Sete de abril é o Dia Nacional dos Moinhos. Data foi assinalada através da iniciativa Moinhos Abertos. Na Trofa, a Azenha do Portela recebeu os curiosos que puderam ver de perto o seu funcionamento.

 A roda da Azenha do Portela, em Bairros, Santiago de Bougado, continua a ser movida pelas águas do Rio Ave para moer o milho e fazer farinha. Esta é uma das poucas azenhas que está em funcionamento no concelho da Trofa. Para assinalar o Dia Nacional dos Moinhos, o proprietário abriu as portas do espaço durante alguns dias para que todos, especialmente os mais novos, conhecessem melhor este património concelhio.

Na quinta-feira, dia 7 de abril, cerca de 130 crianças da EB1 de Bairros, deixaram o recinto da escola e foram descobrir como se mói o milho para fazer farinha. “Elas acharam isto muito bonito e engraçado. Fizeram muitas perguntas e saíram da azenha satisfeitas”, explicou Valdemar Portela, proprietário do espaço, que não esconde o “orgulho” na azenha da família.

A iniciativa surgiu através da ADAPTA (Associação de Defesa do Ambiente e Património da Trofa), em parceria com a Rede Nacional de Moinhos que promoveu em todo o país a atividade “Moinhos Abertos”. Cândido Novais relembrou a “inegável” necessidade de preservar este tipo de edifícios. “Aproveitámos esta data para realçar e dar a conhecer à população e às autoridades a importância deste património”, afirmou. Enquanto associação ambiental, a ADAPTA não esquece a preservação as águas que fazem trabalhar a azenha: “Por trás deste edifício existe um património natural que não é apenas do nosso concelho. O rio Ave pode ser uma forma de dinamizar os moinhos e azenhas que existem nas margens, mas também pode servir para que os trofenses tenham mais um polo de interesse e de lazer”.

No sábado à tarde, os interessados puderam participar numa palestra e adquirir novos conhecimentos sobre o funcionamento destes edifícios. Bruno Matos é arquiteto e há cerca de três anos que estuda as azenhas e os moinhos construídos nas duas margens do rio. “Temos uma paisagem de elevado valor, pontuada por edifícios que completam este património e que permitem que a população chegue ao rio”, garantiu o técnico. Bruno Matos lamentou o estado de degradação dos edifícios, sublinhando que “qualquer pessoa que venha à Azenha do Portela fica abismada” com o bom estado do espaço.

A Azenha do Portela vai continuar a moer os cereais para fazer farinha, dando vida à margem do rio e convidando a alguns momentos de lazer, com o barulho da água como fundo e os pequenos animais da fauna local como companhia.