O processo de instalação da nova empresa têxtil da Trofa estava previsto para “janeiro”, mas foi “suspenso” por um período “nunca inferior a meio ano”, referiu ao NT responsável jurídico da Opportunity.

“Devido a um conflito judicial entre a empresa e o Estado tunisino, teve que se suspender, por algum tempo, o prazo de instalação da empresa em Portugal”. O anúncio foi de Luís Cameirão, representante jurídico da empresa Opportunity, em declarações ao NT, na terça-feira, 7 de janeiro. 

Segundo Cameirão, a empresa “não está a conseguir tirar as máquinas de lá (Tunísia) e por isso ficou decidido, ontem (6 de janeiro), suspender a instalação da mesma em Portugal por algum tempo, nunca inferior a meio ano”.

Este é um revés no processo que estava previsto ser concluído “em janeiro”, de acordo com declarações dadas por Luís Cameirão há um mês. Nessa altura, já havia “algum atraso” relativamente ao agendamento previsto e pelo mesmo motivo: dificuldade de “deslocar um conjunto de maquinaria que vem de uma das fábricas da Tunísia”. “Essas máquinas só foram libertadas há cerca de oito dias e, neste momento, estão em trânsito. A instalação só deve ocorrer no mês de janeiro”, explicou Luís Cameirão no início de dezembro de 2013.

Para a nova empresa da Trofa contavam-se, na mesma data, “mais de 500 candidaturas” para a unidade fabril, de capitais franceses, do ramo têxtil para produção de vestuário desportivo. O advogado frisou que convencer os investidores a instalar-se na Trofa “não foi fácil”, uma vez que estes “já tinham algumas localizações predefinidas, noutros concelhos da zona Norte” e que “por mero acaso” conseguiu encontrar “instalações compatíveis com os requisitos indicados”, na Rua do Poente, em Santiago de Bougado. Esta empresa, acrescentou, ia criar “250 postos de trabalho” aquando a sua instalação e “mais 150 ao fim de três anos de laboração”.

No entanto, já foram “mais de 2500” as candidaturas que chegaram à autarquia, que se prestou a colaborar no processo, afirmou o presidente, Sérgio Humberto. Apesar da suspensão, “a empresa não deu diligências para parar de receber currículos”, acrescentou. “Queríamos que a empresa abrisse em janeiro e estamos a dar outros passos para trazer outras empresas, mas é algo que eu espero que aconteça”, sublinhou.

Esta notícia da suspensão do processo surge dias depois de ter vindo a público a instalação de uma empresa têxtil na freguesia de Vilela, no concelho de Paredes.

Fonte da Câmara Municipal de Paredes afirmou ao NT que se trata de uma empresa de capitais estrangeiros que, em parceria com uma empresa do concelho de Paços de Ferreira, pretende empregar no imediato “cerca de 250 pessoas” e, “a longo prazo 400”, na produção de vestuário desportivo para golfe.

A aquisição do imóvel para a unidade industrial isenta de imposto, a isenção de IMI por cinco anos e o custo das taxas e licenças devidas ao município reduzido a um euro foram os apoios indiretos providenciados pelo município de Paredes.

Apesar das semelhanças, Luís Cameirão garantiu que “não se trata da mesma empresa que se pretende instalar na Trofa”.