicação e coragem. Nenhuma atividade é mais importante que a atividade política porque pode ter uma boa ou má influência sobre a vida das pessoas.

Os políticos são recorrentemente “brindados” com epítetos tão variados, que vão desde «corruptos» e «oportunistas» a «aldrabões», «parasitas», «gatunos», etc. etc. etc. Em vez destes impropérios, deveríamos pensar primeiro que estamos numa República, e não numa Monarquia, e, por consequência, «eles» (os políticos) «somos nós» e não uma classe à parte. Os políticos que temos são o espelho da nossa sociedade, é o reflexo do que nós somos.

O grande problema, que não é exclusivo do nosso tempo, é que a política é como a geometria variável, cabem lá todos: honestos e corruptos; trabalhadores e parasitas. Muitos dos políticos, vazios de ideias e acoplados a uma filosofia de rebanho, entram para a governação através de eleições antecedidas de campanhas eleitorais cheias de discursos oraculares, espécie de fato feito por medida, garantindo a nossa felicidade e bem-estar. Quando chegam ao poder a sua preocupação é outra bem diferente; passam a preocupar-se, quase em exclusivo, com um futuro melhor para si, e não para a sua terra ou para o seu País. O egoísmo substitui a generosidade.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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