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Edição 763

Escrita com Norte: Tudo gente normal

Circundo o Catulo, corto à direita, entro na Rua Conde de S. Bento, pensando que com sorte talvez arranjasse estacionamento logo no início da rua. Estacionei lá em cima, próximo da antiga linha, no único lugar vago…para deficientes!
Ao lado, pára o Sr António, paraplégico, à espera que eu liberte o lugar. Em vez de tirar o carro, desligo o motor e saio a mancar!

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A segunda-feira iria ser como qualquer outra…longe da sexta, não fosse aquele pormenor!
O despertador toca assinalando o meu momento de ódio ao mundo, durante sete segundos, e, como qualquer bipolar, salto da cama feliz por não me doer nada, e ter bracinhos, perninhas e tudo o demais que me faz parecer normal.
Saio de casa, fazendo o trajecto de sempre para o trabalho, mas não me cruzando na estrada com as pessoas que conheço há anos, sem saber quem são…devem estar de férias!
Chego à empresa e trabalho, saio da empresa e tomo o caminho para a Box Crossfit Vale do Ave.
Entro no parque de estacionamento, que me parecia cheio, e estaciono logo no primeiro lugar que aparece. Ao caminhar para a recepção verifico que podia ter estacionado mais próximo, havia mais uma dúzia de lugares vagos. Cheios, apenas os lugares para pessoas com deficiência.
Lá dentro, felizmente, todos me pareciam bastante saudáveis, principalmente uma ou outra “menina”.
“Os deficientes devem estar no café”, pensei!
No final, depois do treino, e ao dirigir-me para o carro, encontro o meu amigo Ricardo, utente da APPACDM e frequentador da Box.

– Olá Ricardo! Aquele carro é teu? – pergunto. Restava um nos lugares destinados a pessoas com deficiência.

– Não! Eu não conduzo. – responde-me a sorrir.

E ficámos ali, a conversar sobre miúdas, sobre as que ele acha “lindas como o sol”.
Despeço-me do meu amigo e preparo-me para o ponto alto do dia, o tal pormenor que fará esta segunda-feira diferente das outras, levantar um prémio do euromilhões, acontecimento raro na minha existência, só comparável à passagem de um cometa. A última vez que ganhei algo no jogo foi no Ciclo Preparatório, a brincar aos berlindes, ganhei cinco, mas o derrotado não os queria dar…bati-lhe!
Circundo o Catulo, corto à direita, entro na Rua Conde de S. Bento, pensando que com sorte talvez arranjasse estacionamento logo no início da rua. Estacionei lá em cima, próximo da antiga linha, no único lugar vago…para deficientes!
Ao lado, pára o Sr António, paraplégico, à espera que eu liberte o lugar. Em vez de tirar o carro, desligo o motor e saio a mancar!
Conforme vou descendo a rua, em direcção ao quiosque da Tina, por milagre, sem acreditar neles, a minha deficiência vai passando, estando em plenas condições físicas à chegada ao quiosque. Antes de entrar, olho para o lado, e aparcada num sítio identificado por um sinal com um boneco em cadeira de rodas, está uma jovem, “linda como o sol”, como diria o Ricardo, e, “coitadinha, não deve ter pernas”, pensei.
Fiquei a admirá-la, enquanto estava ao telemóvel. Ela saiu…afinal tinha pernas e andava!
Deve ser a isto que alguns amigos meus chamam de “deficiente de boa”! Com pena, e sem saber o que fazer, amparo-a, despertando a sua ira, e apercebo-me de que estava a sentir a renda do soutien. Largo-lhe as mamas e entro no quiosque.
Sempre com grande simpatia, a Patrícia diz-me:

– Bom dia, Calheiros!

– Olá Patrícia, bom dia! Tenho um prémio! – e entrego o bilhete do euromilhões.

– Pois tens! – e entrega-me os meus nove euros e quarenta e sete cêntimos…não foi preciso bater-lhe.

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Feliz, e menos pobre, vou para o carro, onde por perto ainda está o Sr. António.

– Atrasado mental. – gritou-me.

