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Edição 510

Escola da Mundos de Vida com aulas dadas em duas línguas

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Mundos de Vida vai arrancar com projeto inovador no país e pioneiro no Norte de Portugal. A escola bilingue abre em setembro e promete ajudar crianças na aprendizagem do inglês.

A partir de setembro, as aulas do 1.º ciclo do Colégio Mundos de Vida vão ser ministradas a duas línguas: português e inglês. A escola bilingue é o novo projeto da fundação, inovador no Norte de Portugal, que contará com a parceria da British Council, empresa pública inglesa. O protocolo de colaboração entre as duas entidades decorreu no dia 6 de fevereiro.
A nova escola, instalada em Lousado, vai abrir em setembro com “uma turma” de 1.º ano, com o máximo de 26 alunos, e terá mensalidades “30 a 50 por cento mais baixas do que uma escola privada na região”, atestou o presidente da Mundos de Vida, Manuel Araújo.
Este modo de ensino consiste em ministrar uma parte – entre 25 a 50 por cento – do plano curricular em língua estrangeira, neste caso em inglês. Julie Tice, que coordena os projetos do British Council em Portugal, referiu que “não há mistura de língua na aula” e exemplificou com a disciplina de Estudo do Meio, em que as crianças aprendem “uma parte em inglês e outra em português”. “Se tratarem do tema do corpo humano, no 1.º ano através do inglês e no 2.º através do português, e assim por diante, chegarão ao 4.º ano com o ensino do tema nas duas línguas”, explicou.
Julie Tice referiu-se a “vários estudos e pesquisas” que atestam “o potencial” do ensino bilingue “para o grande êxito de aprendizagem de uma língua estrangeira”.
E mais. Já foi possível confirmar que “o ensino bilingue promove a aprendizagem da língua materna”. “Em Espanha, foi feita uma comparação entre o trabalho escrito em espanhol de crianças das escolas bilingues e de escolas tradicionais e as primeiras tiveram um desempenho melhor”, exemplificou Julie Tice.
Há ainda outros “benefícios” ao nível do “pensamento crítico e das atitudes”. Para a representante do British Council em Portugal, hoje em dia, a língua inglesa “é uma necessidade para todos e deve ser considerada como conhecimento básico”.
Foi a pensar neste “valor acrescentado” que a Mundos de Vida decidiu apresentar este projeto. Manuel Araújo tenciona que a fundação “deixe uma marca” no ensino. “Depois de 30 anos a educar crianças, a Mundos de Vida entendeu que podia oferecer mais valor à comunidade, oferecendo uma educação bilingue. A criança vai aprender, naturalmente, o inglês como aprendeu a língua materna”, referiu.
Segundo o presidente da fundação, através do projeto poderá nascer “protocolos” com “algumas empresas”, para que “os filhos dos trabalhadores sejam integrados nestas escolas”, com possibilidade de ter “descontos” na mensalidade.
Para a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, a escola bilingue da Mundos de Vida não constitui concorrência para o ensino público, mas sim um parceiro no aperfeiçoamento do projeto educativo do concelho. “Esperamos que, através deste projeto, consigamos passar a mensagem junto dos agrupamentos que a aposta no inglês tem de ser muito mais do que as AEC (Atividades de Enriquecimento Curricular), independentemente de estar em cima da mesa a possibilidade de se colocar o inglês em versão curricular no 1.º ciclo”, afirmou Leonel Rocha, vereador da Educação.
A Escola Bilingue da Mundos de Vida terá dois professores residentes por turma, um deles especializado no ensino do inglês a crianças.

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Terrorismo financeiro

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Joao mendes

Graças a mais uma corajosa e exaustiva investigação do The International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), ficamos esta semana a conhecer um novo caso de fraude financeira de dimensões astronómicas. Após a denúncia inicial de um antigo funcionário do banco HSBC em 2008 ter passado algo despercebida na imprensa, o ICIJ revelou esta semana que mais de 100 mil clientes deste banco, oriundos de cerca de 200 países, fizeram uso de esquemas complexos e sofisticados de fuga aos impostos nos seus países através da filial suíça deste banco.
Os números estão em constante actualização mas, segundo a Euronews, estamos a falar de um montante superior a 180 mil milhões de euros, valor que daria para pagar duas vezes o resgate financeiro a que Portugal foi sujeito (78 mil milhões) e ainda sobraria para pagar todos os estádios do Euro2004 (665 milhões de euros) 36 vezes. Através do esquema agora denunciado, que envolve paraísos fiscais e outros estratagemas obscuros, este valor saiu dos países de origem sem pagar um cêntimo de impostos.
Entre os clientes do HSBC que alinharam neste conluio, contam-se políticos, atletas de alta competição, empresários, membros de famílias reais, estrelas de Hollywood e até personalidades associadas ao tráfico de armas e de droga. Multimilionários sem qualquer tipo de problemas financeiros que justificassem esta monstruosidade. Pura ganância.
Como não poderia deixar de ser, Portugal está “representado” neste golpe com uns “humildes” 858 milhões de euros. Entre os nomes revelados até ao momento, destaca-se o de Américo Amorim (5,2 M€) e duas empresas com a chancela Espírito Santo – ESAF SGPS e ESAF Asset Management – que juntas aplicaram cerca de 310 milhões de euros neste esquema. Tenham este dado em consideração quando a factura do afundamento do universo Espírito Santo começar a sair do vosso bolso.
Enquanto escrevo estas linhas, as televisões dão conta dos resultados operacionais da CGD no ano de 2014: -348 milhões de euros, resultado para o qual a exposição ao Grupo Espírito Santo foi um dos factores decisivos. Para os mais distraídos, é sempre bom relembrar que a CGD é um banco público, logo propriedade de todos. Se apresenta prejuízo, trata-se de um prejuízo de todos. Se parte desse prejuízo diz respeito a um banco gerido por autênticos mercenários financeiros, todos em liberdade e confortavelmente instalados nas suas mansões na Comporta, talvez esteja na hora de nos questionarmos seriamente sobre as prioridades de um país onde há pessoas a morrer nas urgências dos hospitais porque o SNS não tem recursos para dar resposta às suas necessidades.
Na selva desregulada que o actual regime neoliberal nos vem impondo, a única lei que impera é a do mais forte. Num dia obtêm-se lucros magníficos, imediatamente distribuídos pelos accionistas, no dia seguinte assistimos à implosão de instituições bancárias que acabam por ser resgatadas pelo dinheiro dos nossos impostos. E os responsáveis por estes atentados seguem com as suas vidas sem que um cêntimo lhes seja subtraído até porque, quando a bolha rebenta, estes terroristas nunca têm bens em seu nome. Em 2014, o BES desintegrou-se, CGD (-348 milhões de euros, BPI (-161,6 milhões de euros) e BCP (-217,9 milhões de euros) registaram prejuízos significativos e a conta do BPN não parou de aumentar. Enquanto isso, o desespero invade comissões parlamentares. Até quando seremos vítimas do terrorismo financeiro?

