Como a cidade de Chuy/Chui  é compartilhada pelos dois países, os serviços fronteiriços ficam fora da cidade cada um do seu lado. Ao chegar ao lado brasileiro vi que não havia serviços do Uruguai. Não, são do outro lado da cidade – disseram-me. Lá tive que regressar ao Uruguai tratar de tudo e voltar.

Com os papeis em ordem entrei verdadeiramente no Brasil.

Quando cerca de 20 quilómetros à frente vou entrar numa cidade para tentar arranjar dinheiro, a polícia manda-me  parar e pede a documentação da moto e a minha. Aproveito e pergunto a um deles onde posso cambiar dinheiro e ele diz-me que mais dentro da cidade há bancos. Nada!!! A vinte quilómetros da fronteira já não se arranja onde trocar dinheiro.

Só em Chuy teria postos de câmbio. Não quis arriscar a fazer perto de duzentos quilómetros até que aparecesse a primeira grande cidade onde pudesse levantar dinheiro. O remédio foi virar o cavalo para trás e tornar a ir ao Uruguai trocar dinheiro.

Entretanto chegara a hora de almoço e no restaurante conheci um motociclista uruguaio que já tinha visto no posto fronteiriço do Brasil de onde regressava. Conversámos um bocado e ele num gesto de amizade pagou-me o almoço.

Durante a tarde foi sempre a rolar no meio de planícies imensas. As estradas quase não têm curvas e elevações não há. O que se vê são enormes extensões de água cheias de vegetação e que não serão fundas pois anda o gado no meio dessa vegetação.

Quando estou a chegar à bifurcação que dá para Pelotas e Rio Grande começa a chover.  Páro num posto de turismo para saber algumas informações.  

Dá-me ideia que para Pelotas está mais claro e sigo nessa direcção. Aparece a primeira portagem, mas as motas não pagam. Fico nessa cidade.

É uma cidade antiga com edifícios bem recuperados. Anda sempre muita gente nas ruas, mas nota-se um ambiente tranquilo e ao mesmo tempo de azáfama.

À noite, numa praça ao lado do mercado municipal, há a gravação ao vivo de um programa de televisão o "Galpão crioulo". Chuvisca um bocado mas as pessoas não desistem do que é um espectáculo de variedades preenchido quase todo com a música tradicional gaúcha.

 Com a feira do livro, a decorrer nestes dias, aproveito para ver o que se lê por cá e assisto a mais um concerto integrado na feira.

No fim de semana há um encontro de "motoqueiros" na cidade mas não fico. Não vou muito em concentrações. Estive no encontro das Transalp na Argentina, pois tinham-me dito que não seriam mais de cinquenta a sessenta pessoas. 

 Continuo em direcção a Cachoeira do Sul, vou ver se encontro o Osmar Guidoti. O brasileiro que já tinha conhecido nas Termas de Guaviyu.

Como entro mais para o interior do país começam a aparecer algumas montanhas, mas pequenas, e a paisagem muda um pouco e também já há algumas curvas. Sempre quebra a monotonia das centenas de quilómetros feitos sem pré em rectas.

Mas só que ao chegar perto da zona de Cacheira do Sul tornou a ficar mais plano e com terrenos alagados. Eram só pontes e rios.

Na entrada da cidade havia um cartaz a dizer que era a capital do arroz. Via-se porquê…