– Até logo! – respondi-lhe.
A caminho de uma agência de viagens para marcar férias com o dinheiro ganho no euromilhões, vejo o Antunes, perneta, a discutir com o Melo, jogador da bola, com um penso no dedo a fazer valer a sua prioridade para ocupar um lugar de estacionamento!

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Edição 763

Carta aberta a todos os bougadenses: Vamos deixar as festas em honra de Nossa Senhora das Dores morrer?

Pela primeira vez, desde que tenho memória, senti que corríamos o risco de ver a mais importante tradição bougadense perder-se. Senti-o quando, não sendo eu de Finzes, aldeia organizadora da edição deste ano, me desafiaram a estar presente numa reunião na Casa Paroquial, algures no final de Fevereiro, início de Março. Cinco pessoas, foram quantas apareceram.

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Desde muito novo que me lembro de ir às Festas em honra de Nossa Senhora das Dores, primeiro pela mão do meu pai e da minha mãe, mais tarde com os meus amigos, com os quais partilhava aquele ritual de emancipação juvenil, que consistia em desafiar as vacas de fogo, quando ainda não eram proibidas por lei. Lembro-me bem dessas brincadeiras, como me lembro de ficar encantado com o fogo preso, em criança, de ver o fogo de artifício abraço à minha namorada, hoje minha mulher, ou de assistir àquele ponto de encontro em que as nossas festas se transformavam no pico das férias do Verão, fosse entre amigos da escola, fosse com familiares emigrados que sempre voltavam em Agosto e não falhavam à chamada. Mas nada arrebatava as massas como a procissão dos andores. Estruturas majestosas, construídas pelo esforço e entrega de inúmeros voluntários, que, naquele dia, colocavam a Trofa no mapa e atraíam até à nossa terra milhares de devotos e curiosos.
Pela primeira vez, desde que tenho memória, senti que corríamos o risco de ver a mais importante tradição bougadense perder-se. Senti-o quando, não sendo eu de Finzes, aldeia organizadora da edição deste ano, me desafiaram a estar presente numa reunião na Casa Paroquial, algures no final de Fevereiro, início de Março. Cinco pessoas, foram quantas apareceram. Cinco. Para organizar uma festa que requer bem mais de 100 pessoas para acontecer. E ali estávamos os cinco, padre Luciano incluído, a ver as festas por um canudo.
Desde então, reunimos mais quatro vezes. Na última reunião, se não me falha a memória, estiveram presentes 18 pessoas. Bem mais do que os cinco iniciais, é certo, mas ainda assim muito poucos para conseguir organizar a festa com a dimensão que se deseja. E, à medida que o tempo vai passando, a margem para organizar eventos e actividades, ou para pôr o bar da comissão a funcionar, e assim obter fundos para financiar os muitos custos que a festa acarreta, torna-se cada vez mais curta.
Neste momento, e é preciso colocar as coisas em pratos limpos, corremos ainda o risco de não ter festa. Em princípio será possível realizar a parte religiosa, do Espírito Santo à procissão das velas e dos andores, mas mesmo aí existem sérias limitações que nos retiram margem de manobra para prever o que efectivamente poderá ser feito. Faltam pessoas para trabalhar, para dar um bocadinho do seu tempo para ajudar a fazer acontecer, e faltam fundos, o que não deixa de ter o seu quê de ironia, num concelho com elevada concentração de fortunas, regra geral de pessoas de grande e conhecida fé e ligação à Igreja.
Quero, com estas linhas, alertar quem me lê para dois aspectos que m parecem fundamentais. Um profundamente negativo, outro de optimista esperança. O primeiro é sublinhar que, de facto, o risco de as festas não se realizarem ainda é real. Não sei o que pensariam os nossos antepassados, se aqui estivessem para ver o estado a que isto chegou, ou mesmo as gerações mais antigas, que verão, seguramente com tristeza, um pedaço da sua história, da sua cultura e da cola bairrista que une a comunidade desvanecer-se desta forma.
O segundo é dizer-vos que ainda há tempo. Ainda há tempo para se juntarem à equipa e aparecerem na próxima reunião, que acontece já esta Quinta-feira, a partir das 21h, na Casa Paroquial em frente à Igreja Matriz. Ainda há tempo para que quem pode ajude a organização, seja através de donativos, seja através de bens que possam ser convertidos em financiamento para os muitos gastos que se antecipam. E ainda há tempo para salvar esta edição das Festas em honra de Nossa Senhora das Dores, a primeira após o interregno da pandemia, e dar um sinal à comunidade de que não deixamos cair as nossas tradições. Que não deixaremos apodrecer as nossas raizes. Que não baixaremos os braços perante a morte anunciada da maior e mais antiga celebração das terras de Bougado.
Por isso sim, ainda vamos a tempo.
Contamos consigo?

