“É tão fácil o prometer, e tão difícil o cumprir, que há bem poucas pessoas que cumpram as suas promessas.”

Marquês de Maricá

Ficamos a saber, no decorrer da última assembleia municipal, pelas intervenções de Nuno Félix, Paulo Queirós e dos presidentes de junta da união de freguesias de Alvarelhos e Guidões, da união dos Coronados e do Muro os seguintes factos: primeiro, na atribuição das verbas para as despesas correntes para o cumprimento das delegações de competência da C.M. Trofa, a União das freguesias de Alvarelhos e Guidões passa a receber menos dois mil e poucos euros por mês do que aquilo que foi atribuído no ano passado para o mesmo território. No presente mandato, esta nova freguesia receberá menos 120 000,00 €; segundo, a proposta das verbas atribuídas que foi inicialmente acordada em reunião efetuada entre a CM Trofa e os presidentes de Junta, foi posteriormente unilateralmente modificada pelo executivo camarário, sem que tenha havido sequer uma nova reunião entre todos para esse efeito; terceiro, os valores apresentados não foram fundamentados por estudo sério baseado em pressupostos razoáveis, nomeadamente em critérios sociais e económicos, acessibilidades, educação, e outros fatores relevantes.

Sem dúvida, existe uma discriminação objetiva de uma freguesia. A União das freguesias de Alvarelhos e Guidões é prejudicada em relação ao passado e às outras freguesias. Além disso a CM desenvolve esta posição à revelia do que tinha acordado anteriormente com os presidentes da junta. Deu o dito pelo não dito e faltou à sua palavra demonstrando falta de carácter. O Sr. Vice-presidente tentou, num esforço dilatado e sacrificado, justificar o injustificável, explicar o inexplicável. Meteu os pés pelas mãos, enrodilhou-se, torceu-se…mas o pecado era demasiado óbvio. Bem tentou o Sr. Presidente salvá-lo. Olhem que a junta até é da mesma cor da câmara. Daquelas justificações que, a contrario, revelam bem o entendimento que se tem da democracia e do respeito nutrido pelo sentir das populações. Mas de nada valeu, está consumado. Afinal, cai por terra a primeira promessa do PSD/CDS: o de tratar com igualdade todas as freguesias.

Com certeza, não será a última. Daquilo que ouvimos, nada de bom poderemos esperar. Os discursos são muito “socráticos”. Muitas promessas de se fazer isto e aquilo… As grandes obras do poder central: a variante à 14 e o metro até ao Muro e depois, mais uma rotunda e outra rotunda. Mas, de facto, apenas promessas. Da realidade, ficamos com os € 85 000,00 para feira anual, a certeza de que a confraria do cavalo receberá € 36 000,00 e com a criação da “marca Trofa”, a remodelação do visual, com logotipos jovens, cores novas e, pela primeira vez, fardas para os funcionários. Simultaneamente, as estradas e ruas das nossas freguesias estão num estado lastimável, começam a surgir dificuldades com a educação e alimentação das nossas crianças e jovens, começa a escassear o dinheiro aos velhos para a compra de medicamentos, aumenta o desemprego, cresce a insegurança, o rio Ave continua poluído, os nossos monumentos, nomeadamente o castro de Alvarelhos, continuam ao abandono…No entanto, desenvolve-se a propaganda. Além da tal “marca Trofa”, também existe um ideólogo que, na assembleia municipal, saltando a terreno em promoção do executivo lá vai publicitando, repetindo à exaustão que nunca, “com tão pouco ou quase nada”, se fez tanto, sendo a atual edilidade uma máquina de poupança. Pode o Sr. Relvas ficar sossegado que tem na Trofa homem para lhe seguir os passos. Mas com “tanta poupança” e afinal com tanto gastos na feira anual, bem podia a vereação ter mantido o acordado com os presidentes de junta e suportar as mesmas verbas para as freguesias, sem discriminações. Mais que não fosse, para firmar a promessa eleitoral de tratar com igualdade todas as freguesias. Só que “é tão fácil o prometer, e tão difícil o cumprir, que há bem poucas pessoas que cumpram as suas promessas.”

Guidões, 4 de Março de 2014.

Atanagildo Lobo