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Edição 762

Escrita com Norte: Super Homem

Neste ambiente cinéfilo, em plena vida real, pensei no meu dia e nas minhas incoerências.

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Na adolescência, um dos livros marcantes que li, chama-se, “Assim falou Zaratustra”, de Friedrich Nietzsche. Nele aparece o conceito de “Super Homem”, definido como um estágio superior, do qual o Ser Humano é apenas um estágio intermédio entre o macaco e este “Super Homem”. Com o avançar da leitura, rapidamente nos apercebemos que não é o herói de capa e fato azul e vermelho, nem o meu sobrinho, que diz ter super poderes , que como qualquer verdadeiro super herói também tem as suas limitações, e a do Gonçalo é não conseguir arrancar árvores do chão!

– Olá, Sr Manuel!

– Olá Calheirinhos!…

(É desta forma carinhosa, que o Sr Manuel, da idade do meu pai, me trata. Diz que é uma forma inteligente de em conversa me distinguir do meu pai)

– …Estou lixado!

(O termo utilizado foi outro, saído do dicionário coloquial de tasca)

– Não parece! – respondo, mentindo.

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(Olhava e via-o como sempre o vi desde que o conheço, acabado e atordoado pela bebida)

– Mas estou! Tenho que deixar a bebida e já reduzi no tabaco. – diz-me de cigarro na boca.

Uma voz vinda do fundo do café de trás do balcão faz-se ouvir:

– Ó Nel, não tenho Super-bock. Queres Cristal ou de pressão?

Desviando a cara da nossa conversa, o Sr Manuel responde:

– Traz-me uma Cristal e depois uma cerveja de pressão.

De volta à nossa conversa:

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– São os médicos, dizem para ter cuidado! O que vale é que a minha bexiga funciona bem. Por cada cerveja que bebo vou à casa de banho descarregar…já lá fui quinze vezes. Enquanto vou à casinha e volta para a mesa, caminho. O médico aconselhou-me a andar.
Parvo a olhar para o Sr Manuel, vejo-o a dar uma última “passa” e a acender um novo cigarro com a beata do cigarro acabado de fumar, e prossegue:

– Agora tomo medicamentos para dormir. Estando mais horas no ronco, é menos tempo que tenho para fumar!

A cena que se apresentava à minha frente fazia-me pensar que o Sr Manuel tentava recuperar os cigarros não fumados com o tempo a mais dormido.

Levanta-se e vai à casa de banho.

À mesa do lado chega um individuo, onde já estão outros dois.

– Aldrabei agora um gajo e ganhei 200 €.

– És o maior! – dizem os outros, com palmadas nas costas.

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(Enquanto o Sr Manuel se satisfazia, libertando a bexiga para mais uma cerveja, eu assistia à  glorificação do chico-espertismo)
Felizmente, o Sr Manuel rouba-me à cena do “chico-esperto” com o seu regresso. Ao mesmo tempo, chega à mesa o empregado com a Cristal e uma francesinha.

– Pedi uma francesinha, Calheirinhos. É que quando chegar a casa a Amália vai-me fazer um peixinho cozido…o médico!

Enquanto come a francesinha com alegria e a saúde com tristeza, observo a Ritinha, uma gorda, ex-obesa, com uma ligeira passagem pelo estado de elegância após a colocação de uma banda gástrica, besuntada de molho que escapava do cachorro que comia.

Neste ambiente cinéfilo, em plena vida real, pensei no meu dia e nas minhas incoerências.

O “Super Homem” de Nietzsche é a liberdade para sermos melhores (pelo menos um pouquinho), para connosco e para com os outros, do que fomos no dia anterior.

Apesar do Homem ter vergonha de descender do macaco, ele por vezes (muitas vezes) é mais macaco do que o próprio macaco!

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Edição 762

S. Romão assinala 13 de Maio com festa da profissão de fé

A paróquia de S. Romão do Coronado promove a festa em honra de Nossa Senhora de Fátima, a 13 de maio, com a habitual celebração da profissão de fé das crianças do 6.º ano de catequese.

