Votar é preciso 

      É já neste fim-de-semana que se aproxima que decorre a eleição do Parlamento Europeu.

      Trata-se dum Poder distante e, por isso, tem tido, ao longo dos anos, uma forte abstenção. As pessoas abstêm-se tanto mais quanto mais afastado é a sede do Poder. Mas, um Poder afastado não significa um Poder menor.

      As decisões que se tomam a nível europeu têm reflexos cada vez maiores no nosso quotidiano e não falta muito tempo para que as decisões europeias tenham uma influência nas nossas vidas maiores que as decisões nacionais a avaliar pela evolução que tem havido nos últimos anos.

      A campanha eleitoral em Portugal atingiu alguns momentos quentes dominados pelos assuntos nacionais.

      Desde assuntos bancários, até à Justiça, passando pela proposta do novo imposto europeu, não faltaram motivos para aquecer uma campanha que, tendencialmente, seria morna.

      E, numa altura de crise, não espanta que as questões de política nacional tenham merecido um lugar de destaque na campanha.

      E se a crise económica, até certo momento, podia ter beneficiado o partido do poder, hoje parece que essa tendência se inverteu. Ou seja: se a crise permitiu que o Governo alargasse ligeiramente e tomasse algumas medidas simpáticas, hoje, pela sua dimensão e gravidade, tem tendência a penalizar o partido do governo, a julgar pelas sondagens que têm sido publicadas.

      Estas eleições podem ser um ensaio para as legislativas do próximo Outono.

 

      Os Partidos podem aferir das tendências eleitorais dos eleitores e poderá servir de barómetro para as legislativas.

      Não creio que aconteçam grandes surpresas. Apesar de as sondagens indicarem uma aproximação entre o PS e PSD, creio que o PS continuará a ser o partido mais votado.

      Tudo indica que as eventuais insatisfações sentidas pela população, designadamente por motivos económicos, não me parece que essa insatisfação seja suficiente para que o Partido Socialista seja derrotado nesta votação.

      Qualquer que seja a tendência eleitoral de cada um de nós, e, sobretudo, pelo impacto que tem nas nossas vidas, penso que as eleições europeias justificam a nossa presença nas urnas.

      São demasiado importantes e têm demasiadas consequências nas nossas vidas para que os cidadãos continuem a ignorá-las. 

 
 Afonso Paixão