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Edição 764

Escrita com Norte: Brito de Jesus

Sem aviso prévio e sem direito a defesa, Brito é agarrado e levado para as masmorras.
Dois dias depois é crucificado na presença de seus amigos e seguidores encabeçados por Maria Madalena, que insistentemente gritam “Gosto! Gosto!…”

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Zé, filho de José e de Maria José, nascido há muitos anos, era uma criança como todas as outras, vivaça, traquinas e de nome “Zé”, como todos os seus amigos! Devido à necessidade de se diferenciarem, tratavam-se pelo segundo nome ou apelido e Zé, filho de José e de Maria José, era tratado por Brito.
O tempo era passado nas ruas de terra a chutarem uma amálgama de trapos entrelaçados em forma de bola, que chutavam na direcção de dois postes. Como não havia nome para o jogo a que gostavam de brincar, costumavam dizer, “Vamos jogar àquilo?”. Além disto, gadulhas e subidas às árvores.
As disputas das brincadeiras criaram em Brito um espírito competitivo e, desde criança, nunca gostou de perder, muito menos quando jogava “àquilo”, mesmo sem saberem as regras e como se ganhava! Em jovem adulto, viciado no jogo, não da bola, mas de cartas e dados, nunca aceitou uma derrota, que significava perder dinheiro. Costumava frequentar um salão de jogos chamado de “Templo” e nos tempos vagos ia para um monte de oliveiras descansar à sombra das mesmas. O espírito alegre, divertido e de humor refinado que o fazia invejado pelos outros rapazes e apreciado pelas mulheres, contrastava com o comportamento que assumia, como se estivesse possuído pelo diabo, mal entrava no “Templo”. Obcecado e sem regras, não deixava a mesa de jogo, nem quando seus amigos de infância, José Paulo, José Judas e José Pedro, insistiam para que viessem embora.
Numa tarde tórrida de Verão, quando já tinha perdido quase tudo e já estava a apostar as sandálias, o “coupier” da mesa, o sacerdote José Ahmushef, expulsa-o à força, tendo Brito durante a saída do “Templo” mandado umas mesas pelos ares.
Já numa esplanada de um café, Brito, mais calmo, e seus amigos, tomavam uma cerveja de tâmara fresquinha sem saberem que o dono do salão de jogos tinha mandado no seu encalço um grupo de capangas para o castigar pelos prejuízos causados. Quando estes chegam à esplanada, junto do grupo de amigos, o cabecilha pergunta:

– Conhecem o Brito?

– Sim! É aquele. – responde José Judas, apontando para Brito, sentado no outro lado da mesa.
A expressão de Brito e restantes amigos, foi de total espanto.
Os capangas atiram-se a Brito e este, desesperado, grita:

– Sou nada, o José Judas mentiu. Ou sou o Brito…de Jesus!
Perante este esclarecimento, no meio da confusão que se começava a instalar, os “gorilas”, comentam entre si – Nós queremos apanhar é o Brito…só! – e desaparecem!
Triste com a traição do amigo, Brito sente a necessidade de estar só e muda-se de mesa. Maria Madalena, rapariga avispada, que já andava de “olho” em Brito há algum tempo, aproxima-se e senta-se na mesma mesa.

– Olá, Brito!
Brito, cabisbaixo, levanta as sobrancelhas franzindo a testa e avista a bela mulher. Recupera a postura e:

– Conhecemos-nos, bela mulher?
Maria Madalena, mais conhecida na noite, como MM, perante o galanteio sorri e insinua-se:

– Gostava que fôssemos amigos!

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– Nem pensar! – responde Brito, prosseguindo – Tinha cinco mil e um amigos, acabei de perder um dos melhores, por traição, e sobram-me cinco mil potenciais traidores! Chega de amizades, se quiseres, segues-me!
E assim foi, Maria Madalena começou a passar a palavra de que Brito atingiu o limite de amigos e que agora só aceitava “seguidores”, começando a liderar um grupo cada vez maior, sedento de saber o que Brito fazia.
Contemporâneo de Brito e na mesma zona andava um indivíduo de nome Jesus, a fazer tanto ou mais sucesso do que Brito, sendo administrador de um “grupo fechado” de doze amigos, mas aberto a seguidores, cada vez em maior número. Pilatos, um poderoso “influencer”, que se gabava de ser a pessoa com mais “seguidores”, movido pela inveja, manda os seus seguranças prender Jesus. Nessa busca para o apanhar, os seguranças vão ter à praça principal, rodeada de esplanadas onde vários grupos de amigos e conhecidos matam a sede com a bebida mais servida, a cerveja de tâmara fresquinha.
Abel, líder dos seguranças, no meio da praça grita para todos ouvirem:

– Alguém sabe onde está Jesus?
Os capangas que dias antes perseguiam Brito, em uníssono respondem:

– O Jesus está ali! – apontando para uma mesa próxima, onde está Brito, relaxado, de perna cruzada a coçar os dedos do pé.
Sem aviso prévio e sem direito a defesa, Brito é agarrado e levado para as masmorras.
Dois dias depois é crucificado na presença de seus amigos e seguidores encabeçados por Maria Madalena, que insistentemente gritam “Gosto! Gosto!…”
Nas proximidades passava Jesus, que ao assistir à cena exclamou – Ui, eu é que devia estar ali e a MM a gritar por mim! Aquele gajo estragou tudo!

