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Edição 772

Escrita com Norte: A vida é um jogo

Ponho-me de lado para o balcão e fico de frente para uma das televisões sintonizadas no FCP versus Marítimo. Por baixo dela, uma mesa, onde estão sentados um rapaz e uma rapariga, novinhos…se calhar o primeiro encontro!

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O sábado é para mim um dos dias mais “amigos”, mesmo quando começa mal, como aconteceu este fim-de-semana.

O despertador toca às sete da manhã. Consciente do seu significado, estico as pernas, sacudo a cabeça na almofada… e o fim-de-semana que nunca chega.

– Alto, mas hoje é sábado. – pensei.

O corpo volta a encolher e mantém-se fofinho debaixo dos cobertores e a cabeça volta a “acamar” na almofada com um sorriso de menino que se deixa adormecer a pensar na futebolada dessa tarde, às cinco horas, com os “marretas” dos amigos!

Todas as actividades domésticas e de lazer, até às quatro e meia, são executadas com parte (quase todo) do pensamento virado para o jogo. Devo dizer-vos, que mesmo quando estou em viagem e no melhor dos sítios, às cinco da tarde de todos os sábados, desejo estar no pavilhão do liceu da Trofa, para uma hora de intenso pontapé na bola.

O que acontece durante essa hora vou omitir, para que os caros leitores e amigos não fiquem a pensar, “Este gajo tem a mania de que é o melhor!”…mas curiosamente sou!
Muitas vezes, a futebolada é seguida de uma ida à tasca “Canzoada”, cujos donos, a dona Natália e o Sr. Manuel, são amigos de infância dos nossos pais. Ele não nos deixa passar sede, ela não nos deixa passar fome!

É o nosso “sítio mágico”, onde deixamos de ser crescidos, de ser casados (a não ser que a mulher ligue a perguntar: – Demoras?), alguns, de ser pais, onde nos desligamos da posição profissional que cada um ocupa de segunda a sexta e esquecemos o politicamente correcto, que ficou há muito à entrada do pavilhão. A cabeça volta a ser pré-adolescente e a de alguns até infantil, onde a amizade basta e voltamos a descobrir o mundo! Ontem, já proibidos de soprar ao balão, ouvimos do Ricardo a história sobre um ex-gay e, também, que a mulher quanto mais velha, melhor…

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Já atestado e num estado quase a roçar a má disposição, apesar da insistência de alguns para acabar de ver o FCP versus Marítimo, despedi-me.

Parecia estar a sair de uma cena suave do “Feios, porcos e maus”, mas mesmo assim sentia-me demasiado bonito para me esconder já em casa. Com vontade de uma “comédia romântica”, parei no café S. Martinho.
Entro e encosto-me ao balcão, lá dentro a sala está cheia.

– Café, Calheiros?

– Sim, David.

Ponho-me de lado para o balcão e fico de frente para uma das televisões sintonizadas no FCP versus Marítimo. Por baixo dela, uma mesa, onde estão sentados um rapaz e uma rapariga, novinhos…se calhar o primeiro encontro!

O FCP controlava o jogo e sem ela ver, ele mantinha as mãos debaixo da mesa, desassossegadas de nervosismo. O Marítimo não conseguia sair da defesa e o sorriso tremia, sem se conseguir manter firme, o FCP reparou nisso e sentia-se segura e dona do jogo, fazendo jus à tez morena e cabelos pretos ondulados.

Quando desviava o olhar da televisão para aquela mesa, nunca o via a falar… adivinhava-se uma goleada do Porto. Ela estende os braços pela mesa e deixa uma mão próxima da dele.

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“Põe a mão em cima da mesa e encosta-a à dela!” – Torcia eu, como se estivesse a jogar aquele jogo. Como sportinguista, queria muito que o Marítimo empatasse e acontece aquele momento.

Naquele momento, ela faz-lhe uma pergunta, o miúdo abre a boca e penso que o vou ver finalmente a falar, mas o Marítimo perde novamente a bola e o Porto carrega mais uma vez…

Aquela menina, por quem era capaz de me apaixonar se tivesse 16 anos, massacrava aquele rapaz, perguntando e respondendo, usando a táctica do monólogo. Não entendia porque tinha ela saído com ele! Mas enfim… os jogos têm que ser jogados, senão perdemos por falta de comparência!