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Edição 763

ExpoTrofa na Alameda organizada por Finzes e Castêlo

Faltam elementos para a Comissão de Festas de Nossa Senhora das Dores. As reuniões de criação do grupo de trabalho já começaram e este ano serão os lugares de Finzes e Castêlo a organizar as festas. A ExpoTrofa vai decorrer no espaço da Alameda, assim como o bar da Comissão de Festas.

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Faltam elementos para a Comissão de Festas de Nossa Senhora das Dores. As reuniões de criação do grupo de trabalho já começaram e este ano serão os lugares de Finzes e Castêlo a organizar as festas. A ExpoTrofa vai decorrer no espaço da Alameda, assim como o bar da Comissão de Festas.

Apesar das dificuldades, já começou a formar-se o grupo de pessoas para a Comissão de Festas em honra de Nossa Senhora das Dores. Neste ano particularmente difícil, com os problemas e limitações causados pela pandemia e agora pela guerra da Ucrânia e consequentes dificuldades económicas, Mário Moreira dá a cara pelo grupo de mulheres e homens que vão trabalhar para que, em agosto, os andores voltem a sair às ruas e a música e entretenimento encham os parques e Alameda da Estação.
Para Mário Moreira, esta não é a primeira vez que dá a cara pela Comissão de Festas, já em 2012 fez parte do grupo de trabalho que organizou as maiores festas do concelho da Trofa. “Eu tinha jurado que não entrava noutra, é um trabalho cansativo, exige um esforço maior para haver um certo profissionalismo”, revelou.
Moreira reconhece que “não está a ser fácil”, apesar da colaboração excelente que estão a ter do padre Luciano Lagoa. “Estamos a criar um grupo alargado do qual já fazem parte muitos jovens, já temos cerca de 20 pessoas, apesar de a Comissão propriamente dita ser composta por sete ou oito elementos, necessitamos de, no mínimo, 50 pessoas para toda a orgânica”.
Para a angariação de fundos, a Comissão tem de desenvolver peditórios, realizar cortejos, pedir apoio às empresas, organizar e vender o terrado, colocar o bar em funcionamento e tratar da organização da ExpoTrofa que, este ano, vai decorrer na Alameda da Estação.
Reconhecida como uma das maiores romarias do Norte de Portugal, as festas de Nossa Senhora das Dores atraem milhares de pessoas à Trofa, transformando-se “num grande evento cultural que queremos manter e engrandecer para projetar o nome da Trofa”, revelou Mário Moreira.
Relembrando que durante os dois anos de pandemia as festas estiveram interrompidas, e que apenas foi possível desenvolver uma parte muito reduzida da vertente religiosa, Moreira reconhece que “é mais difícil para este ano, porque as pessoas desabituaram-se um pouco das festas, e, portanto, é um desafio retomá-las e voltar a ver os grandes andores e os espetáculos numa semana de animação e alegria”. “Queremos fazer deste evento, o grande evento cultural da Trofa, fazendo com que as pessoas retomem aquela ideia que se chega a agosto e que temos um evento grandioso”, continuou.
Relembrando que, em 2012, a ExpoTrofa foi deslocalizada e passou a ser realizada na zona envolvente à estação de comboios, “este ano, vem para a Alameda e o bar da Comissão será também montado aí.”
No entanto, a edição de 2022 da ExpoTrofa vai decorrer apenas de 6 a 10 de julho, passando a ter apenas cinco dias de duração, de forma a não ser tão exigente e cansativo para quem tem de estar a assegurar o funcionamento dos stands, assim como toda a organização do certame”.
Também as festas do Espírito Santo vão ser retomadas este ano, e decorrem a 5 de junho, também com a organização da Comissão de Festas.

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