Os agrupamentos verticais de escolas do Castro e do Coronado/Covelas vão fundir-se. Esta é uma das 115 novas unidades orgânicas que resultaram da primeira fase das agregações de escolas feita pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), através das direções regionais de educação.

O anúncio foi feito através de comunicado, no qual o MEC refere que a lista dos novos agrupamentos, “apesar de largamente concluída no essencial, o diálogo com as autarquias, escolas e agrupamentos continua a ser desenvolvido em vários concelhos”, pois existem “algumas propostas de intervenientes que ainda não foram consensualizadas”.

Na Trofa, certa é a fusão dos agrupamentos que agregam as escolas das freguesias de Guidões, Alvarelhos, Muro, Covelas, S. Romão e S. Mamede do Coronado. Renato Carneiro, diretor do Agrupamento do Castro (Guidões, Alvarelhos e Muro), não concorda com a fusão, no entanto considera que “face à proposta que a Direção Regional de Educação do Norte (DREN) fez, e atendendo à divisão do concelho em dois agrupamentos, parece ser a solução menos má”.

No entanto, Renato Carneiro sublinha que a fusão dos agrupamentos se torna numa “situação difícil de governar”, tendo em conta que “aqui (Agrupamento do Castro) temos perto de 900 alunos e do outro lado há mais de mil”. O facto de o docente validar a intenção de conter custos, não o faz esquecer que a distância entre as diferentes escolas assume-se como um dos principais entraves ao bom funcionamento do novo mega-agrupamento: “Por exemplo, existe uma em Covelas e outra em Guidões. São escolas que ficam muito longe. A relação de proximidade a que nós habituamos as pessoas vai perder-se. Nós orgulhávamo-nos daquilo que fazíamos. O docente afirmou que o agrupamento foi confrontado com esta intenção do MEC “antes da Páscoa” e a confirmação chegou “através da DREN, hoje (quartafeira), por email”.

Já José Magalhães, diretor do Agrupamento do Coronado/Covelas, reitera que “a rentabilização dos recursos é a única vantagem que existe na agregação dos agrupamentos”. No reverso da moeda, sublinha, está “a distância  entre os estabelecimentos”. “Tem de haver alguma proximidade em termos de gestão com as escolas, mas acredito que se crie uma estrutura que ajude a eliminar esses constrangimentos”, frisou. E a estratégia para colmatar essa lacuna da distância é “o diálogo”, destacou. “É fundamental o diálogo para que seja possível estabelecer um objetivo consertado entre todos e que não se trate de uma imposição de ‘A’, ‘B’ ou ‘C’”. 

Efetuada a fusão dos agrupamentos, o passo seguinte passa pela nomeação de uma Comissão Administrativa Provisória (CAP), a ser feita pela DREN, que vai gerir os mega-agrupamentos por um ano. A CAP pode até ser constituída pelos elementos das duas atuais direções dos agrupamentos.

Fusão do Agrupamento da Trofa com Secundária em cima da mesa

A DREN tem em cima da mesa a possibilidade de fundir a Escola Secundária da Trofa e o Agrupamento Vertical de Escolas da Trofa, no entanto, esta agregação não consta da lista publicada pelo MEC, facto que a Câmara Municipal da Trofa “estranhou”, já que, segundo Teresa Fernandes, vereadora da educação da autarquia trofense, o acordado entre a autarquia e a DREN foi a fusão em dois megaagrupamentos. A autarca afirmou que foi contactada por aquela entidade “no início de março” para “apresentar uma proposta de agregação de agrupamentos” e que dias depois reuniu com a DREN, juntamente com os diretores dos quatro agrupamentos (Castro, Coronado/Covelas, Trofa e a Escola Secundária). “O que nos foi dito é que gostariam de ouvir a nossa opinião sobre este assunto, mas o que é facto é que a proposta estava praticamente fechada. Disseram-nos que o agrupamento do Coronado e Covelas seria agregado ao do Castro e a Escola Secundária ao agrupamento da Trofa”, explicou.

Noutra reunião, entre os membros do executivo camarário e os diretores, ficou acertado apresentar uma série de contrapartidas como “o reinício das obras do Parque Escolar na Escola Secundária, o avanço da nova EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques e que o ensino do novo mega-agrupamento resultante do de Coronado/Covelas e de Castro fosse alargado ao 12º ano”. “A DREN nunca confirmou que as iria aceitar, mas consideramos que elas faziam todo o sentido tendo em conta o atual cenário das agregações”, frisou Teresa Fernandes. A partir daí, continuou, “ficou definido que nos davam mais novidades, mas não disseram mais nada, no entanto, na sexta-feira, fomos confrontados com a publicação da lista das agregações  em que apenas consta uma fusão no concelho da Trofa e não duas como tinha sido acordado”.

Teresa Fernandes espera “ser atendida” pelo Diretor Regional de Educação para inteirarse das intenções da DREN quanto ao agrupamento da Trofa e Secundária da Trofa. “Diz-se que esta agregação será feita até ao final do mês, mas não temos certezas”, afiançou. A autarca considera “natural” a apreensão de diretores e pais quanto à distância das escolas, mas acredita que esta proposta “é a mais vantajosa” dentro do quadro da política do MEC: “Há necessidade de fazer alguns ajustes, nomeadamente, em termos de pessoas e organização de serviços. Estamos na expectativa, mas considero que com a boa vontade de todos e a colaboração da DREN, pais e associações, este processo decorrerá com normalidade”.

O NT contactou a DREN, mas até ao fecho de edição não prestou quaisquer declarações sobre este processo. 

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