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“Variante Inviável” e a “Circular” que não circular…

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Finalmente foi tornada pública a tão esperada solução do problema da “Variante da Trofa”, por parte do Sr. Primeiro Ministro de Portugal, Dr. Pedro Passos Coelho.
Com a carga de cepticismo que muitos Trofenses detêm relativamente ao investimento público na Trofa, fui a esta sessão na expectativa de conhecer a solução para o problema que ao longo do tempo (duas décadas) sofreu sucessivos avanços e recuos, que extravasam as cores partidárias. Mas se a solução estava encontrada, IMPORTAVA ANTES DE MAIS CONHECÊ-LA, PORQUE, PARA BEM DA TROFA, A CONCRETIZAÇÃO DA OBRA É NECESSÁRIA.
Mas, se acredito existir algum consenso quanto ao facto desta “circular” poder melhorar a situação do caos rodoviário na Trofa, criando um eixo alternativo, já apresento fortes reservas que esta seja a solução ansiada pelos Trofenses.
Ora vejamos:
1º. A “circular” que no dicionário será “Que tem forma de círculo; Cercar; Circundar” é tudo menos uma circular. “Um Eixo alternativo a EN14”, referiu o Presidente das Estradas de Portugal (EP), mais coerente a meu ver, mas que fundamentalmente é uma via de eixo simples, que abandona saídas desniveladas similares às vias rápidas, e desagua em rotundas iguais ao nosso tão desesperante “Catulo”. Esta é a proposta da “circular” apresentada, no receio que possamos vir a ter “Catulos 2, 3, 4”.
2º. Na apresentação pública, está escrito “A circular da Trofa para além de assegurar o desvio do tráfego do centro urbano (…)”, o que merece o meu regozijo, porque foi o motivo pelo qual se lutou pela Variante, tirar o trânsito pesado do centro. Verifico, no entanto no traçado proposto (nunca discutido), que o trânsito pesado de mercadorias passa, nesta “solução”, pela rotunda da escola EB 2/3 Napoleão Sousa Marques e segue pela actual Avenida 19 Novembro, junto à nova estação da Refer e do aglomerado habitacional aí existente. Esta zona será urbana ou rural? No anterior projecto este trajecto ligava à Variante para quem aí queria entrar/sair, agora faz parte integrante. Será partida de Carnaval, dado o corso carnavalesco ser nesse local?
3º. Quando o Primeiro Ministro afirma, “A Variante é inviável” e será feita a “libertação do espaço canal reservado no âmbito do processo original da variante à EN14 entre a Maia e Famalicão”. Caros trofenses, morre definitivamente a possibilidade futura de se transformar em Variante, ficando apenas como um “Eixo Alternativo”, sem segundas fases, possibilidade de expansão futura, e a passar pelo centro urbano da Trofa.
4º. Afirma-se que têm uma “solução económica, mas eficiente” passando de 190 milhões de euros para 36 milhões de euros, convenhamos um feito que merece aplauso. Lamento que se ignore a proposta de resolução de 2012 subscrita pelos 3 municípios que previa redução expressiva de custo com a variante, ficando com um “Eixo alternativo” porque temos que apertar o cinto. Obviamente percebo a necessidade de mudança de paradigma. Necessitamos cortar despesa, mas não percebemos o que é investimento estratégico. O Plano de investimentos da EP 2015-2020 contempla 886,3 milhões de euros de investimento, em que não é possível uma “Variante na Trofa”, porque só temos 36 milhões de euros. Continuamos a potenciar Zonas Industriais (vizinhas), com menor carga fiscal, novas acessibilidades que se traduzem em cada vez maior atractividade face à Trofa.
Percebo o lema “Trofa, o futuro passa aqui”, só lamento que não se consiga que o futuro se viva aqui.

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