Cansado de ver um jogo em sentido único, paguei o café e fui embora com dúvidas se haveria um beijo nessa noite!

Quando chego a casa, deito-me e ligo a televisão para me ajudar a adormecer. Quando vou a cerrar os olhos passa em rodapé, “Marítimo empata no Dragão”. Adormeci como acordei, encolhido e fofinho, debaixo dos cobertores, e a cabeça “acamada” na almofada com um sorriso de menino, que conseguiu um beijo nessa noite, que vai guardar para toda a vida!

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Festa de Nossa Senhora das Dores: ONTEM, HOJE E SEMPRE

“Não foi a Trofa que impôs a Nossa Senhora das Dores, mas a Nossa Senhora das Dores que impôs à Trofa”

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Terminaram as festas de Nossa Senhora das Dores de 2022. Parabéns à Comissão de Festas. Virou mais uma página da longa história iniciada há cerca de 256 anos! Viva as próximas festas de Nossa Senhora das Dores, em 2023, e a próxima aldeia a realizar as mesmas. As próximas festas…

 

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Folha Liberal: Lucros excessivos

Então, quando olharmos para os lucros de uma empresa, temos também de olhar para a sua dimensão, para o seu volume de negócios, para o número de trabalhadores, para os investimentos que foram necessários para se obter esses lucros, porque, a não ser assim, corremos o risco de ficar com uma visão claramente distorcida.

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Há alguns meses, as empresas, que a isso são obrigadas, nomeadamente pela sua dimensão, apresentaram os seus resultados semestrais, provocando um grande alarido, já que os lucros foram muito elevados.
Houve uma grande indignação, porque enquanto as famílias e as pessoas estão a sofrer, e muito, com o aumento do custo de vida causado pela elevada inflação, pela desvalorização do Euro face ao dólar e pelo aumento das taxas de juro, essas empresas tiveram lucros que muitos consideram excessivos.
O que devia causar alarido e indignação são os prejuízos que algumas empresas públicas têm ano após ano, e que no final, os contribuintes são sempre chamados a pagar.
De qualquer dos modos, é um erro e não se devem analisar as contas, sejam elas quais forem olhando apenas para um dos dados. É preciso olhar de uma forma global, para se fazer uma avaliação correta.
Vou dar um exemplo: No concelho da Trofa existem um pouco mais de quatro mil e trezentas empresas, que empregam um pouco mais de vinte mil e trezentas pessoas. Mas, só nas quatro maiores empresas do concelho trabalham 13,5% das pessoas. Se estas quatro empresas tivessem um lucro equivalente a 13,5% dos lucros de todas as empresas, isso seria considerado excessivo?
Estas mesmas quatro empresas, representam quase 39% do volume de negócios de todas as empresas do concelho. Se estas quatro empresas tivessem 39% dos lucros de todas as empresas isso seria considerado excessivo? Em que medida? Se têm 39% do volume de negócios, o mais normal não seria ter essa percentagem dos lucros?
Então, quando olharmos para os lucros de uma empresa, temos também de olhar para a sua dimensão, para o seu volume de negócios, para o número de trabalhadores, para os investimentos que foram necessários para se obter esses lucros, porque, a não ser assim, corremos o risco de ficar com uma visão claramente distorcida.
Além disso as empresas que dão lucros são as que pagam impostos. Por outro lado, a rentabilidade dos fundos onde as pessoas aplicam as suas poupanças, bem como a rentabilidade dos investimentos da segurança Social, que garantem as reformas, são assegurados pelos lucros destas empresas.
As grandes empresas, privadas, costumam ter grandes lucros, e isso é uma coisa boa! Que o digam os seus trabalhadores, os seus fornecedores etc.
No nosso concelho temos algumas grandes empresas, mas é preciso criar condições para que mais empresários invistam cá, nomeadamente, criar zonas industriais, ou empresariais bem estruturadas, melhorar as vias rodoviárias, para que não se percam horas intermináveis em filas de trânsito e exigir a expansão da linha do metro até à Trofa.

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