Imagem: DR

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Edição 764

Vinhos verdes homenageiam património trofense

Considera-se a “Sub-região do Ave” a região dos Vinhos Verdes que abrange os concelhos de Vila Nova de Famalicão, Fafe, Guimarães, Santo Tirso, Trofa, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e parte do concelho de Vizela.

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O Vinho Verde, produzido na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, em Portugal, constitui uma denominação de origem controlada (DOC), cuja demarcação remonta a 18 de setembro de 1908 (no reinado de D. Carlos). O Vinho Verde é “único” no mundo. É produzido no território entre os rios Douro e Minho, no noroeste de Portugal, uma região costeira. Esta região (de Entre Douro e Minho) possui um clima ameno e chuvoso, que permite a criação de vinhos únicos, leves e jovens. Os vinhos desta região possuem, ainda, reduzidos níveis de álcool e bastante frescura, sendo vinhos aconselhados para acompanhar aperitivos e pratos leves. Alguns enólogos apontam a razão do termo “Vinho Verde”, graças à sua “alta acidez”, remetendo ao perfil ácido das uvas produzidas na região delimitada geograficamente como “Vinho Verde”.
Reza a história que terão sido os Vinhos Verdes os primeiros vinhos portugueses exportados para os mercados europeus. “Nos séculos XVI e XVII, os vinhos do Vale do Minho e do Vale do Lima eram regularmente transportados para o norte da Europa nos mesmos barcos que traziam o bacalhau e produtos manufacturados para sul”.

Sub-região do Ave

Considera-se a “Sub-região do Ave” a região dos Vinhos Verdes que abrange os concelhos de Vila Nova de Famalicão, Fafe, Guimarães, Santo Tirso, Trofa, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e parte do concelho de Vizela.

(…)

António Costa

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Edição 764

Construção do cemitério de S. Mamede do Coronado

A 11 de agosto de 1911, era aprovada a deliberação da Junta de Paróquia da freguesia de S. Mamede do Coronado para um empréstimo que tinha sido pedido previamente em julho daquele ano.

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Durante séculos, existiu na cultura popular/católica dos portugueses o pensamento de que os corpos dos falecidos deveriam ser, obrigatoriamente, enterrados no interior das igrejas, embora, por razões evidentes de espaço, nem sempre fosse possível essa prática, como também, até na hora da morte, havia distinções de tratamento.
O espaço do interior das igrejas e restantes templos católicos, por vezes por questões também de estatuto, ficava destinado para os senhores de classe social mais elevada e os mais fragilizados da sociedade eram encaminhados para o espaço em redor do templo.
O século XIX é pródigo em tentativas de mudança de mentalidade nos portugueses. Existiu um esforço por parte das autoridades para incutir elementos racionais, deixando o sagrado para um patamar secundário, fruto da evolução do conhecimento científico que se ia registando um pouco por toda a Europa.
A oposição da população foi, por vezes, bastante cáustica. Referência para os confrontos popularmente conhecidos por “Revolta da Maria da Fonte”, mas, aos poucos, os cemitérios entraram na certeza dos portugueses.
Um investimento que tinha de ser realizado pelo poder local, mas nem sempre o fator financeiro era favorável para a concretização dos mesmos, algo que aconteceu em S. Mamede do Coronado.
No ano de 1900 e anteriores, discutia-se a construção de um cemitério, desconheço, de forma humilde, qual seria a solução utilizada para o enterro dos mortos entre a deliberação oficial do Governo e aquele momento.
A Junta de Paróquia, que hoje equivale em termos homólogos à Junta de Freguesia, solicitava ao Ministério do Reino, responsável pelos assuntos de governação nacional, um apoio para a construção desse equipamento.
A 11 de agosto de 1911, era aprovada a deliberação da Junta de Paróquia da freguesia de S. Mamede do Coronado para um empréstimo que tinha sido pedido previamente em julho daquele ano.
O empréstimo era de um valor considerado elevado, concretamente 731$640 reis, que tinha de ser amortizado no período máximo de 24 anos, pela anuidade de 30$485, que tinha como salvaguarda de pagamento 15% da derrama, que os paroquianos tinham de cumprir para a conclusão da obra do cemitério paroquial.
O documento era assinado por Rodolpho Hintze Ribeiro, uma das maiores figuras políticas dos últimos anos da monarquia.
Finalizando, assistimos a um Estado que empresta dinheiro ao poder local, mas que faz cativação de verbas para garantir esse pagamento que, por vezes, poderia ser a última solução para ser possível construir equipamentos coletivos fundamentais para a vida da sua comunidade.

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