As eleições autárquicas realizadas no passado Domingo, dia 9 de Outubro, apontam para alguns dados que obrigam os partidos políticos a profundas reflexões, na sua maneira de fazer política e na forma como encaram as eleições.

 

Na Trofa, o número de eleitores e de votantes cresceu. As urnas registaram afluência e houve mais 500 votos do que há quatro anos e eleitores, a Trofa tem mais 1.000 novos eleitores inscritos nos cadernos. São aumentos a ter em conta!

Mesmo com estes aumentos, o PPD/PSD perdeu mais de 3.100 votos. O partido que gere o Município da Trofa há mais de 7 anos, teve agora nas urnas um cartão amarelo bem forte, pois em 4 anos perdeu na votação para a Câmara esses tais milhares de votos que representam mais de 16%, passando de uma maioria confortável de perto de 65%, para uma maioria de apenas 48%. Os Trofenses (quase 52%), não votaram no PPD/PSD. Foi um abaixamento significativo, tendo em atenção que o partido no poder, usou e abusou de um “palco permanente”. O exagero, tem sido a nota predominante com a utilização desse “palco”, sempre em proveito próprio e em propaganda eleitoral. Os métodos têm de ser mudados, pois na prática não resultaram. As oposições poderão com legitimidade, dizer que se não fosse esse “palco permanente”, os resultados seriam outros, bem diferentes.

As oposições, tiveram pouca capacidade para cativar todos os Trofenses descontentes, mas conseguiram cativar os eleitores que deixaram de votar “laranja”. Os votos “laranja” de há quatro anos e que agora deixaram de o ser, foram na sua totalidade para os partidos da oposição. Enquanto o PPD/PSD perdeu mais de 3.100 votos, os partidos da oposição, contabilizaram mais 3.500 votos do que há 4 anos atrás. O “desgaste do poder” não justifica tudo!

O PCP-PEV cresceu pouco mais de centena e meia de votos. Mesmo tendo efectuado uma mudança em termos de postura, retomou a sua linha mais “ortodoxa”, não foi isso que os tirou da última posição em que se encontra, em termos de forças politicas da Trofa, tendo obtido 3,5% dos votos dos Trofenses.

O maior partido da oposição e que aspira um dia a vir a ser poder na Trofa, o PS, ficou aquém das suas ambições. Durante a campanha eleitoral, foi crescendo em termos de simpatia e foi passando de uma posição de descrença, para uma euforia de quase vitória. Esteve longe e precisava que mais de um milhar de Trofenses tivessem mudado o seu sentido de voto, para festejarem a vitória.

Por muitas razões, o CDS/PP tinha uma forte probabilidade de vir a ser a tal surpresa agradável. O “bater no fundo” por parte do PPD/PSD; a campanha que o CDS efectuou sem qualquer tipo de divisão; os meios com que se apresentou ao eleitorado e em devido tempo, mais de 4 meses antes das eleições estar preparado para elas, vaticinava-se um resultado muito mais agradável. Só na cidade da Trofa, de onde são oriundos e bem conhecidos os seus candidatos, quer à Câmara, quer à Assembleia Municipal, perderam muitos votos. Assim, não foi possível, ao CDS/PP, ser a tal surpresa que a Trofa precisava.

Salvou-se a Freguesia do Muro que, em tempos foi o “farol” do nosso Concelho, pois foi nesta Freguesia que esteve instalada a única sede da “Comissão Promotora do Concelho da Trofa” e daí se organizou o grande movimento da “Ida a Lisboa Buscar o Concelho” em 19 de Novembro de 1998. O CDS/PP ganhou, merecidamente, esta Freguesia.

Votos para que a Freguesia do Muro, volte a ser um “farol” para a Trofa.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt