As eleições para a Presidência da República, que se vão realizar no próximo Domingo, são muito importantes para o futuro colectivo dos Portugueses e talvez por isso, as sondagens apontam para valores relativamente baixos, no que concerne à abstenção. Tendo em linha de conta que estas eleições se realizam numa época de incertezas e preocupações com o País, o seu presente de crise, que teima em ficar e o seu futuro que se apresenta bastante nebuloso e muito incerto, a taxa de absentismo vai ser aceitável, nestes pressupostos e neste tempo.

Numa análise mais precipitada, dir-se-ia que estas eleições são entre o candidato de direita e os restantes cinco de esquerda, mas bastaria uma leitura atenta às entrevistas dos candidatos, a um jornal de economia, para se aperceber que não é bem assim. É interessante verificar que pelo menos em matéria de economia e finanças, alguns candidatos ditos de esquerda têm posições bem mais conservadoras que o candidato dito de direita e talvez por isso, e não só, que o candidato apoiado pelos partidos mais à direita (PSD e CDS/PP) possa vir a captar votos em eleitores de todos os partidos políticos, até do Bloco de Esquerda.

O candidato Cavaco Silva vai conseguir um resultado vitorioso. A avaliar pelos resultados das últimas sondagens vai até conseguir o feito de ser o candidato mais votado pelos eleitores que nas últimas eleições legislativas votaram no Partido Socialista e que levaram José Sócrates a Primeiro-Ministro.

O candidato oficial do PS, Mário Soares, está mais interessado na luta pelo segundo lugar e assim ficar à frente do seu camarada Manuel Alegre do que derrotar o seu adversário natural, mas a presença diária e constante, em campanha eleitoral, de Ministros e do Primeiro-Ministro, está a dificultar esse objectivo, posicionando-se o candidato/poeta numa posição privilegiada e surpreendente para ser o melhor dos socialistas a disputar uma hipotética segunda volta, para desalento de muitos dos dirigentes nacionais, distritais e concelhios, do Partido Socialista que tiveram a decisão, que muita polémica já deu e vai continuar a dar, de terem escolhido Mário Soares para candidato oficial do PS.

Quanto à outra disputa, o comunista Jerónimo de Sousa tem vindo a crescer nas sondagens e também nas adesões às iniciativas comunistas e poderá mesmo ficar à frente do Bloquista Francisco Louça que poderá ser a maior desilusão destas eleições.

O Candidato apoiado pelo MRPP, Garcia Pereira, tem tido as dificuldades naturais e vai ter muita dificuldade para obter um por cento dos votos depositados nas urnas, no próximo Domingo.

É interessante verificar que todos os candidatos se apresentam às eleições com uma convergência arrepiante como se concorressem a Primeiro-Ministro, com os seus “manifestos” que são autênticos programas de governo que sabem bem que não vão poder executar e muito menos impor ao governo.

A nossa Constituição é bem clara nos poderes do Presidente. Para o cidadão comum, neste regime parlamentar, o principal papel do Presidente é de “magistério de influência”, mas nunca de governação a não ser via “telecomando”. Quem quer que ganhe as eleições se quiser “governamentalizar” o lugar de Presidente da República, vai criar a tal instabilidade institucional que tanto se falou na campanha eleitoral.

Não se pode esquecer que em trinta anos de Democracia, tivemos duas dúzias de Governos, a média de um Governo em cada 15 meses, que contrasta com a nossa vizinha Espanha que nesses anos teve meia dúzia de Governos. Não foi só por isso, mas também, que a Espanha teve condições de se desenvolver.

A estabilidade política e governativa ajuda e muito.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt