Ana Araújo Silva é da Trofa e está a expor o seu primeiro trabalho no Espaço t. Instituição quer promover artistas do concelho e consolidar conceito de itinerância.

Vagueou pela baixa portuense. Sem destino, contemplou a teia da vida que se movimenta em seu redor. Parou e observou. Pessoas circulam rapidamente em todos os sentidos. Algumas param e aceitam “confrontar as suas almas”, mas muitas delas seguem o seu caminho como se de verdadeiras formigas em pleno punhado de terra se tratassem. Esta foi a experiência de Ana Araújo Silva, artista de S. Martinho de Bougado, que fotografou anónimos na baixa portuense e expôs o seu trabalho no Espaço t, na Trofa.

As fotografias, tiradas especificamente para fazer parte do evento “12 horas no coração da Baixa”, e o nome da exposição – “Confronto entre almas” – foram inspirados no filme “Waking Life” e agora enchem as paredes da galeria. Este é o terceiro espaço em que o trabalho pode ser contemplado, depois de já ter estado no Porto e no Teatro Municipal de Vila do Conde.

Ana Araújo Silva está a completar a licenciatura em Comunicação Audiovisual, na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculos, e aprendeu “um bocadinho sobre as pessoas”, mas também sentiu que “muitas continuam a ser as formiguinhas”. “Muitas delas ignoraram-me, nem sequer pararam nem deixaram que eu falasse. No entanto, de vez em quando lá encontrava outras que estavam dispostas a falar de si. Encontrei pessoas muito interessantes”, explicou.

Com a exposição de Ana Araújo Silva, o Espaço t dá início a um projecto ambicioso: “Criar uma agenda artística própria”. “A ideia é privilegiar os artistas que são do concelho. Se não for possível satisfazer esta condição, pelo menos trazer os de concelhos vizinhos. Queremos criar uma agenda artística própria, onde passem cá todo o tipo de artistas, dentro da escultura, pintura, fotografia, vitral e outras matérias que se possam representar”, explicou o coordenador do Espaço t da Trofa, Domingos Mendes, que lançou o desafio aos artistas trofenses: “Venham que nós mostramos-vos e à vossa arte”.

Outro dos conceitos que a instituição quer consolidar é o de itinerância. “Se dentro do concelho não há facilidade de mobilidade por parte da população, a ideia é fazer com que a arte vá ter com as pessoas”, explicou. O Espaço t quer que “as freguesias mais distantes, como Alvarelhos, S. Mamede e S. Romão do Coronado, estejam receptivas a acolher estas exposições, para que a arte comece e desfilar e a permitir alargar os horizontes culturais das pessoas”.