Engenheiro trofense, que trabalha na Astrium, esteve na Escola Secundária da Trofa para apresentar uma palestra sobre “Exploração Espacial”.

 Sabia que devido à pressão existente no ambiente cósmico, os equipamentos que são lançados para o espaço não podem conter, por exemplo, borracha, zinco, magnésio, PVC ou tinta? E que os veículos que estão em órbita, como os satélites, são equipados com métodos que equilibram a temperatura, já que as faces expostas ao Sol e planetas ficam extremamente quentes e as que estão viradas para o escuro ficam muito frias? Estas são apenas duas das muitas curiosidades que o trofense Nuno Silva, engenheiro da Astrium (empresa europeia da indústria espacial), deu a conhecer a dezenas de alunos da Escola Secundária da Trofa que participaram na palestra sobre “Exploração Espacial”. Natural da Maganha, Santiago de Bougado, Nuno Silva viajou para Toulouse, França, em 2000, para fazer Erasmus na Escola Nacional Superior de Aeronáutica e do Espaço e daí a fazer parte da Astrium foi um passo. Hoje em dia, faz parte de equipas que constroem equipamentos que prometem investigar as tempestades solares (Solar Orbiter) e se há vestígios de vida no planeta Marte (ExoMars Rover).

A oportunidade de dar uma palestra na qual explicou um pouco do que se passa no espaço e os estudos que estão a ser desenvolvidos na área espacial surgiu da vontade de um aluno. Francisco Castro, apoiado por um professor, decidiu “mostrar aos alunos alguém que teve sucesso e que vingou na vida”. “Além de gostar destes assuntos, tomei conhecimento do trabalho dele e como ele tem tido pouca visibilidade na comunidade decidi convidá-lo”, explicou.

O estudante do 12º ano pretende seguir o curso de engenharia, mas ainda não tem a certeza se será na vertente aeroespacial, como fez Nuno Silva. O engenheiro, que regressou à escola depois de ali ter concluído o Ensino Secundário, encarou o convite “com muito prazer”. “Acho que é importante que eles vejam quais são as saídas que eles podem seguir, desde as mais às menos exóticas, que existem em todo o lado. O liceu é só uma rampa de lançamento para o que vamos fazer a seguir”, sublinhou.

Apesar de reconhecer que a comunidade não conhece o seu trabalho, Nuno Silva assume-se como “apenas um engenheiro”, cuja “aplicação é que é um bocadinho menos normal”. “Mas como eu há outras pessoas a fazerem carros e máquinas”, frisou.

O engenheiro trofense é um “dos poucos” portugueses que trabalham na Astrium e na ESA (Agência Espacial Europeia).

Em agosto de 2011, o NT deu a conhecer a carreira de Nuno Silva, numa reportagem que explicou, de forma genérica, os mecanismos dos equipamentos nos quais o engenheiro esteve ou está envolvido. Em novembro desse ano, a Câmara Municipal da Trofa atribuiu-lhe uma medalha de mérito municipal pelo contributo dado na investigação espacial.

Leia a reportagem completa na edição desta semana d’ O Notícias da Trofa, disponível num  quiosque perto de si ou por PDF.

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