Há muitos anos que a problemática do envelhecimento da população tem sido abordada, no entanto o conceito tem evoluído e tem sido encarado de formas diferentes consoante a cultura de cada povo, mas é no período após a II Guerra Mundial que o envelhecimento da população começa a preocupar.

 Em Portugal, apenas na década de 50 se começa a pensar a problemática e as consequências possíveis do envelhecimento da população.

No mundo ocidental e sobretudo após a Revolução Industrial desaparece o conceito e modelo de família, baseado na economia da terra, onde a quantidade de filhos era sinónimo de riqueza já que representavam mão-de-obra.

Diminuem o número de filhos e o conceito de pessoa idosa altera-se profundamente. A pessoa idosa perde o seu estatuto, já que importava agora o lucro e a produtividade.

De facto envelhecer há 50 anos não atrás não constituía um problema, era encarado como um fenómeno natural, não só porque os idosos eram poucos, mas porque tinham um estatuto social e uma imagem na sociedade diferente da de hoje, já que o ser velho era sinónimo de sabedoria.

Até 2050, o número de idosos no planeta excederá o de jovens, pela primeira vez na história da humanidade.

Em 1997, a Organização Mundial de Saúde, introduz o conceito, "Envelhecimento Activo", baseado no princípio de permitir aos idosos que permaneçam integrados e motivados na vida laboral e social.

É sem duvida um conceito com uma grande clareza e que deve ser o pensamento do futuro.

Com o aumento crescente da esperança media de vida, torna-se urgente proporcionar às pessoas mais idosas a continuidade nos locais de trabalho, adaptadas às suas características e condicionamentos, proporcionar uma velhice calma, saudável e confortável, dentro das suas possibilidades e integra-los na vida social.

Um grande desafio.

De facto o envelhecimento da população, o decréscimo populacional constitui dos grandes desafios do século XXI.

O aumento do número de idosos, trará inúmeras consequências, a par da pressão nos sistemas da saúde e segurança social, mudanças sociais profundas, cuidados de saúde acrescidos, solidão, pobreza, problemas económicos, exclusão social e cultural, são alguns dos exemplos.

A estrutura do emprego, terá de ser mais adequada ao envelhecimento da população, de modo a que os mais velhos vejam incentivos em prolongar a sua actividade profissional e o façam com prazer e satisfação. Este enorme recurso deverá ser aproveitado e valorizado.

As actividades culturais, sociais e físicas devem ser estimuladas e a criação de serviços e equipamentos para os mais velhos, deve ser considerada.

Os próprios edifícios privados e públicos têm de reflectir cada vez mais uma preocupação com a mobilidade para todos, sobretudo com os mais idosos e com os indivíduos idosos ou não mas com reduzida mobilidade.

Mas, para mim, o grande desafio passa pela mudança das mentalidades e no sei da família. Teremos obrigatoriamente de perceber que os mais velhos, com os seus conhecimentos e valores devem, constituir uma enorme mais valia. Teremos de saber respeitá-los e valoriza-los e proporcionar-lhes as melhores condições de vida, onde não caiba solidão, pobreza, abandono e tristeza.

O respeito pelos mais velhos deverá reflectir o desenvolvimento de uma sociedade.

A todos sem excepção desejo um 2008 cheio de conquistas pessoais e profissionais com muita paz, saúde e amor e já agora com respeito e admiração pelos mais velhos.

Bom Ano

Teresa Fernandes