O período de campanha já começou e as iniciativas dos vários candidatos multiplicam-se ao longo do país no frenesim próprio destes momentos. As propostas (?) são apresentadas sob um ruído que muitas vezes as tornam imperceptíveis, e a troca de argumentos dos envolvidos assume a discussão prejudicando o esclarecimento dos eleitores.

 No entanto, podem ser retiradas duas ideias centrais sobre estas eleições: Não é possível falar sobre propostas para a Europa sem analisar a política interna; O resultado eleitoral é uma incógnita.

 Um dos temas centrais que une a política praticada por este Governo e as eleições é a taxa de execução do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). De forma sucinta, o QREN reflecte a estratégia do país no aproveitamento dos fundos comunitários em diversas áreas como a promoção da qualificação e conhecimento dos portugueses, a promoção do desenvolvimento sustentável e a melhoria da eficiência e qualidade das instituições públicas, para o período 2007-2013. Ou seja, a Comunidade Europeia atribuiu a Portugal o montante de € como comparticipação dos vários projectos de investimento de iniciativa privada ou pública, conforme a tipologia de enquadramento, até 2013.

 Ora, o que acontece é que a taxa de execução desse montante atinge apenas 4% quando estamos a meio do Quadro Comunitário de Apoio. Significa que apenas 4% das verbas atribuídas a Portugal foram investidas e recebidas pelos investidores.

 Este facto assume primordial importância em tempo de crise económica, em tempo de aumento de desemprego, em tempo de necessidade extrema de todos os agentes económicos necessitarem de dinamismo da economia para todos poderem ultrapassar esta fase negativa da vida de todos nós.

 Perante isto, merece o Governo a nossa compreensão? Ou merece o Governo e o Partido Socialista um sinal claro de reprovação? Em caso de reprovação, qual é o partido melhor colocado para vencer as próximas eleições?

 Deixo esta reflexão ao vosso critério.

 O resultado das eleições, a acreditar nas últimas sondagens é uma incógnita. O PSD e o PS estão separados por apenas 2% e ninguém, de forma realista, pode afirmar quem vai vencer o acto eleitoral. Uma coisa é certa, a taxa de abstenção vai ser elevada – por os portugueses estarem distantes das questões europeias, por ser uma semana que muitos vão de férias, etc. – e o resultado não deve ser extrapolado para as eleições legislativas, até porque são actos diferentes.

 Mas, tenho a sensação de que se o PSD alcançar a vitória, como espero, ou obter um resultado muito próximo do PS, terá todas as possibilidades de vencer as eleições legislativas.

 Tenho esta sensação porque os portugueses, que andam desmotivados com a política praticada pelo Governo, pelas dificuldades que atravessam e tem pouca esperança na alteração de rumo, irão acreditar que é possível mudar para melhor.

 A dinâmica de mudança, de um Portugal melhor pode ser uma realidade após 7 de Junho.

 

 P.S.

 Não aproveitei esta coluna para falar do Trofense porque o que aqui escrevi anteriormente mantém-se inalterado. Apenas deixo mais um incentivo a todos aqueles que dirigem o clube, pois bem o merecem.

 Não quero, também, deixar de incentivar e felicitar os novos corpos sociais da Banda de Música que tomaram posse na passada segunda-feira.

Tiago Vasconcelos