Nos próximos três anos, os portugueses vão ser convidados a participar em seis atos eleitorais seguidos, com as seguintes eleições: Parlamento Europeu; Regionais da Madeira; Assembleia da República; Regionais dos Açores; Presidente da República; Eleições Autárquicas, no segundo semestre de 2021. São muitas eleições, num curto espaço de tempo.

Está a chegar o folclore eleitoral, que são as campanhas eleitorais, com muito comício, muito porco no espeto, muita música pimba e não só, muita gafe, muito marketing e muitas propostas cheias de nada. Vai ser uma permanente “festa” colorida, com muito ruído e muito dinheiro consumido.

A campanha eleitoral já começou há algum tempo, embora a campanha oficial para o Parlamento Europeu só deveria começar 12 dias antes da data das eleições, que serão no nosso país no dia 26 de maio. O Parlamento Europeu é a única instituição europeia eleita por sufrágio direto.

As novas regras sobre a composição do Parlamento Europeu entrarão em vigor nas próximas eleições europeias e Portugal volta a eleger 21 eurodeputados. Atualmente, o Parlamento Europeu tem 751 eurodeputados, mas com a saída do Reino Unido (Brexit) foram atribuídos 27 dos 73 lugares ocupados por deputados do Reino Unido a outros Estados-Membros, ficando 46 de reserva para futuros alargamentos.
São mais de 360 milhões de pessoas que escolhem os seus representantes no Parlamento Europeu para os próximos cinco anos. Todos os cidadãos da União Europeia (EU) com idade igual ou superior a 18 anos – ou até mesmo 16 anos em alguns países – podem votar nas eleições europeias.

Quando o Parlamento Europeu preparou a sua proposta sobre a distribuição de eurodeputados em 2018 foi discutida a hipótese de ser criado um círculo eleitoral comum em todo o território da UE, que votaria para listas eleitorais transnacionais, para além dos lugares já atribuídos a cada Estado-Membro. No entanto, a iniciativa foi rejeitada em plenário.

Com o alargamento a novos países na União Europeia deu-se um efeito estatístico muito curioso: de país pobre passamos a país remediado e de país pequeno passamos a ser um país de média dimensão. Agora na União Europeia é mais difícil fazer ouvir a “voz de Portugal”, por isso vai ser preciso sermos muito criteriosos e escolher os melhores, aqueles que têm capacidades de enfrentar os desafios que se levantam no seio da UE.

O que se deseja é que no decorrer das campanhas eleitorais não venham inaugurações e anúncios de obras e que nos debates entre candidatos ao Parlamento Europeu se discuta os verdadeiros assuntos europeus. Para os debates da política interna vamos também ter as eleições legislativas, que estão marcadas para o próximo dia 6 de outubro, que é o fórum certo para se discutir o mandato da “geringonça”.

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