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A paróquia de S. Romão do Coronado promove a festa em honra de Nossa Senhora de Fátima, a 13 de maio, com a habitual celebração da profissão de fé das crianças do 6.º ano de catequese. A solenidade tem início junto à Capela de Santa Eulália, onde, às 10h30, começa o cortejo até à Igreja Paroquial.
Antes, às 08h00, é celebrada uma missa em honra de Nossa Senhora de Fátima.
Da parte de tarde, às 15h00, é dada entrada da Banda de Música de Moreira, da Maia, e, meia hora depois, da Fanfarra Particular de Gondomar. Às 16h00, começa a procissão, com sermão na Capela de S. Bartolomeu, e encerramento na Igreja.
Na paróquia romanense, a Imagem Peregrina vai passar pelas ruas, de 1 a 11 de maio, e a 12 de maio é recitado o terço, às 19h00, na Capela de S. Bartolomeu.
A 14, 21 e 28 de maio, às 18h30, há oração do terço, na Igreja Paroquial e nos restantes dias do mês, este momento acontece às 21h00.

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Edição 762

Memórias e Histórias da Trofa: Auto-viação Trofense – empresa de camionagem para transporte de passageiros

Em 1921, na imprensa local, foi possível ver anúncios relativamente a uma empresa existente de seu nome “Auto-Viação Trofense” que pelo anúncio fazia e assegurava as viagens entre a Trofa e a Póvoa.

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Atualmente, as empresas de camionagem, fruto do investimento dos portugueses na aquisição de viatura particular, foram um pouco relegadas para segundo plano.
Contudo, de forma gradual, no século passado, essas mesmas empresas viram a sua importância aumentar, tornando-se, inclusivamente, concorrentes diretas do comboio.
As empresas de camionagem foram crescendo um pouco por todo o país, demonstrando a enorme vitalidade daquele negócio e a Trofa não seria exceção a essa regra.
Em 1921, na imprensa local, foi possível ver anúncios relativamente a uma empresa existente de seu nome “Auto-Viação Trofense” que pelo anúncio fazia e assegurava as viagens entre a Trofa e a Póvoa.
Aliás, não deverá ser esta a sua única viagem, até porque é descrito “como a época de banhos do mar”, demonstrando que a sua atividade era anterior e também mais abrangente, dando-se ao luxo de poder realizar uma época específica para servir o seu potencial cliente.
Essa fase da sua atividade ia desde o dia 1 de julho até 15 de novembro de 1921 e ligava a Trofa à Póvoa de Varzim e fazia igualmente o percurso inverso, sendo que completava esse serviço com a ligação aos comboios do Minho e Douro e também de Guimarães.
O preço da viagem era pago ao quilómetro, concretamente dez centavos, e caso desejasse levar bagagem era de graça os 15 quilos, mas se levasse mais peso consigo pagava o excedente a quatro centavos o quilo.
A viagem demorava, sensivelmente, uma hora e realizava-se, somente, uma vez em cada sentido, em que da Trofa para a Póvoa saía às 10h00 e chegava ao destino às 11h00 e para regressar à Trofa partia às 16h30 e chegava às 17h30.
Um horário que funcionava durante o mês de julho, mas relativamente ao outro espaço temporal, de 1 de agosto até à data terminal do serviço, o número de viagens era mais elevado, alternando as partidas e as chegadas da Trofa com a Póvoa entre as 8h e as 18h30, dando por terminado o serviço às 19h30.
A companhia realizava igualmente serviços de recreio nos outros dias, concretamente ao domingo e dias santos em que na sua viagem até à Póvoa fazia paragens em Lagoa, Maganha, Bicho, Macieira e, por último, Vila do Conde. Saindo da Trofa às 13h30, regressava apenas às 24h00.
O seu chefe de movimento era Joaquim da Costa Pereira Serra e relativamente a esta empresa não foi possível recolher mais dados, desconhecendo-se mais elementos que seriam fundamentais para o seu estudo, concretamente as viaturas, o seu número e até outros serviços e rotas que poderia realizar.
Contudo, fica claro que a Trofa ia dando cartas em mais um serviço e as suas dinâmicas de crescimento eram elevadas que obrigavam inclusivamente à colocação ao serviço de uma empresa de camionagem para transporte da população.

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